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Junho | 2024

Páreo Corrido, por Paulo Gama
25/06/2024 - 08h20min

Gerson Martins

Obataye, o grande campeão do GP Brasil

OBATAYE, A MERECIDA VITÓRIA DO HARAS RIO IGUASSU

A família Pelanda, do Haras Rio Iguassu, é do ramo. Nutre no peito aquela paixão turfística que arde com a mesma intensidade na vitória, ou, na derrota. Espécie de chama sempre acesa nos momentos de glória, e, que se mantém resignada, com dignidade, na possível tristeza do revés. No ano passado, aqui na Gávea, no mesmo cenário em que o craque, Obataye, desta vez lhes proporcionou a glória, e a alegria, de conquistar o Grande Prêmio Brasil, amargou a derrota de sua craque velocista com resignação. Doeu demais perder na fotografia, com Oriana do Iguassu o GP Major Suckow. Mas o turfe é assim. Nos confrontos com rivais poderosos você muitas vezes perde. E, no dia seguinte, também comemora os triunfos. Neste dia 23 de junho de 2024, veio a forra. E não foi nada fácil alcançar este glorioso momento. Uma viagem de caminhão, que deveria durar em torno de 10 horas, com os cavalos, demorou o dobro de tempo nas estradas, com uma série de incidentes e sobressaltos.

O importante, entretanto, é falar da extraordinária vitória do filho de Courtier e Surfi’n Usa, por Crimson Tide, criado neste modelar, Haras Palmerini. Exaltar este treinador de mão cheia, Antônio Oldoni, que foi preparado aqui no Rio de Janeiro, alojado com os puros–sangues da coudelaria nos primeiros passos de sua carreira profissional. Reconhecer a importância de ter no dorso do seu craque, o Magic Man, João Moreira, um dos poucos jóqueis do Grande Prêmio Brasil, que percebeu o ritmo lento da prova, e se aproximou logo com Obataye. E, valorizar o árduo trabalho de toda a sua equipe, de cavalariços, redeadores, funcionários do haras, das cocheiras, enfim, retaguarda fundamental de coadjuvantes, que defende a farda com dedicação, amor e humildade. Fato ressaltado pelo artilheiro, João Moreira, no pódio ao receber a merecida taça. Meus parabéns a todos os envolvidos. Poucas vezes, um proprietário de puros–sangues mereceu tanto esta conquista.

PUROS–SANGUES MELHORES APRESENTADOS

Dois craques, um que se despediu das pistas, London Moon, do Haras Sweet Carol, e, outro, ainda no início da campanha, Oryx, do Haras Cifra, foram os puros–sangues mais bem apresentados da semana. Comoveu o público a despedida de London Moon, depois de cumprir campanha espetacular com 11 triunfos, em apenas 14 saídas. Da Copa Velocidade, passando por inúmeras vitórias de grupo, em diversas distâncias, ele chegou ao último capítulo com a glória de vencer a milha internacional, o Grande Prêmio Presidente da República. E derrotou dois milheiros excepcionais, Bien Sureño, do Neverending Stud, e, Ushuaia Ibiza, do Stud Habeas Corpus. Um campeão superou outros dois, na hora da despedida. Que nível técnico excepcional teve esta carreira. Oryx, líder da nova geração, fez bonito. O filho de Setembro Chove e Galang, por Amigoni arrancou aplausos generosos das arquibancadas do prado carioca. Encantou a todas as tribunas com a sua excepcional aceleração. Magnífica apresentação de João Borges Quadros, seu treinador, e direção arrojada de Valmir Rocha, que quase cometeu o pecado de se aposentar, mas voltou atrás, e tem nos brindado com sua competência nas rédeas. Vale ressaltar o segundo colocado, Olympic Orkut, do Stud H&R. Com apenas um segundo lugar em sua estreia, ou seja, ainda perdedor, causou enormes problemas para um potro com cinco triunfos. Todos que chamaram Oryx de craque, devem admitir, que também estreou um outro provável campeão na prova. O tempo vai se encarregar de comprovar este fato.

JOQUEADAS DA SEMANA

Ângelo Márcio Souza, mais uma vez, bate o ponto em nossa coluna. No dorso de Gladiador da Lagoa, brilhante ganhador do Clássico Breno Caldas. Com apresentação de luxo de Marcelo Palhares Imbroisi, ele proporcionou o público turfista com a incrível, para não dizer, inacreditável, joqueada da semana. Deu enorme vantagem na largada, se recuperou, e, nenhum jóquei conseguiria obter este troféu, entre os que participaram do festival. Frio, meticuloso, técnico, A. M. Souza com a sua irresponsabilidade talentosa parece Dom Quixote, personagem da literatura, que acreditava em moinhos de ventos imaginários. Só um lunático, feito ele, acreditaria que este triunfo era possível. E foi. Parabéns aos titulares do Stud Cem Porcento pelo momento inesquecível proporcionado ao público do festival. E, também, a Marcelo Palhares, que lutou com garra por sua matrícula de treinador, e, a exemplo de A. M. Souza, era o único que acreditava em si próprio, e, demonstrou que estava certo.

José Aparecido, no dorso de Rennes, do Stud Inacianos, conseguiu dar uma joqueada em cima de outra. Se Valdinei Gil, embarcado numa égua de indiscutível qualidade, Orla de Ipanema, esteve impecável, ele correu por ela, com sua conduzida, e, a derrotou. Por favor, não me falem em irregularidade. Orla de Ipanema entrou na raia com 5 vitórias, e um segundo lugar, em oito saídas. E duas descolocações quando o seu comportamento complexo trouxe problemas para o seu piloto. Os cavalos de corrida possuem os seus comportamentos particulares. Uns são tranquilos, como cordeiros, e outros, nem tanto. Estão mais para leões. Isto é fato consumado. Impecável, Gil posicionou sua pilotada, por dentro, atrás das rivais, para não disparar, o que havia proporcionado suas duas únicas derrotas. Fez a curva perfeita, e entrou na reta com caminho limpo para acelerar e impor sua maior aceleração. Isto aconteceu e ela dominou a prova, sem luta. Aparecido, de sua carteira, na sala de aula, fez melhor. Sabia onde estava a sua rival. Copiou as respostas da prova feita pelo colega. E aí, retardou a sua partida curta. Quando Orla de Ipanema diminuiu, lá estava ele, para dominar o páreo. Fizeram tudo certo os dois jóqueis. E o triunfo de Rennes aconteceu por que ela é uma égua tão boa quanto a outra. Se não fosse, teria tirado segundo.

PERSONAGEM

O treinador, Cosme Morgado Neto, foi o personagem desta semana festival com três vitórias de grupo, através de Rennes, ganhadora do Grupo 1, GP Roberto e Nelson Seabra, Ethereum, do Stud New Bridge, no GP Francisco Vilella de Paula Machado, Grupo 2, e, Biarritz, do Stud Peabble Beach, Grupo 3, no GP OSAF, TBS Internacional. Treinador membro da família Morgado, cujo sobrenome fala por si só, escreveu uma das mais belas páginas do turfe nacional, com o tríplice–coroado Groove. E, na entrevista, a repórter, Juliana Dias, no pódio, resumiu bem, a situação da sua profissão. Agradeceu aos proprietários por lhe proporcionarem bons puros–sangues para cuidar. Parabéns ao profissional.

MENÇÃO HONROSA

Depois do triunfo na fotografia do potro, Lewis Deputy, do Stud Duplo Ouro, no Clássico Imprensa Bandspors, num duelo sensacional com João Moreira, piloto de Last Lance, do Stud H&R, segundo colocado, Jorge Ricardo, deu bela entrevista, mais uma vez a Juliana Dias, destaque da cobertura do Grande Prêmio Brasil. Numa semana de poucas montarias, e quase nenhuma oportunidade de vencer, Ricardinho desabafou. "Se eu pudesse montaria até os 100 anos. O dia mais triste da minha vida é quando tiver de para de montar". E aí, naquele momento, percebi a tristeza do maior ídolo do turfe nacional. Dois páreos depois, durante o desenrolar da maior prova do turfe brasileiro, notei o ritmo lento do GP Brasil, com o tempo de 2m29s18, nos 2400 metros. Jorge Ricardo estava ausente. A sua simples presença, no dorso de qualquer dos cavalos inscritos, mudaria toda a história do páreo. Obataye, também seria o ganhador, pois era o melhor cavalo. Mas a história da prova, com certeza teria um outro enredo. Com a mais absoluta certeza.

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