Além de uma potência no setor do petróleo e ter o presidente mais polêmico de toda a América do Sul, a Venezuela também tem um povo apaixonado pelas corridas de cavalos.
O Hipódromo de La Rinconada, o principal do país, promove reuniões semanalmente, dividindo o calendário com três prados do interior, Valencia, Santa Rita e Rancho Alegre. As corridas são realizadas apenas na pista de areia e contam com o apoio do Governo, uma vez que militares colocados em postos estratégicos na administração de Hugo Chávez são proprietários de destacados corredores.
A criação venezuelana também investe forte e importa bons garanhões. Este ano, não terão representante do GP Latinoamericano, mas já produziram excelentes cavalos e “exportam” profissionais, como é o caso recente de Eibar Coa, que brilha nos Estados Unidos.
Vamos conhecer um pouco da história do turfe venezuelano.
Tempos antigos.
Segundo consta, as primeiras corridas de cavalo, de forma organizada, na Venezuela, foram administradas pelos ingleses, em 1818. As provas eram disputadas em campo aberto e assim aconteceram por muitos anos. Somente em 1907 foi construído o primeiro hipódromo, em Ciudad Bolívar. Alguns anos depois, mudou de local, passando a se chamar Angostura, onde, hoje, é a Avenida 17 de Dezembro.
A construção de La Rinconada.
O Instituto Nacional de Hipódromos (INH) foi criado em 3 de setembro de 1958 , mediante decreto de Lei, assinado pela Junta de Governo, comandada por Wolfgang Larrazábal. O primeiro presidente foi o tenente José Luiz Fernández e, por iniciativa sua, um terreno que seria aproveitado para um depósito de alimentos, deu lugar onde se encontra, hoje, o Hipódromo de La Rinconada, que foi inaugurado em 5 de julho de 1959.
Investimento na criação.
Os criadores venezuelanos também investem bastante para melhorar a qualidade de seus corredores. Recentemente, o Haras Vista Hermosa, um dos principais do país, importou o reprodutor Mister Wells, um filho de Sadler’s Wells. Outros campos de criação se destacam na Venezuela e estão sempre renovando seus plantéis.
A prova mais importante.
A principal carreira do turfe venezuelano é o Clásico Simon Bolívar, realizado pela primeira vez em 1946. Até 1969 foi corrido na distância de 2.000 metros e de lá, até hoje, é disputado em 2.400 metros. Em 2006, a vitória pertenceu à égua Gran Estefania. A prova foi disputada no dia 29 de outubro.
O sucesso no Caribe e nos Estados Unidos.
Muitos corredores venezuelanos conseguiram, ao longo do tempo, importantes vitórias no Caribe, como foram os casos de High Security, que em 1999 venceu o Clásico Del Caribe, em Trinidad y Tobago, e My Own Business, que venceu a mesma prova no ano seguinte. Nos Estados Unidos, brilhou Templado, ganhador do Deputy Minister Handicap e do Coconut Grove Stakes. A égua Radiance também fez sucesso em pistas americanas e venceu 11 páreos, merecendo o título de “Rainha dos Claimings”.
Campeão invicto.
Entre os grandes animais venezuelanos, destaca–se o nome de Burlesco, filho de Knowchando e Mary Pickford. criado pelo Haras Mamoncito e propriedade de Florencio e Juan Vicente Gómez. Sua estréia aconteceu em 15 de novembro de 1936. Estabeleceu dois recordes: 1.000 metros em 63s4/5 e 1.200 metros em 76s4/5. Correu oito vezes e venceu todas, dos 1.000 aos 1.600 metros. Até hoje se disputa um clássico com seu nome e uma estátua sua, em bronze, encontra–se na entrada do Hipódromo de La Riconada.
por Marco Aurélio Ribeiro