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Após 8 meses de trabalho na Darley/Japão, o jovem Diretor da TBS recebeu uma excelente proposta do maior criatório da Nova Zelandia: a Cambridge Stud.
Trabalhando naquele país desde novembro de 2025, ele nos conta um pouco desta que é a 6ª parte de suas viagens e experiências internacionais.
– POR QUE A NOVA ZELANDIA?
– Bem, a proposta que recebi da Cambridge Stud foi muito sedutora em vários aspectos. Primeiro porque me abre uma perspectiva nova, na área comercial, com ênfase em leilões e vendas diretas, e como agente isto vem ao encontro do meu objetivo. Segundo, porque as instalações do haras são sensacionais, é o maior criador do País, e tem enorme tradição. A Nova Zelndia tem um altíssimo nível no turfe, e eu já havia trabalhado em 2 temporadas nos hHaras líderes da Austrália (Arrowfield e Newgate), portanto fecharia uma “trifeta” dos 3 criatórios mais importantes da Oceania. Além disso, já tinha visitado a Nova Zelândia em férias e o país é simplesmente encantador.

Foto: Rainha Elizabeth II visitando a Cambridge Stud, em 1990
– NOS FALE SOBRE O TURFE DA NOVA ZELANDIA
– Pra começar, hoje segundo o Timeform o melhor cavalo do mundo e o maior velocista do planeta neste século, o fabuloso Ka Ying Rising, é um nativo da Nova Zelândia. O país está em sua melhor fase. Mas a tradição é longa no turfe: o primeiro totalizador de apostas do mundo foi inaugurado aqui, no início do século passado, o que demonstra que a paixão herdada dos ingleses pegou logo de cara. O P.S.I. chegou no aqui início do século XIX. Hoje a Nova Zelândia produz bem menos que a Austrália, mas tem proporcionalmente um resultado clássico que se ombreia ao australiano, e tem muita história. Foi uma joqueta daqui a primeira a vencer um Derby em todo o mundo, em 1970.
Pouca gente sabe, mas o cavalo que é emblemático em toda a Oceania, Phar Lap, nasceu na Nova Zelândia, embora tenha cumprido extraordinária campanha na Austrália e por fim nos USA. E mais uma curiosidade: James McDonald, eleito Melhor Jóquei do Mundo em 2025, também é neozelandês. Embora eu pessoalmente ache o nosso João Moreira melhor...

Foto: Ka Ying Rising – o melhor PSI do mundo, é da Nova Zelandia
– E O HARAS ONDE VOCE TRABALHA?
– Cambridge Stud é uma instituição no turfe da Oceania. A fazenda foi fundada em 1976 por Sir Patrick Hogan, e vendida em 2017 para Sir Brendon e Lady Jo Lindsay. Aqui foi revelado o grande garanhão Sir Tristam, um ícone deste lado do planeta. Um cavalo até hoje reverenciado por seus feitos históricos, entre eles ter sido durante algum tempo o garanhão com mais filhos ganhadores de G1 em todo o mundo: no total ele ganhou 24 títulos de “Champion Stallion”. O já citado Ka Ying Rising, melhor velocista do mundo, é neto de crioula da Cambridge Stud e tem Sir Tristam como pai de sua 3ª mãe. Nada menos do que 8 vitórias na Melbourne Cup (a maior prova do continente) estão relacionadas à Cambridge Stud. O haras foi líder nacional em preços de leilão por 31 anos seguidos, e agora em 2026 conquistou essa façanha pela 32ª vez. Sir Patrick está para o turfe local como John Messara está para o australiano. Incrível que ele mesmo, o próprio dono, é quem apresentava/puxava os potros nos recintos de venda nos leilões, fato que me parece senão inédito, dos mais raros no turfe mundial. Observemos que Sir Patrick está no Hall da Fama tanto na Nova Zelândia quanto na Austrália. Ele faleceu em 2023.

Foto: Aos 74 anos de idade, Sir Patrick Hogan é aplaudido de pé ao apresentar à venda o último filho do grande Zabeel, em 2015
– QUANTOS GARANHÕES ESTÃO NO HARAS?
– Hoje temos 6 reprodutores aqui, todos ganhadores de Grupo 1. São filhos de cavalos do naipe de Frankel, Wootton Basset, Dark Angel, Kodiac, Savabeel, e do pequeno grande Snitzel – com o qual já trabalhei na Arrowfield, inclusive participando das coberturas de fenômenos como Winx, Black Caviar e Gaudeamos (mãe do Golden Sixty). Nosso plantel de sementais é o melhor do País.

Foto: Robert Sangster, fundador da Coolmore – 3º da esquerda para a direita – em visita à Cambridge Stud, em 1988
– ALGO MAIS A ACRESCENTAR SOBRE O HARAS?
– Cambridge Stud foi 5 vezes “Criador do Ano”, levou também 5 vezes a propriedade da “Reprodutora do Ano”, e os garanhões daqui produziram 146 diferentes ganhadores de Grupo 1, que somados venceram 247 provas de Grupo 1. Cambridge é o maior produtor de ganhadores de Grupo 1 do País. O Haras oferece uma infraestrutura muito boa, o pessoal é muito simpático e profissional, fica bem próximo à cidade de Hamilton, enfim, está sendo uma experiência muito bacana.
Top Jockeys of 2025 (Longines Award Standings)
The final standings for the 2025 award were calculated based on races run from December 1, 2024, to November 30, 2025.
“A classificação final para o prêmio de 2025 foi calculada com base nas corridas realizadas entre 1º de dezembro de 2024 e 30 de novembro de 2025”.
Rank, Jockey e Total Points:
1º James McDonald 184
2º Mickael Barzalona 132
3º William Buick 114
4º Ryan Moore 102
5º Oisin Murphy 78
Resultado do Campeonato mundial de jóqueis de 2025 patrocinado pela Longines, vencido pelo Neozelandes James McDonald
– QUAIS SÃO AS SUAS FUNÇÕES?
– Atualmente acumulo diversas atividades aqui no haras. A principal é a de Assistant Stallion Manager, estando presente diariamente em tudo que diz respeito aos garanhões. Também atuo na área de Bloodstock, e na de relacionamento com clientes – aí já no escritório. Por fim, auxilio nossa Yearling Manager na preparação e apresentação dos nossos potros para leilão. Minhas ocupações me permitem participar dos leilões e da comercialização tanto na Nova Zelândia quanto na Austrália, e isso é muito gratificante, pois esta é exatamente a área que pretendo seguir na carreira. Há pouco vibrei com a vitória do potro Guest House na Golden Slipper, prova disputada no hipódromo de Rosehill (Sydney), e que é a corrida mais valiosa do mundo para os 2 anos, com prêmio de 5 milhões de dólares. Fui eu que preparei e apresentei este potro quando trabalhava na Newgate. Ele foi vendido por 270.000 dólares no leilão, e, após esta vitória, foi adquirido pela Coolmore pela quantia de AU$ 30.000.000,00 (Mais de 100 milhões de reais).
– ESTA É A 6ª ETAPA DE SUAS EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS. FAÇA UM RESUMO DELAS.
– Tudo começou numa semana de GP Ramirez, quando num jantar no Haras Rapetti o Nicolas Barrenechea deu ao meu pai a dica do curso de turfe mais importante dos USA, o KEMI (Kentucky Equine Management Internship). Na mesma noite, no hotel, procuramos informações na internet e já fiz minha inscrição, que foi confirmada em Junho. Fui para o Kentucky em Julho, fiz o curso e trabalhei na Stone Farm, de Arthur Hancock, local onde nasceram e foram criados Sunday Silence e Fusaichi Pegasus, por exemplo. Após me formar no KEMI, retornei ao Brasil e concluí a faculdade em Curitiba, no curso de Relações Internacionais. Logo depois fui para a Austrália, contratado pela Arrowfield Stud. O dono deste haras, John Messara, é uma “lenda” no turfe internacional. Depois de um ano na Arrowfield, me inscrevi, fui aceito e me diplomei pelo Irish National Stud, na Irlanda, que é a mais prestigiada escola de turfe da Europa. Após a conclusão deste curso, recebi e aceitei outra proposta vinda da Austrália, agora da Newgate Farm, onde passei mais uma temporada muito proveitosa. Na sequência, graças ao apoio do Lineu de Paula Machado e do Francisco Lança, fiquei 8 meses no Japão, na seção da Darley, braço oriental do Sheikh Mohammed. Enquanto estava lá, recebi esta proposta da Cambridge Stud, que me pareceu excelente, então vim para a Nova Zelândia. Aproveitei minhas férias e intervalos para conhecer um pouco mais do turfe em Dubai, na Argentina e em Hong Kong, assistir o Arco do Triunfo em Paris, os Derbies de Epsom, Irlandês e Francês, e outras importantes corridas da Austrália, Inglaterra e Irlanda. Nos períodos de férias sempre venho para o Brasil para ajudar a TBS em tudo que posso. Em síntese é isso.

Foto: Henrique e Arthur Hancock, o mais icônico criador americano
– UMA BAGAGEM E TANTO. JÁ HÁ REFLEXOS PARA A NOSSA CRIAÇÃO?
– Acredito que sim. Apesar de ainda estar no começo da carreira, acho que já estou conseguindo trazer alguns frutos para o Brasil. Compramos 1 potranca em 2023 e mais 4 em 2025 no Leilão Internacional, numa parceria que envolve clientes e amigos da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Irlanda e Brasil. Eles estão em treinamento no Tarumã, aos cuidados dos treinadores Antenor Menegolo Neto, Márcio Gusso e Pedro Nickel Filho. Na semana passada comprei a 2ª potranca mais cara do leilão do São José da Serra para um cliente do Uruguai. Ah, sim: e no ano passado trouxemos para a nossa criação 3 garanhões, todos eles já com produção black type no exterior.
– FALE UM POUCO MAIS DESTES 3 REPRODUTORES.
– São o Microphone (que está em Bagé), o World of Trouble e o Demarchelier (ambos estão no Paraná). Microphone é o único “Champion 2yo” Australiano que pisou nas Américas até hoje, e ostenta 11% de aproveitamento clássico na Austrália, onde a concorrência é bem diferente. World of Trouble é o único ‘sprinter’ ganhador de G1 na areia e na grama que já serviu no Brasil, e também tem produção clássica no USA. Era o cavalo mais ligeiro da América em sua época. E já o Demarchelier é o único Dubawi no País. Ele é ¾ irmão do excepcional Night of Thunder, hoje o 2º melhor garanhão da Europa, tanto por prêmios ganhos quanto por produtos ganhadores clássicos. Quero aproveitar este espaço para mais uma vez parabenizar e agradecer pela confiança, ao Haras Nijú (Microphone), ao Haras Palmerini (principal cotista do World of Trouble) e ao quarteto Cifra / Rio Iguassú / Palmerini / Cima, que encabeçaram o condomínio que trouxe o Demarchelier.
Também estendo estes agradecimentos aos demais 35 cotistas, do Brasil e do Uruguai, que acreditaram nestes projetos. Como sempre, nada se faz sozinho, portanto, também devo reconhecer o trabalho dos amigos Eduardo Guimarães, fundamental nos processos de sindicalização, e Miguel Ezcurra, da Argentina, que trabalhou conosco na operação do World of Trouble.
– QUANDO VOCE VOLTA AO BRASIL?
– Primeiramente muito obrigado pela oportunidade da entrevista. Em agosto sou padrinho de um casamento em Curitiba, e se der quero aproveitar a viagem para conhecer o turfe no Peru, que aliás foi sede do último GP Latino–americano. Nas minhas férias, em fevereiro, planejo participar novamente das visitas de inspeção do Leilão Internacional, até para poder indicar melhor para clientes de outros países. Assim, se tudo correr bem, estarei no Brasil dentro de 4 meses, revendo a família, os amigos, e, é claro, os cavalos!