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Hoje vamos falar sobre a origem dos garanhões e das matrizes que geram a população brasileira do PSI. Antes de adentrarmos no conteúdo de hoje vou recuperar alguns conceitos estabelecidos anteriormente.
Primeiro, nossa população de animais está totalmente integrada à carga genética da população mundial.
Segundo, 77% da população de animais estudados apresenta duplicação até a quinta geração (inbreeding).
Terceiro, NÃO houve diferenciação de desempenho clássico entre os “rivais” Inbreeding e Outcross. Finalmente, o chamado dublê mágico entre Northern Dancer e Mr. Prospector foi a duplicação de talentos que se mostrou superior. Vamos todos agora para uma nova página dos parâmetros do PSI brasileiro.
Vejamos na tabela 1 abaixo a distribuição da origem dos garanhões da amostra:

Agnes Gold

Agnes Gold e o treinador L. Esteves, em Bagé. Seguramente um dos grandes reprodutores de nossa história. Falecido em 2021
Aqui fica claro o desempenho extraordinário que estivemos importando reprodutores japoneses. Essencialmente os inesquecíveis AGNES GOLD e HAT TRICK. Desempenho duas vezes superior aos americanos e 3,5 vezes melhor que os bravos nacionais. Na conclusão do estudo do professor Taveira e outros (Population parameters in Brazilian Thoroughbred, 2004), eles afirmam que os animais importados têm um valor reprodutivo médio superior ao estoque nacional. Com isso recomendaram que os criadores continuem usando os animais de maior valor reprodutivo e que abram chances aos reprodutores nacionais que possuam alto valor reprodutivo. O quadro acima mostra a maior divergência de resultados que apurei em todo o levantamento. Quem não pôde usar os japoneses ou não conseguiu se aproveitar de alguma forma desse desempenho superior, ficou a ver navios.
Hat Trick

Também desaparecido, marcou igualmente época
Concluindo, o bom reprodutor pode vir de qualquer lugar, use–o mesmo que ele seja um alienígena. Faz diferença. Sei que os criadores têm limitações nas apostas feitas quando realizam as aquisições e na formação dos sindicatos, além da distribuição regional das feras. Quando possível use sempre um garanhão de alto valor reprodutivo e seja rápido na identificação dos chamados “eletricistas” para você se livrar deles brevemente. Encerro essa parte com uma frase de Franco Varola: “Em substância, estudar e não sentenciar deve ser o dote do criador”.

Franco Varola, quando novo, italiano de Milão, morou no Rio de Janeiro, era um assíduo frequentador das reuniões que ocorriam na residência do Dr. Reynato Sodré Borges, quando este residia no Ed. José Mariano, Copacabana, em monumental apartamento de Mariano Raggio e prestava consultoria ao Haras Sideral.
Abaixo apresento a tabela 2 com a origem das matrizes da população que estamos avaliando, somente para relembrar foram estudados 3.963 animais corridos no Brasil:
Tabela 2

Como podemos ver massivamente, nossa base é tupinambá. Mamães nascidas e aclimatadas aos nossos pastos. As estrangeiras não se diferenciam em nada das brasileiras em desempenho em provas de grupo. Motivos para o ocorrido, não os tenho. Só estou constatando o fato. Entre as matrizes estrangeiras, majoritariamente elas vêm dos EUA e se olharmos este grupo específico o desempenho sobe míseros 0,27 pontos percentuais. É insignificante a diferenciação de desempenho. Quer importar? Seja cirúrgico, consulte um bom selecionador e acenda uma vela.
Precisarás de sorte para ganhar mais que a média. Tem sua matriz brazuca, uma “Iracema dos Pampas”, fique tranquilo. Terás de trabalhar melhor que seu vizinho, mas a carga genética estabelecida no Brasil não tem perdido para as matrizes estrangeiras. Enfim, esse foi o panorama de distribuição de desempenho clássico quanto a origem. Nossa paixão pelo reprodutor japonês é plenamente amparada pelos números e pelos brilhantes animais que eles deixaram para nós. As mamães estrangeiras não se diferenciam em desempenho das nossas matrizes. Ponto para nossos criadores e para a carga genética estabelecida no passado. Uma boa semana de trabalho para todos e até breve na Live de segunda–feira.