O conselheiro do Jockey Club de São Paulo, Fabricio Buffolo – credenciado por mais de vinte anos no turfe internacional – em carta dirigida ontem ao Presidente e membros do Conselho de Administração, pediu demissão.
Buffolo, de família tradicional no turfe de São Paulo, foi eleito em 2 de dezembro do ano passado por 76% dos sócios presentes na Assembleia Eleitoral, alega extrema gravidade financeira e jurídica do Jockey Club de São Paulo, e que há uma grande inércia nas medidas pró turfe a serem tomadas pelo Presidente e pelo Conselho de Administração.
Diz Fabricio, que o JSCP deve mais R$ 1.400.00,00 aos proprietários e R$ 300.000,00 aos treinadores.
Fabricio ainda coloca que no âmbito jurídico, o "JCSP trava batalhas em diferentes frentes, sendo a mais urgente a iminência do leilão do imóvel de Campinas, daqui a pouco mais de um mês. Por isso, neste exato momento deveríamos estar concentrados por dias e horas nos prós e contras de uma possível recuperação judicial para salvar o clube".
E prossegue, "Em minha opinião, deveríamos estar fazendo reuniões de Conselho semanais para tratar dessa situação e de outras com a urgência que elas exigem. Lamentavelmente, a pauta mais discutida hoje em reunião de Conselho do JCSP foi a atualização das tratativas para as comemorações do sesquicentenário. Isso não é apenas um desvio de prioridade; é uma afronta ao turfe e à própria continuidade do Jockey Club de São Paulo. De que adianta celebrar 150 anos se não há garantias de que chegaremos aos 151?"
Fabricio ainda se refere a formação do programa, "Os páreos estão cada vez mais esvaziados e há um risco iminente de êxodo de cavalos devido à insegurança financeira e à total ausência de um plano estratégico de recuperação. Até agora, o Presidente não apresentou qualquer estratégia concreta, tampouco estruturou uma equipe qualificada para implementar soluções. Nos últimos dois meses, estive todos os dias dentro do Jockey, observando de perto sua realidade e compreendendo suas dificuldades. Não sou um "salvador da pátria", como fui rotulado por um conselheiro, mas ao menos estou agindo. Felizmente, não estou sozinho–há muitas pessoas dispostas a lutar pela recuperação do Jockey".
"É inconcebível a desconexão de alguns conselheiros com a realidade. Enquanto o clube desmorona, há quem aja como se estivéssemos em tempos de prosperidade".
"Diante desse cenário, sou terminantemente contrário à maneira como o clube está sendo conduzido–de forma amadora, superficial e sem planejamento. Aos que me chamam de jovem, surpreendentemente de forma pejorativa, lembro que tenho 20 anos de experiência no turfe internacional, atuando em cinco países (Irlanda, Inglaterra, Estados Unidos, Emirados Árabes e Austrália). Sempre acreditei que poderia contribuir com o hipódromo onde minha paixão pelo esporte começou. Fui criticado por cobrar urgência nas ações".
Vou repetir: o Jockey Club de São Paulo está à beira da ressurreição ou do colapso. Diante desse cenário e da flagrante diferença de visão sobre como gerir o clube, venho, com grande pesar, disponibilizar meu cargo como conselheiro. Esta demissão é devido à falta de estratégia, planejamento e compromisso com a real recuperação do Jockey. O clube se recusa a enxergar sua própria realidade, e eu me recuso a compactuar com essa cegueira institucional" complementa Fabricio.
Fabricio Buffolo também é Vice–Presidente de Relações Internacionais da ABCPCC.
Até o momento o Jockey Club de São Paulo não emitiu nenhuma nota a respeito.
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Da Redação.