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No início do século XX, mais precisamente nos anos de 1920, o turfe no Rio de Janeiro vivia seu apogeu, mas estava dividido e limitado. O Jockey Club realizava suas corridas no antigo Prado Fluminense (no bairro de São Francisco Xavier, atual bairro do Rocha), enquanto o seu grande rival, o Derby Club, operava no Prado Itamaraty (onde hoje fica o Maracanã).
O antigo prado do Jockey Club já não comportava o crescimento do esporte e a modernidade que a então capital federal exigia. Sob a liderança visionária de Linneo de Paula Machado, presidente do clube, surgiu a ideia audaciosa: construir um novo e monumental hipódromo. O local escolhido foi uma vasta área de mais de 350 mil metros quadrados na zona sul, em seu formato original, em uma região alagadiça e com poucas habitações às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Para muitos na época, construir ali parecia uma loucura devido ao terreno difícil, mas a vista deslumbrante para o Corcovado e a Gávea provou que a escolha era genial.
Neste 11 de julho de 2026, o Rio de Janeiro celebra o centenário de um de seus maiores cartões–postais: o Hipódromo Brasileiro. Há exatamente 100 anos, os portões de um pedaço de Paris transplantado para as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas se abriam pela primeira vez, transformando para sempre a paisagem e a vida social carioca.
A história do "Hipódromo da Gávea", como é carinhosamente conhecido, é uma jornada de audácia urbana, elegância arquitetônica e paixão pelo turfe.

Lançamento da Pedra Fundamental
A jornada para transformar o alagadiço em realeza começou oficialmente no dia 12 de novembro de 1922, com o lançamento da pedra fundamental pelo presidente da República, Epitácio Pessoa.
Os desafios foram imensos. O terreno precisou passar por um profundo processo de aterro e saneamento. Para desenhar o complexo, foram escalados os renomados arquitetos, o Cearense Archimedes Memoria e o Franco–Suiço Francisque Couchet. A inspiração não poderia ser mais nobre: o icônico Hipódromo de Longchamp, localizado no Bois de Boulogne, em Paris.
O projeto seguiu o estilo Luís XV (neoclássico francês), misturando a sofisticação europeia com a topografia única do Rio. Operários trabalharam por quase quatro anos para erguer as monumentais tribunas, instalar os balcões de apostas esculpidos em carvalho maciço e pendurar os imponentes lustres de cristal Baccarat.
No dia 11 de julho de 1926, o então chamado Hipódromo Brasileiro abriu oficialmente suas portas. Foi um acontecimento que parou a capital.
Cerca de 30 mil pessoas lotaram as dependências da Gávea. Os jornais da época descreveram o evento como "o mais brilhante episódio da vida esportiva do país". Homens de fraque e cartola e mulheres com os vestidos mais elegantes da alta costura cruzavam as tribunas, maravilhados com as pistas perfeitamente desenhadas e a imponência das construções.

Hipódromo totalmente ocupado
Aquela tarde não foi apenas o início de um novo local de corridas, mas o nascimento de um polo de convivência, moda e prestígio social. O sucesso foi tão avassalador que, anos mais tarde, em 1932, o Jockey e o Derby Club se fundiram, transformando o espaço na casa definitiva do Jockey Club Brasileiro.
Hoje, aos 100 anos, o Hipódromo da Gávea mantém sua essência intacta. Suas tribunas continuam sendo o palco do Grande Prêmio Brasil, a prova mais importante da América do Sul.
Da Redação