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O dia era 29 de agosto de 1915, um bonito domingo de sol e o Derby Club fez sua programação com 7 páreos. Era a 11ª reunião de 1915, o que nos dava uma média um pouco maior do que 1 reunião por mês.
O Stud Arriaga venceu dois páreos, o 1º e o 6º páreo, respectivamente com Príncipe e Marialva. O jóquei deles foi Alexandre Fernandez, e o treinador foi José de Paula Mendes.
Na foto da matéria, vemos o jóquei Alexandre Fernandez, fazendo a repesagem após a vitória de Marialva, na balança instalada em frente a arquibancada e ao lado de cerca da pista, sob a supervisão do Coronel Dias Pereira, do Derby Club
No Derby Club, sob a presidência de Paulo de Frontin, a primeira corrida ocorreu em 02 de agosto de 1885. Foram colocadas linhas especiais de trem para o Derby (onde hoje se situa o maracanã), bem como reforço de bonds que atendiam a Tijuca. Um dia de gala, mas sobre isso voltaremos a escrever.
As corridas de 29 de agosto ocorreram na normalidade, sendo as partidas eram dadas nas fitas, pois o Startingate só apareceu por volta de 1967.
Príncipe, 3 anos, Castanho, Inglaterra, filho de Sant’ Angelo e Honora, abriu a reunião e venceu 4 animais, Jurou, Bonnie Agnes, Tutuna e Liebe, nos 1.609 metros na areia leve. O tempo, 110s20c.
Neste páreo, Liebe pulou na ponta, seguido de Príncipe, Bonnie Agnes, Jurou e Turuna. E nesta ordem passaram os 1.000 metros. Antes da reta, Príncipe já foi buscando a ponta e Turuna que corria em último, forçou e veio se colocar em segundo lugar, com Jurou acompanhando seu ritmo, e logo a seguir tomando a segunda posição e saiu ao encalço de Príncipe.
Na reta, Príncipe tinha sobras saiu tirando, e venceu Jurou por 5 corpos. Bonnie Agnes que ficou mais poupado, veio fazer terceiro a 3 corpos de Jurou.

Um jornal que prestigiava muito o turfe era O Século, cujo proprietário e diretor era o jornalista Brício Filho, turfista com gosto, que vemos conversando entre o proprietário Coronel Antenor Alves de Araujo e um amigo.
O sexto páreo, tivemos a vitória de Marialva, em um páreo com apernas 3 animais na distância de 1.700 metros.
Dada a largada, os três saíram juntos, para logo depois Mogy Guassú e Saxham Beau irem brigar pela ponta e assim se destacaram de Marialva. Saxham Beau após breve briga, conseguiu tomar a ponta. Antes da primeira parte da curva, Alexandre Fernandez com Marialva já vai se colocando ao lado de Domingos Ferreira, jóquei de Mogy Guassú, em briga pelo segundo lugar. É travada um mano a mano, que se alongou até o início da reta, com então Marilava toma o segundo lugar e sai ao encalço de Saxham Beau. No meio da reta, Marialva domina Saxham Beau e foge para o disco, na segunda vitória do Stud Arriga. Venceu por 4 corpos. Saxham Beau foi o segundo e Mogy Guassú o terceiro a 9 corpos da vencedora.
Marialva, 4 anos, Zaina, Inglaterra, é uma filha de Nulli Secundos. O tempo foi de 112s60c.

O treinador José de Paula Mendes, o popular Zezinho, a direita do Capitão Alberto Serra que faz imitação de tocar "ao som do pinho" como informa o jornal da época. “Ao som do pinho” é uma expressão que significa, historicamente no Brasil, "ao som do violão"
Portando nesta matéria, vemos animais, reprodutores, proprietários, jóqueis e treinadores, todos nomes desconhecidos para os nossos tempos, mas famosos na época, e fizeram a história de nosso turfe.
Não temos memória dos personagens e da dimensão que o turfe alcançou desde sua primeira corrida em solo brasileiro. No site Pedigree Query, somente os animais com muito destaque foram registrados. Sobram–nos os jornais da época, pequena fonte de notícias do turfe, mas preservados pela Biblioteca Nacional.
Da Redação