DE TAIM, ATÉ OPAZO, A LONGA JORNADA DE J. RICARDO
No dia 16 de novembro de 1976, no Hipódromo da Gávea, no dorso do cavalo Taim, de propriedade de Israel Poyastro, estreava o aprendiz, Jorge Antônio Ricardo. Os jornais daquela época, nas páginas de turfe, com espaço generoso para o esporte, destacaram que o jovem era filho do famoso freio gaúcho, Antônio Ricardo, grande rival de Luiz Rigoni, e dos pilotos chilenos, radicados no turfe nacional. Taim foi preparado para ganhar. E o fez, com enorme facilidade. O que ninguém sabia é que aquele menino seria, no futuro, alguns anos depois, o jóquei com maior número de vitórias, nas pistas do turfe mundial, o maior ganhador de páreos, na história das corridas de cavalos. E, assim foi.

No último sábado, dia 7 de setembro de 2024, 48 anos depois da estreia de Taim, treinado pelo saudoso pai, Antônio Ricardo, no dorso do potro Opazo, de criação e propriedade do Haras Cifra, Jorge Ricardo, agora com 62 anos, e recordista mundial, com 13.317 vitórias catalogadas, conquistou o Grande Prêmio Ipiranga. Mais um triunfo de Grupo 1, para o experiente campeão do turfe sul–americano, dono de currículo incomparável no continente.
CURRÍCULO E CAVALOS
Nesta longa caminhada no dorso dos cavalos de corrida, Ricardinho, como sempre foi carinhosamente chamado por seus amigos, fãs e parentes, conquistou duas vezes o Grande Prêmio Brasil, através dos dois puros–sangues considerados por ele mesmo, os melhores que montou vida afora. Much Better e Falcon Jet. Com o primeiro citado ganhou todas as provas mais importantes da América do Sul. E, com o segundo, pela primeira vez, o páreo dos sonhos de criança, a maior prova do país, e, de quebra o Latino–Americano de 1991. Ricardinho conquistou também o Grande Prêmio São Paulo, com o próprio Much Better, Macbeth e Head Office. O Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby, sete vezes, com Vernier, Sandpit, Gigli, Herói do Bafra, License to Run, Ivoire e Plenty of Kicks. O GP Carlos Pellegrini também consta em seu currículo em três oportunidades, com Much Better, Gorilla e Ídolo Porteño. O Clássico Latino–americano, em cinco ocasiões, através de Much Better, dois, em 1994 e 1996, Falcon Jet, 1991, além de JImwaki e Good Report.
Na sua longa trajetória destes quase 50 anos de profissão, Jorge Ricardo levantou a estatística da Gávea por 24 anos, entre 1982, e 2006. Aí, aconteceu uma pausa, em que se transferiu para o turfe portenho. Na Argentina ganhou a estatística de jóqueis em quatro temporadas, 2007, 2008, 2011 e 2012. Neste período teve de tentar derrotar o rival mais difícil de sua existência. Um linfoma, que o afastou das pistas para as sessões de quimioterapia. E deu Ricardinho na cabeça. Depois de oito meses, lá estava ele de novo nas competições, diante de aplausos efusivos dos fãs argentinos.
RIVAIS, ALIADOS E PERSONAGENS
Depois de tanto tempo nas raias e em duras competições, Jorge Ricardo nunca esquece de pessoas importantes na sua caminhada, e, também dos grandes opoentes enfrentados em busca da glória. Lembra da família Nahid, o pai, Alberto, e, os filhos, Roberto e Venâncio, todos treinadores, e com participação decisiva nos seus resultadps. Sente saudade do treinador, Alcides Morales, com quem fez parceria importante no Haras Santa Ana do Rio Grande, da família Fragoso Pires. Sobre os concorrentes na pista, jamais esquece Juvenal Machado da Silva, que segundo ele, lhe deu muita dor de cabeça, mas sempre foi rival bastante leal. "Sem dúvida foi o meu adversário mais duro. Talentoso, intuitivo, mas um sujeito leal", elogia. Ricardinho considera o saudoso treinador, João Maciel, um divisor de éguas na sua carreira. Lembra que deslanchou na esfera clássica, depois que fizeram parceria no Stud TNT. A sua morte prematura, aos 33 anos, o entristeceu demais. "Com ele era tranquilidade montar. Os cavalos eram sempre bem apresentados e, a única ordem que dava, me lembro até hoje. "Faz o teu que eu já fiz o meu. O cavalo está bem, e, normalmente, vai ganhar. Um gênio da profissão", elogia emocionado.
Perto de completar 63 anos, Ricardinho não fala em parar. Se diz com 55 quilos, boa forma atlética, e, de bem com a vida por que faz o que mais ama na sua rotina, que é montar. "Eu vou sair de cena de repente, quando me der na telha. Eu gosto demais da minha profissão. Ela é perigosa, traiçoeira, mas me traz alegrias e felicidades. De vez em quando a garotada esquece de mim. E, aí, eu pego eles de surpresa. Foi o que aconteceu no sábado. Falavam de todo mundo, menos do Opazo. E o cavalo era considerado barbada na final da Copa Velocidade e foi segundo. No sábado todo mundo achava que ia correr na frente. Adoro estes páreos", sorri, pisca o olho e manda um abraço para os seus milhares de admiradores.
