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Uma avaliação dos 3.963 animais que correram no Brasil, de 2022 e 2024
Meus amigos do turfe e caros criadores do PSI brasileiro, vamos para mais uma rodada dos parâmetros dos animais corridos no Brasil entre as temporadas de 2022 e 2024. Relembrando alguns detalhes importantes da primeira parte, a população avaliada foi de 3.963 indivíduos que correram, advindos de 2.360 matrizes e 225 reprodutores.
A nossa linha de base comparativa é 9% de ganhadores clássicos (Grupo+LR) e 6% de ganhadores de provas internacionalmente catalogadas como de grupo. Antes de adentrar em mais dados e informações gostaria de deixar uma mensagem para o criador brasileiro.
Você é chamado de CRIADOR porque você não pode copiar, você é um pavimentador do futuro, você “joga xadrez com a natureza” (palavras de S.A. Aga Khan), você “tem de ser um profeta” (palavras de Zenya Yoshida) e acima de tudo um criador de sucesso nunca será um copiador de modismos. Você criador é um bandeirante dos nossos pastos, desbravador dos caminhos que nos levam até o futuro. Essa é a arte de criar.
A Carga Genética de nossos produtos

Hoje vou me concentrar na carga genética de nossos produtos. Primeiramente vamos ao quadro que traz a carga genética (Coeficiente de Inbreeding) até a décima geração da população estudada e as médias anuais de uma amostragem mundial:
Como podemos verificar, não há qualquer diferença significativa entre a carga genética no Brasil e no resto do mundo. Fiz diversas simulações separando por jurisdições diferentes e os números se repetem. Logo o PSI brasileiro está sim alinhado com o que é produzido fora das nossas fronteiras. As diferenças que surgem nos extremos, são os casos raros que não tem representatividade. Para darmos uma cor aos números, seguem aqui o animal de valor máximo, chamado LORD DA SERRA (2020) filho de English Major (Put it Back) em Have No Shame, por Put it Back. O animal com menor carga genética foi o alemão AGGENSTEIN (2019), filho de Amaron em Altstadt. Quem tiver curiosidade estude os pedigrees acima.
Vamos a uma importante divisão entre duplicações cruzadas até a quinta geração (inbreeding) e o chamado Outcross (Linebreeding), nosso país apresenta 77% da população estudada com duplicações (inbreeding) e 23% na categoria de Outcross. Como foram os resultados destes grupos? Os animais com duplicações cruzadas foram ligeiramente superiores aos demais, sem qualquer significância estatística. Podemos dizer que dada uma mesma chance ambos os grupos desempenham de forma equivalente. 2/3 das duplicações são feitas nos dois maiores chefes de raça do final do século passado.

Northern Dancer, o mais duplicado em pedigrres
Ninguém ficará surpreso ao saber que NORTHERN DANCER (37%) e MR. PROSPECTOR (29%) são os mais duplicados. Aqui podemos afirmar que o “dublê mágico” Northern Dancer + Mr. Prospector foi a duplicação mais eficiente. A superioridade não é gigante, mas usá–los em seus cruzamentos ocasionou uma melhora de desempenho clássico da ordem de 25%. Duplicações em DANZIG, STORM CAT e GHADEER apresentaram menos que 5% de vencedores de provas de grupo, resultado abaixo da média. Quem quiser continuar tentando esse caminho, terá de ser cirúrgico e contar com um tanto de sorte.
Concluindo com alguns exemplos ilustrativos. Você pode chegar ao sucesso com pequena carga genética, como no caso de Navio Fantasma e Ever Daddy. Por outro lado, temos uma Bluestocking e um Los Angeles com altas cargas genéticas e muitas duplicações. No Brasil não há diferença alguma em desempenho clássico entre as duas famosas teorias. O estudo de Todd, em 2018, aponta com muito mais dados e variáveis testadas que o aumento de carga genética está sim gerando uma depressão de desempenho na população. Aqui a mensagem é simples, quando for montar seu cruzamento saiba qual é sua intenção e saiba os riscos que está correndo. Tenha fé nas suas escolhas e cuide bem dos seus produtos. Às vezes, práticas simples funcionam melhor que teorias.