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Fala–se muito, no turfe brasileiro, em renovação do público. Eu quero propor outra palavra.
Quem renova abandona o que estava posto, e o turfe não precisa abandonar ninguém. Precisa de ampliação.
Acredito que seja muito importante atrairmos a geração Z para dentro do hipódromo. Um jovem que se interessa pelo turfe aos 20 pode ser um grande proprietário nos anos seguintes. Conforme a vida amadurece, cresce a disposição de ser proprietário, criador, parte da diretoria de um clube. É preciso plantar a semente agora, para que ela dê frutos.
Até que os jovens de hoje se tornem os proprietários de amanhã, há muita gente de todas as idades que o turfe pode alcançar, agora.
Por desconhecimento ou por alguma crença limitante, muitas pessoas estão fora do nosso esporte. Em tempo de eleições, ouso dizer que temos mais votos brancos e nulos do que contrários. O esporte caiu no esquecimento. Levei uma amiga ao Hipódromo do Cristal, em um dia sem corridas, e ela se surpreendeu, inclusive, com o fato de os cavalos morarem nas cocheiras. Para nós isso é óbvio, mas cada ponto dessa cadeia pode surpreender quem está do lado de fora. Inclusive o que parece mais bobo.
Mas afinal, como alcançar essas pessoas? Uma das respostas, para mim, são os eventos. Sei que há quem critique o uso dos espaços dos hipódromos para isso. Eu estou no time de quem elogia, porque eventos plurais, de temas e públicos muito diferentes entre si, os permitem chegar a pessoas novas.
Quem vai a um casamento feito em um clube não necessariamente volta. Mas se até aquele dia nunca tinha pisado em um hipódromo, o primeiro passo foi dado. E às vezes o primeiro passo é o que precisamos para atrair alguém ao turfe.
Conversei certa vez com um senhor que, por causa de um evento, criou laços com o Jockey Club do Rio Grande do Sul. Em um ano ele já era sócio do clube. E em um grupo de turfistas encontrou a chance de ter uma cota de um cavalo e virou mais um proprietário.
O narrador Thiago Guedes disse certa vez: "Quem não tem Iluminada, caça com Intense Afleet!". Eu digo, quem não tem a mídia tradicional, caça com as ferramentas que tem. Os eventos são uma delas. A outra, muito importante, é a mídia alternativa. Ecossistemas de comunicação como o Turfe Emoção, encabeçado por Maquenzie Vargas, conversam com turfistas de Norte a Sul e, todos os dias, convidam quem está de fora a conhecer o nosso mundo.
Ampliar é isso: não trocar um público por outro, mas abrir a porta para que mais gente entre.
Obrigada, Presidente da ACPCPSI, proprietária do Raia Leve, pelo convite para fazer parte do mesmo com minha coluna De Turfe Um Pouco.
Aos leitores, amigos turfistas, convido a acompanharem meu trabalho em @deturfeumpouco no Instagram. Trata–se de um perfil de coluna digital em que falo sobre turfe para quem nunca pensou que o nosso esporte pudesse ser uma escolha legal.
Marina Albuquerque