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No turfe, os primeiros passos da tradicional família Nahid foram dados pelo patriarca, Alberto Nahid. Na profissão de jóquei teve estatura um pouco alta. Porém, magro o suficiente para dar conta do recado. Pode–se dizer que chegou a ser um piloto mediano, numa época em que teve de encarar na raia o craque, Luiz Rigoni, e, os jóqueis chilenos da sua época, todos de alta categoria. Quando deixou esta profissão para ser treinador. Bem, aí sim. Se transformou num grande mestre. E, mais tarde, com o nascimento dos filhos, Roberto, o mais velho, e Venâncio, chamado de Neném, pode torcer por eles.
A família tinha na sua ala masculina, outros três membros com o mesmo nome próprio, Venâncio, e dava confusão para chamá–los, embora fossem de outras atividades distantes do turfe. E foi justamente neste momento que surgiu o apelido, Neném, que nos programas oficiais do Jockey Club Brasileiro, que viria a eternizar a família, com o nome V. Nahid, para sempre na história do turfe nacional. Roberto começou a exercer a profissão de pé em baixo. Era talentoso e prematuro. Ganhou muitos páreos e se tornou respeitado pelos aficionados quando os seus cavalos apareciam inscritos. Neném demorou mais a engrenar. Mas quando embalou colocou no currículo seis triunfos na maior prova do turfe nacional, o Grande Prêmio Brasil.
Quando recorda de seu pai, falecido em 19 de janeiro do ano 2000, Venâncio não economiza nos elogios. Com ele no aprendizado desenvolveu todos os fatores necessários para alcançar êxito absoluto na arte de treinar puros–sangues. "Meu pai foi meu professor. Meu ídolo, e, sem dúvida a pessoa mais importante da minha vida. Depois da sua passagem, eu rezo diariamente por sua alma. Era um homem sério, honesto e disciplinado. Sem ele, eu não teria alcançado o sucesso na profissão de treinador", afirma emocionado.
Além das consagradoras vitórias de Flying Finn, do Stud Numy, Velodrome, do Haras Dar–El Salam, Jeune–Turc, do Stud Ced, Barolo, do Haras Santa Rita da Serra, My Cherie Amour e Pimper’s Paradise, ambos do Haras Doce Vale, Venâncio também conquistou o Grande Prêmio São Paulo, em 5 oportunidades, através de Jeune–Turc, Flying to The Moon, Invictus, Sal Grosso e Macbeth, este último corrido em nome do segundo–gerente, C. Silva, o Carlos Marimbondo, por que estava suspenso. Venâncio atribui as suas glórias aos ensinamentos do pai. Lembra com saudade dos tempos de menino quando o acompanhava nos treinos, no Haras Santa Maria de Araras, e também na Gávea.

Freddy Boy, do Haras Santa Maria de Araras, treinado por Alberto Nahid, vencendo a Taça de Ouro na Gávea
"Meu pai treinou craques, tais como Freddy Boy, ganhador da Taça de Ouro em 1975, e as éguas, a argentina Gas Mask (GPs Duque de Caxias, G2, e Onze de Julho, G3 dentre outros) também em 1975 e Hula Hoop (GP. Francisco Vilella de Paula Machado G2, dentre outros) em 1976 no Santa Maria de Araras. Em 1975, Alberto Nahid foi o vencedor das estatísticas de treinadores por prêmios ganhos, obtendo 75 vitórias e um índice de 18,2% de eficiência.
Em 1984 venceu com Cambrinus, o GP Presidente da República, G 1. Em 1985, Alberto Nahid venceu com Kew Gardens a Copa ANPC, G 1 em Cidade Jardim e o GP Presidente da República, G 1, na Gávea, ou seja, no mesmo ano ganhou Grupo 1 em CJ e na Gávea, um feito que poucos treinadores conseguem", lembra Venâncio.
Em 1995, treinou para o no Stud Topázio, o inesquecível Dancer Man (GP Duque de Caxias, G2, GP Pres. Arthur da Costa e Silva, G3, dentre outros).

Roberto Nahid
Sobre o irmão Roberto Nahid, Venâncio tem palavras de elogios também. "Roberto teve início de carreira sensacional. Era sensível, detalhista e inteligente. Nos tempos do Stud Vasco Ferreira marcou época, quando cuidou de craques tais como Her Professor (que obteve em sua campanha 20 (vitórias/colocações clássicas), entre 1992 a 1994, mantendo–o em excelente forma física por três temporadas, ganhando inclusive de Sandipt no GP Costa Ferraz em 1992. Isso é muito difícil de se conseguir com um cavalo. Uma grande marca) e Fidelidad, do Haras Iposeiras, que foi 4º no GP Roberto e Nelson Seabra, G1, em 2002, dentre tanto outros que cuidou. Infelizmente teve muitos problemas particulares na vida pessoal, e não pode dar sequência".

Foto da vitória de Her Professor no GP. Costa Ferraz. Na foto, “seu” Vasco, o filho Mauro e Roberto Nahid.
Veja a vitória de Her Professor do Stud Vasco Ferreira e treinado por Roberto Nahid no GP Costa Ferraz, G 3, em maio de 1992:
https://youtu.be/Q9bVeZaM_og
Já Venâncio Nahid, dos tantos craques que cuidou um têm lugar cativo no coração. Ele não pensa duas vezes para afirmar que Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, foi o melhor cavalo que treinou. "Este craque do saudoso Alfredo Grumser foi o melhor cavalo que passou pelas minhas mãos. Era uma máquina de correr. Teve problemas físicos graves, e sempre se recuperava a ponto de obter na raia conquistas espetaculares. Sua aceleração era indescritível.

Venâncio sendo entrevistado, logo atrás de Flying Finn, do Stud Numy, montado por Juvenal, após vitória do GP. Brasil 1990
Flying Finn, ganhador do seu primeiro GP Brasil, também possui lugar cativo no coração de Neném. Lembra com saudade dos inesquecíveis duelos com Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, treinado por João Maciel. "Esta era uma parada indigesta para mim. Travar duelo com um craque desta magnitude, cuidado por um treinador super talentoso, que morreu muito cedo, alojado num centro de treinamento, e o meu cavalinho aqui do calor do Rio de Janeiro, numa raia liberada para todos os cavalos residentes aqui, era uma parada. Mas conseguimos ganhar algumas vezes, e perder outras tantas pelo valor do rival e do seu treinador", fala com convicção.

Vitória de Flying Finn no GP. Brasil 1990. Na foto, Venâncio, Flying Finn com Juvenal, Numy e o segundo gerente de Venâncio

Numy, Ernani Pires Ferreira e Venâncio Nahid
Veja a entrevista de Neném com o Locutor Ernani Pires Ferreira sobre a vitória do GP. Brasil de 1990, e o filme original da vitória:
https://youtu.be/40WTOwKOPxM
A ida para o Centro de Treinamento

Venâncio Nahid
A saída da Gávea, onde tinha várias cocheiras, e um número enorme de proprietários, para se transferir para o Stud TNT, no Vale do Itajara, em Pedro do Rio, é uma recordação inesquecível para V. Nahid. Lembra que foi o passo mais importante de sua carreira. "Foi um divisor de águas na minha profissão treinar para o Stud TNT. Ganhei páreos que jamais pensei em ganhar e treinei puros–sangues de qualidade. Um esquema profissional, organizado e com tranquilidade para trabalhar. Um momento único na minha carreira profissional", fala com orgulho V. Nahid, o treinador segundo colocado em número de triunfos no Brasil, 3.221, segundo colocado para o lendário, Ernani de Freitas, da família Paula Machado.
Da Redação