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O Prix du Jockey Club, derby francês no hipódromo de Chantilly, trazia para a raia o embate entre as cocheiras de O’Brien e Graffard. Coolmore vs Aga Khan IV (espólio). Farda azul contra a clássica verde e ombros encarnados.
Entretanto, durante todo o percurso dos 2.100 metros da prova, pouco confronto houve. O derby francês foi um passeio no parque dos parelheiros de Aidan O’Brien, no cenário do belíssimo castelo de Chantilly. Da corrida em si nada a destacar. Apenas que a armada de Ballydoyle largou na frente e fez un, deux, trois ... ou seja, a trifeta da prova foi para a Irlanda.
Os 3 primeiros, liderados por CONSTITUTION RIVER (Wootton Bassett) montado por Ryan Moore, não deram qualquer confiança aos demais e chegaram bem na frente de todos. Com o mais precioso deles sendo firme vencedor. Ponta e dupla para o saudoso Wootton Bassett, através do vencedor e de seu escoltante, Hawk Mountain. Quando se é superior, não dê chances para seus rivais.
Wootton Basset

Wootton Bassett, pai de Constitution River
Vamos então ao cruzamento do campeão. CONSTITUTION RIVER, tido como melhor 3 anos da Europa, é nascido na França, filho do desaparecido Wootton Bassett na francesa Chuppy (Le Havre). O vencedor é o único filho corrido da mamãe. Ela, que não mostrou predicados em pista, tem ainda registradas uma potranca por Mehmas da geração estreante e uma potranca de 2025 por Kodiac. O maior atrativo da matriz é ser uma irmã inteira da ganhadora de G1, Wonderful Tonight.
CONSTITUTION RIVER traz em seu sangue o cruzamento entre Iffraaj e Rahy, que funciona acima da média, mas não gera nenhuma afinidade assombrosa. Ele foi comprado por 400 mil euros, em Arqana 2024. Enfim, os rumores de que este filho de Wootton Bassett é o líder da geração se confirmaram no domingo. A rivalidade com a cocheira de Aga Khan não houve na prova e em termos de cruzamentos não temos muito o que copiar ou aproveitar, mas apenas observar o lento caminhar das areias do tempo. Aqui o indivíduo funcionou melhor do que qualquer teoria genética ou afinidade.

Chegada Gande Prêmio, visto por lado de dentro da pista. Os três primeiros são pupilos de Aidan O’Brien
Criadores e compradores têm que conhecer o seu meio e saber navegar em águas turbulentas para alcançar o sucesso. Modelos devem ser observados para nos inspirar. A tentativa de cópia pura e simples de algo que ocorre na fazenda do vizinho, tende a trazer desgosto em vez de sucesso.
Curiosamente, a matriz Pure Luck (Galileo), importada para o Haras Las Madres, produziu um negrito no seu catálogo, chamado Purebred, que vem da terceira mãe do vencedor de domingo, a matriz Birdie. Estes são os meandros das transferências genéticas entre os continentes. Quem sabe no futuro teremos um ganhador de prova importante saindo deste ramo aqui no Brasil.
Aidan O’Brien

Aidan O’Brien, treinador de Constitution River, comemorando a trifeta do Prix du Jockey Club
Finalizando, tivemos uma bela disputa na França com dominância total dos treinados na Irlanda. E se a trifeta foi de Aidan O’Brien, a quadrifeta ficou “na família”, já que o cavalo que chegou em quarto era do filho, Donnacha O’Brien. Em clima de Copa, foi um Irlanda x França com goleada. Enfim, o indivíduo pode vir de qualquer lugar, como o ganhador, criado pela LG Bloodstock em solo francês. Terceira vitória de Aidan na prova, a segunda consecutiva. Parece que ele aprendeu o caminho. Uma ótima semana para todos e até uma próxima oportunidade.