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Após uma folga de 15 dias, voltei aqui no Raia Leve para compartilhar com vocês mais um artigo. Precisei deste intervalo, pois o levantamento que fiz sobre PUT IT BACK demandou tempo, principalmente porque o enfoque inicial do meu estudo era avaliar a capacidade e características das matrizes que produziram ganhadores clássicos com o filho de Honour and Glory. Deu trabalho, mas acredito que cheguei a constatações interessantes e que a partir de agora descrevo aqui.
Começando, vamos definir o que fez PUT IT BACK em sua produção clássica. Ele deixou 17 gerações, com 923 produtos registrados e todos já em idade de corrida. Sua última geração nasceu em 2022. 75% dos seus produtos foram ganhadores e ele produziu até agora uma extensa lista de 84 ganhadores clássicos, sendo 26 no patamar mais alto de ganhadores de G1. Com isso, PUT IT BACK tem 2,8% de ganhadores de G1 e 9,1% de ganhadores clássicos em geral. Sem dúvida, um dos melhores reprodutores que passaram nos campos do Brasil.
Após o mapa do que fez PUT IT BACK, vamos ver quais foram as matrizes que contribuíram para seu desempenho. Seus 84 filhos ganhadores clássicos foram produzidos com 72 matrizes. 10 delas produziram mais de um animal vencedor clássico, sendo o maior destaque do grupo, a mamãe Tout Est Bien (Wild Event), que teve 3 filhos clássicos, em 6 produtos com o reprodutor. Os 3 são: Et La Vie Continue (G3), Glory Boy (G1) e Lake a Trojan (G2).

Glory Boy, vitoriou–se na primeira incursão clássica, o GP Presidente da República, G1, na Gávea. Logo depois foi exportado para Hong Kong, onde venceu o Handicap internacional Cuchoo, no Hipódromo de Sha Tin.
Quais características podemos observar nas matrizes produtoras clássicas? Das 72, simplesmente 30, ou seja mais de 40%, eram corredoras clássicas. Enfim, o Haras Santa Maria de Araras sabe o que faz quando incorpora suas melhores corredoras em pista para produção no haras. Outra curiosidade interessante sobre o grupo de matrizes é que elas são responsáveis por 645 animais registrados com 117 ganhadores clássicos e um resultado ponderado de 18%. Números acima da média de produção clássica brasileira. Em média cada matriz gerou 9 produtos durante sua vida reprodutiva.
Outra curiosidade que eu tinha, era saber quantas destas matrizes já eram produtoras clássicas quando foram cobertas. A conta nos mostra que apenas 8 das 72 matrizes já tinham produção clássica, logo um pequeno índice de 11% delas. Quis levantar este número para acabar com o papo–furado das matrizes produtoras clássicas. Na realidade, o criador tem de acreditar na qualidade da matriz, selecionando AS MELHORES em pista e crer que elas serão boas progenitoras. São pouquíssimas exceções de mamães que produzem mais de um ganhador clássico e menos ainda as que você sabe antes de conceber o segundo filho clássico que elas são deste naipe. Criar PSI não é tarefa fácil.

Glory and Honour (USA), pai de Put it Back, participou de 17 corridas, 6 vitórias, 5 segundos, 1º Metropolitan Handicap, G1 em Belmont (USA) e U$$ 1.202.942 em prêmios
Para fechar este perfil do PUT IT BACK, digo que 45 de seus filhos clássicos são frutos da heterose (outcross), logo quem sabe criar não se apoia em mitos e fantasias. Simplesmente faz acontecer. Não tenham medo de abrir seus cruzamentos, apenas saibam e controlem o que estão fazendo. E finalizando compartilho com vocês os números mais recentes de minha pesquisa com a população de animais corridos no Brasil entre 2021 e 2024, onde podemos observar 6.311 animais corridos que são filhos de 3.208 matrizes, aproximadamente 2 produtos por mamãe. Em termos de classicismo, apenas 456 matrizes foram capazes de gerar ao menos um produto vencedor clássico, um resultado ponderado de 14%. Essa é sua expectativa de produção no haras. 14 matrizes em 100 irão gerar um ganhador clássico para vocês. Era isso por hoje. Olho vivo em seus cruzamentos, sem perseguir mitos e com muita garra para produzir bem. Sigamos em frente.