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Man o’ War, nascido em 29 de março de 1917, foi criado por um dos maiores nomes do turfe americano, August Belmont III, em Lexington, Kentucky. Ele era filho de Fair Play e Mahubah, ambos criados e treinados por Belmont. O potro castanho herdou o temperamento impetuoso de Fair Play, o arqui–rival do fabuloso Colin. O pai de Fair Play, Hastings, também era um cavalo muito arisco.
Na primavera de 1918, Belmont, já com mais de sessenta anos, deixou seu haras para atender ao chamado de seu país e serviu como major na Espanha, durante os esforços dos EUA na Primeira Guerra Mundial. Com essa fatídica decisão, Belmont também anunciou a venda de toda a sua safra de potros de um ano no próximo leilão de Saratoga.
Sam Riddle, da Pensilvânia, com seu característico chapéu de palha e bigode de escova de garrafa, estava presente naquele leilão de agosto. Ele se tornou, possivelmente, o homem mais sortudo a dar um lance em um puro–sangue americano quando o martelo bateu para o potro de porte imponente de Fair Play por US$ 5.000. Naquele dia, seis potros foram vendidos por mais do que essa quantia. Mais tarde, naquela tarde, Man O’ War e outros 10 cavalos subiram uma rampa e entraram em vagões de carga com destino à fazenda Glen Riddle de Riddle em Media, Pensilvânia. Posteriormente, Riddle o transferiu para sua outra fazenda Glen Riddle, localizada perto de Berlin, Maryland.
O treinador Louis Feustel começou a tarefa de domá–lo. Man o’ War resistiu a cada passo e derrubou seu jóquei repetidamente.
“Era um cavalo difícil de selar”, disse Feustel. “Não dava para apertar a cilha até o fim, senão ele pulava para fora da baia.”
“Ele estava sempre com pressa. Se eu queria que ele caminhasse, ele queria trotar. Se eu queria que ele trotasse, ele queria galopar. Não importava o que eu quisesse, ele queria ir mais rápido.”
Man o’ War fez sua estreia em uma corrida de 1000 metros no dia 6 de junho de 1919. Com Johnny Loftus na sela, o potro castanho deixou para trás seus seis rivais, vencendo por seis corpos, "galope", como descreveu a tabela do Daily Racing Form.
O espírito de Big Red podia ser contido, mas jamais domado. Ele ultrapassava seus adversários, quebrando recordes de velocidade com frequência. Não era apenas sua velocidade incrível. Era sua aurea. Eram as multidões que se aglomeravam na grade para vê–lo. Com as orelhas em pé e os músculos ondulando sob seu casaco cor de cobre, ele irradiava majestade, energia e poder.
À medida que suas vitórias aumentavam, o peso também aumentava, conforme os secretários das corridas o adicionavam. Em sua quarta corrida, o imponente Man o’ War carregava 59 kg, um peso considerável para um potro de dois anos em desenvolvimento. Sua única derrota ocorreu no Sanford Memorial. Naquela época, os jóqueis davam a volta no hipódromo e então reuniam seus cavalos em fila atrás de uma cerca de tecido conhecida como barreira, e partiam em disparada quando ela era erguida. Man o’ War estava dando a volta de costas para a linha de partida quando ela subiu. Dez corpos atrás, ele recuperou o terreno perdido, mas terminou meio corpo atrás de Upset, de Henry Payne Whitney. Ele carregava 7 kg a mais que o vencedor.
Vencedor de nove das dez corridas que disputou em 1919, foi eleito Cavalo do Ano. Aos 3 anos, já media 1,68 m de altura e pesava cerca de 510 kg, com uma circunferência torácica de 1,83 m. Sua passada alcançava a incrível marca de 7,6 a 8,5 metros.

Man o’War em 1920
Man o’ War estabeleceu um recorde americano no Belmont Stakes de 1920, uma corrida que venceu por 20 corpos de vantagem sem ser exigido. Ele conquistou vitórias no Preakness, no Withers, no Dwyer Stakes, no Stuyvesant Handicap e triunfou com folga no Travers, estabelecendo um recorde de pista que só foi quebrado 42 anos depois. Em seguida, ele arrasou seus rivais no Lawrence Realization, no Jockey Club e no Potomac Handicap.
"Man o’ War não derrotou, apenas aniquilou", escreveu Joe Palmer.
O ápice da carreira de Man o’ War aconteceu em uma corrida contra o melhor cavalo veterano, Sir Barton, que decidiria o Cavalo do Ano.
Correndo no Kenilworth Park, em Ontário, Man o’ War deixou Sir Barton para trás, vencendo por sete corpos. Apesar do estribo quebrado do jóquei, ele baixou o recorde da pista em mais de seis segundos. Ele correu 21 vezes e venceu 20 corridas.
Nove décadas depois, nenhum campeão Puro–Sangue Inglês dominou sua respectiva era como Man o’ War. No fim, foram os secretários de corridas, responsáveis pelo excesso de peso atribuído ao belo campeão, que o enviaram para a reprodução. Na época de sua aposentadoria, era o Puro–Sangue Inglês que mais faturou, com US$ 249.465 em prêmios.
Três curiosidades:
A Sra. Belmont escolheu o nome sugestivo de "Man o’War" para homenagear o serviço militar do Major Belmont.
Man o’War está enterrado exatamente sob sua estátua, localizado na entrada do Kentucky Horse Park em Lexington, Estados Unidos.
Normal 0 21 false false false PT–BR X–NONE X–NONE O irmão do treinador Feustel, que trabalhava no estábulo, era chamado de "Red" por causa de seus cabelos ruivos. Conforme Man o’ War crescia e passava de 1,63 m de altura, ele ganhou o apelido de "Big Red". Seu apelido, anos mais tarde, também foi colocado em Secretariat, também por causa de sua pelagem.
Matéria Terry Conway, com inclusões