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No telefone, João Moreira é um fantasminha camarada. Não é daqueles que assustam as crianças e quando você se identifica e pede desculpa por estar ligando muito cedo, ele solta deliciosa gargalhada. "Querido Paulo Gama. Não falo com você a tanto tempo. Você só pode estar brincando em dizer que sete horas da manhã é cedo para um cara que é jóquei".
João Moreira está feliz. O assombroso Fantasma deu tremenda canseira nos dois últimos dois dias de corridas. Em São Paulo, na véspera, ele ganhou quatro, das seis provas de Grupo que disputou. Aí pergunto a ele, se quando chega lá, ele faz questão de provar para o extraordinário locutor, Roberto Casela, que ele merece o eterno apelido de Fantasma de Cidade Jardim, e por isso faz questão de apavorar os colegas na raia.
Moreira segue feliz e sinto que faz questão de falar do famoso jargão do Casela. Quero fazer uma boa matéria. Não é toda hora que você está falando com um ídolo do esporte que você faz cobertura há mais de 40 anos. Mas eu tenho experiência no assunto, por ser amigo pessoal do colega do Moreira que é recordista mundial, Jorge Ricardo. Dou corda e Moreira confessa ter enorme orgulho do famoso jargão.
"PG estes caras de Cidade Jardim, Roberto Casela e Jair Balla são monstros sagrados na profissão deles. Eu sou apaixonado por este apelido de Fantasma de Cidade Jardim. Eu lembro dele em todos os páreos mais importantes que conquisto no Japão, em Dubai, na Austrália, enfim em toda parte. Você tem idéia do que é ganhar uma prova de um zilhão de dólares e quando cruza o disco não tem cara para te lembrar na transmissão o nome do cavalo e exclamar, "Montado pelo Fantasma de Cidade Jardim. Eu juro por Deus. Eu lembro do Casela todas vezes nos quatro cantos do planeta. Mas a voz dele nunca vem. Eu queria que aquela gente soubesse que tinha um Fantasma por ali assombrando eles", admite emocionado.
João Moreira afirma que uma das maiores alegria da sua vida profissional é montar para o Haras Rio Iguassu. Que sofre quando algum cavalo decepciona a equipe. Ele pensa que poderia ter feito algo melhor, Elogia a união, a perseverança do grupo, o mesmo respeito por cada profissional, independente da cargo que ocupa na engrenagem. "A família Pelanda é sensacional. E eles fazem o cavalariço, o redeador se sentir importante, do mesmo jeito que o ferrador. Um final de semana como este não tem preço. Renova as forças para a gente querer reviver tudo isso outra vez", fala animado João Moreira. Pergunto quando ele vai reaparecer aqui no Rio de Janeiro, para assombrar a gente aqui na Gávea.
"Talvez na próxima semana que tem aquele "Domingo no Joquei", com vários clássicos. Mas escreve esta entrevista aí, afinal você me acordou de madrugada. Estou com saudade das suas mal traçadas linhas, elogiando este Fantasma. Pode colocar aí que eu adoro assombrar esta turma da Gávea. Tem um cara por aí que já tem até estátua, o seu amigo, Jorge Ricardo. Como é que um jóquei consegue ter mais de 13 mil vitórias?. E o Casela me chama de Fantasma?. Qualquer dia ele vai batizar o Ricardinho também", se despediu e desligou o telefone celular.
Da Redação