O treinador, José Luiz Pedrosa Júnior, 63 anos, sofreu parada cardíaca, hoje de manhã, no Pronto–Cor da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde estava internado há mais de um mês, na luta pela vida. Talentoso, detalhista, bem sucedido e apaixonado por sua profissão, que era treinar com dedicação absoluta os puros–sangues de corrida. Zezinho Pedrosa sempre foi muito amigo dos seus amigos, e tive o privilégio de conhecê–lo na intimidade, e também as suas filhas, Luana e Ana Clara, muito queridas. Agora são duas belas moças, e na infância brincavam com os meus filhos, da mesma idade, Thiago e Graciely. E para elas, e toda a sua família deixo meus sincero pesar. Este é dos dias mais tristes da minha vida.
Zezinho tinha mais de 35 anos de matrícula de treinador, fora o tempo em que já acompanhava o pai, José Luiz Pedrosa, o “Zé Veterinário”, de calças curtas, pelas vilas hípicas do Jockey Club na Gávea. Pedrosa, o pai, lhe passou desde que saiu do berço o amor e a paixão integral pelos cavalos de corrida. Os seus segredos, os mínimos detalhes e cuidados necessários para ser um bom cuidador. Zezinho jamais o decepcionou. A exemplo do pai, também foi presidente da Associação de Profissionais do Rio de Janeiro, solidário e disposto a comprar a briga por boas condições de vida para cavalariços, jóqueis e colegas treinadores.
Deu início a campanha do craque George Washington, do Stud Happy Again, posteriormente ganhador e bicampeão do GP Brasil, com Luiz Esteves. Cuidou da velocista Umaitá Hill, do Stud GM, um dos seus pensionistas favoritos, do tordilho Fair Cropy, de Biombo, da Bodoquea e tantos outros corredores, que no momento, a centena de nomes fogem da minha memória entristecida e enlutada. Zezinho dos últimos tempos enfrentava a dificuldade de fazer Diálise, três vezes por semana, e acabou sofrendo há um mês, a primeira parada cardíaca. Teve uma infecção que dificultou o tratamento, mas lutou pela vida de forma obstinada. Como o Zezinho gostava desta vida. Da boa música, da boa culinária, e, também da boemia. Era um extraordinário companheiro de copo. Do papo de política, da culinária e de futebol, acima de tudo, quando o assunto era o Botafogo.
E que talento na raia e, também na cocheira. Difícil fazer uma pergunta a ele sobre estes dois temas, que não tivesse a resposta na ponta da língua. Nunca pensei que ele pudesse ir embora antes de mim. Naquela mesa, de amigos inseparáveis do Stud Cafelândia, onde dividiu o treinamento dos cavalos com Paulo Salas e Juliana Dias, o Vagner Borges era o jóquei contratado, a veterinária, Bianca Cascardo, e o titular da coudelaria era, o engenheiro, Sérgio Leite Piau, Pedrosinha dominava o cenário coma sua picardia e sabedoria. Naquela mesa, e, em todas as outras mesas do Hipódromo da Gávea, até aquelas lá no alto, próxima ao salão nobre da Tribuna social, com os grã–finos, todos vão sentir falta da sua presença. Peço licença pelo plágio a Sérgio Bitencourt, que escreveu um dia, para o seu pai, o saudoso Jacó do Bandolim: Naquela mesa está faltando ele. E, a saudade dele está doendo em mim.
O velório está marcado para o dia 04/06/20224 às 12h na capela n. 3 do cemitério São João Batista, e o sepultamento será realizado às 14h30min.
Por Paulo Gama.