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Com um percentual de 24,18% de vitórias em suas montarias, Jeane Alves, nossa joqueta de ouro, venceu com folga a estatística em São Paulo. Obteve 52 vitórias.
Sua última vitória em 20 de junho, no dorso da favorita Shateau, uma filha de Courtier em Seneca, por Forestry, mais uma vez não deu chance aos adversários.
Jeane tem uma história inspiradora no turfe brasileiro.
Natural de Acopiara, no interior do Ceará, distante 340 km de Fortaleza, Jeane cresceu em ambiente rural e começou a sua relação com os cavalos através da vaquejada. Quando decidiu ingressar na Escola de Profissionais do Turfe, enfrentou a natural resistência familiar pelo perigo da profissão e, claro, o preconceito em um meio tradicionalmente masculino.
Ainda como aprendiz, lutava por montarias e não as recusava. Montou em São Vicente, quando em janeiro de 2010 sofreu uma queda feia no 3° páreo. Fraturou o antebraço direito, ocasião em que os médicos, em uma cirurgia de cerca de 3 horas, tiveram de colocar uma placa de titânio no local afetado.
Em 90 dias, estava de volta para brilhar e ser a primeira joqueta brasileira a vencer uma prova de Grupo 1, quando em 24 de abril de 2010, levou Equitana, do Haras Europa, a vitória no GP João Cecílio Ferraz.
Tomou gosto, e um mês depois, vencia com Xin Xu Lin o GP Juliano Martins, outro Grupo 1.
Daí, não parou mais. Vitórias e estatísticas passaram a fazer parte de seu curriculun.
Vitória no Hipódromo de Newbury, na Inglaterra

Outro feito, ocorreu em maio de 2014, quando Jeane foi convidada a montar no GP. Sheikha Fatima Bint Mubarak Ladies Wordl Championship, em Newbury, Inglaterra. Fez bonito na disputa da principal prova, reservada a animais da raça puro–sangue Árabe, cruzou o disco na primeira posição, conduzindo o animal Manif, nos 1.400 metros, na pista de grama, em percurso em linha reta.
Outro ponto alto de sua carreira aconteceu no dia 15 de maio de 2022. Pilotando o cavalo Roxoterra, do Haras Fazenda Boa Vista, Jeane Alves tornou–se a primeira mulher na história a vencer o Grande Prêmio São Paulo.

Jeane Alves, com Roxoterra, vencendo o GP São Paulo, G1
Quem acompanha os matinais de Cidade Jardim sabe que o sucesso de Jeane não é por acaso. Ela é reconhecida por treinadores e proprietários como uma profissional extremamente dedicada, que bate cartão nas pistas de treino a partir das 6h da manhã para trabalhar os animais, mantendo uma regularidade impressionante que a coloca constantemente brigando pelo topo do ranking de jóqueis. Sua sensibilidade no dorso dos cavalos e o rigor técnico transformaram o preconceito inicial em respeito absoluto no prado paulistano.
Não foi à toa que ela já conquistou várias estatísticas no turfe paulista. Ótimo preparo físico, rigor, percurso limpo e muita lucidez nos momentos decisivos das carreiras.
O segundo colocado na estatística paulista foi M. Ribeiro, com 35 vitórias e com um índice de 16,99% de aproveitamento. M. Ribeiro montou em 206 ocasiões.
A terceira posição ficou para R. Viana, que obteve 31 vitórias em 182 montarias, com 17,03% de eficiência.
Da Redação