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Se você acompanha a minha coluna no Instagram (@deturfeumpouco), você deve ter visto uma recente publicação em que comento sobre os termos turfísticos que uso na vida, no dia a dia.
Por exemplo, quando vejo que um casal está se separando “é forfait total entre vocês?”.
Quando uma pessoa é boa gente “essa aí é muito Grupo 1”. Agora se a pessoa não corresponde: matungo. Se algo deu errado: é bom pra pegar carreira.
As publicações na rede social permitem comentários e com isso recebi algumas contribuições.
Gerson Zeni lembrou que, quando algo dá certo como ele já esperava, diz “esse era barbada”. Já a Patricia Oliveira compartilhou que, quando algo não foi resolvido, diz “ficou parado no box”. Ela também acrescentou “mancou” para quando alguém desiste, “pule alta” pra quando se tem certeza.
O usuário @marcelo_alamos82 comentou que quando a pessoa acorda com muita fome, pergunta “Dormiu amarrado?”. O Laury Junior disse que para mulheres bonitas, brinca “essa corre claming”. Já o Ricardo Ravagnani em seu comentário trouxe “olha lá ele atropelando duro”, mencionando quando alguém chega esbaforido.
Foram diversos os comentários e contribuições de frases usadas no dia a dia por nós, turfistas que incorporamos, sem nos dar conta, os conceitos, aprendizados e linguagem do turfe na nossa rotina.
Hoje (15) de manhã, ouvi o Sr. Claudio Bier, turfista à frente do Stud Red Bier e presidente do Sistema FIERGS, em uma entrevista para a Rádio Gaúcha. Falando sobre uma determinada situação, ele disse “depois que a carreira tá corrida é que vamos ter que sentar pra conversar”. No momento em que ouvi, apenas pensei “é um turfista mesmo”.
O turfe vai além do que dá pra medir: quando faz parte da nossa vida, aparece até no jeito simples de falar no dia a dia.
Pensando nas expressões que o turfe nos presenteia, estou um pouco ansiosa pela chegada do livro, que está em pré–venda, As Mortas do Guerrinha. Esse livro reúne ao menos 250 frases associadas ao jornalista Adroaldo Guerra Filho, popular Guerrinha. Ele é um turfista convicto. Foi colunista de turfe no principal jornal do Rio Grande do Sul, inclusive.
Guerrinha, em diversas oportunidades, já comentou que os hipódromos são espaços muito inspiradores para frases marcantes e que deles saem pérolas diversas. Um exemplo bastante conhecido, numa variação mais ou menos assim, é a pergunta que ele fez a quem comprou um cavalo cego que ele havia vendido: “comprou o cavalo pra correr ou pra ler jornal?”.
É... temos a nossa própria linguagem.