APENAS 2 PROVAS ESPECIAIS PARA SEGURAR AS PONTAS NO EIXO RIO E SÃO PAULO
Com a impossibilidade óbvia de realizar corridas no Hipódromo do Cristal, devido à tragédia das chuvas intermitentes, que assola o Rio Grande do Sul, e a rotina do Hipódromo do Tarumã, de só promover corridas no Paraná, no máximo duas vezes, por mês, o turfe nacional tem precisado bastante do eixo Rio de Janeiro e São Paulo, para ir em frente. Porém, nesta semana, a coisa encrencou de vez. O aficionado pelo esporte vai estar restrito a programação de 8 páreos, no próximo sábado, em Cidade Jardim, com a Prova Especial Duplex, em 1600 metros, na areia, com seis inscrições. Domingo e segunda, nas duas reuniões da Gávea, 18 páreos, 9 em cada dia. E atração mesmo, só a Prova Especial Tirolesa, com oito éguas de 3 anos e mais idade, em 1500 metros na grama. Ou seja, apenas 26 páreos serão disputados, somados os dois mais importantes prados do país. Me parece muito pouco.
Para se ter uma ideia exata da escassez do rebanho de equinos no Brasil, basta dar uma olhada no país vizinho, a Argentina, que tem em comum conosco a paixão pelas corridas de cavalos. Apesar dos problemas sociais, econômicos e políticos passarem por estágios muito diferentes, no turfe, em que sempre estivemos tão parelhos, agora estamos separados, pela enorme diferença quantitativa dos dois rebanhos de equinos. Nos três primeiros dias de junho, enquanto Cidade Jardim promoverá reunião de apenas oito páreos, no sábado, em Palermo serão corridas 15 provas. No domingo, dia 2 de junho, a Gávea terá reunião diurna, com 9 provas, e, em San Isidro, estão programados 16 páreos. E, na segunda–feira, dia 3, o belo prado carioca, repetirá uma jornada de 9 competições, enquanto, no Hipódromo das maquininhas de caça–níqueis, os argentinos terão 13 conveniências. Um placar desfavorável para nós de 44 carreiras lá, contra apenas 26, por aqui.
Vale dizer que o Hipódromo de La Plata não está incluído nesta conta. Do contrário seria até covardia, com as suas sistemáticas reuniões de todas as terças e quintas–feiras. Não vamos entrar nas polêmicas sobre atividades paralelas de shows musicais, eventos, festas, formaturas, casamentos e etc. e tal. Os clubes hípicos precisam se virar para pagar as contas, que no esporte chamado turfe, são para lá de deficitárias. Mas este problema do rebanho de equinos, a cada dia menor, em solo nacional, vai acabar nos conduzindo para situação caótica. Os jóqueis clubes do Rio e de São Paulo um dia tiveram quatro reuniões semanais. Esta possibilidade é um caminho sem volta. Mas o esporte, através da Indústria do cavalo de corrida, emprega muita gente no país. Para o puro–sangue entrar na raia e competir depende de um ferrador, cavalariço, jóquei, treinador, vendedor de serragem, de ração, veterinário, etc., e as respectivas famílias. É muita gente girando em torno do cavalo de corrida. E cada vez temos menos deles por aqui...
PROVA ESPECIAL DUPLEX
A reunião de Cidade Jardim, com 8 páreos, terá início, às 14h, e, se encerrará, as 17h15. No segundo páreo será corrida a Prova Especial Duplex, em 1600 metros, na grama, com seis inscrições. Loyalty, Maitre D, Full of Dreams, Quebec Dancer, Obcecado e Último Romântico estão inscritos. Duplex deixou saudade nas pistas e foi um dos melhores puros–sangues da história do turfe nacional, ganhador do Clássico Associação Latino–americana de Jockeys Clubs. Escreveu belas e inesquecíveis páginas na história do turfe sul–americano. Eu me lembro disso. Era muito feliz, e nem sabia o quanto.
PROVA ESPECIAL TIROLESA
Domingo, na Gávea, será lembrada a craque argentina Tirolesa, campeã do Grande Prêmio Brasil de 1950. Estão inscritas Rainbow Valley, People Ask, Jandaia, Farrapa, Olympic Music, Miss Brasil, Madame Boone, e Aisha. Não tive o privilégio de vê–la correr. Não havia nascido. Logo depois de vir ao mundo, em 1958, portanto, 8 anos depois, ganhei um brinquedinho da minha mãe, com uns cavalinhos de plástico coloridos, e uma pista de corrida fajuta. Lá estava o nome dela na caixa do brinquedo, e, ao seu lado, estavam Adil, e Gualicho. Haviam outras cores. Mas só me lembro destes três. Os outros três cavalinhos eram de outras cores. Adil era de cor preta, Gualicho, era marrom. Tirolesa, era a verde. Ganhou três vezes o Grande Prêmio Diana. Nunca consegui entender isso. Era ainda apenas um guri.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Júlio César Sampaio trouxe de volta às pistas, o craque de areia, Apolo Dez, do Stud São Francisco da Serra, e criado por Ulisses Lignon Carneiro. Uma pena não ter ido ao Latino–Americano. Um especialista na pista de areia. Teve pela frente duas boas éguas, Regal Darf, do Haras Sweet Carol, e Roxy Girl, do Haras Figueira do Lago, e as derrotou com autoridade, fora da sua distância favorita. Craque.
JOQUEADA DA SEMANA
No dia do Gran Prêmio 25 de Mayo, conquistado por Full Keid, do Haras La Muñeca, montado por Brian Enrique, um piloto argentino de alta categoria, quem deu um show no mesmo dia, foi o nosso cearense Francisco Leandro, que conduziu com maestria, na mesma tarde, o potro invicto Earth God, no Grande Criterium, Grupo 1. Criado do Haras Abolengo e defensor do Stud Grupo 4. Um privilégio ver um craque correr e montado por um atleta de tanto talento. Na mesma tarde, na prova de grupo 1 das potrancas, brilhou o treinador brasileiro José Luiz Correa Aranha, que apresentou para vencer Just Be Happy, do Haras La Providência, montada por Eduardo Ortega Pavon.
PERSONAGENS
Dois destaques individuais nas corridas cariocas. O craque, Vagner Borges, e, a grande promessa, o pernambucano e ainda aprendiz, João Victor. Vagner Borges, com tabela de peso pluma, será um dos favoritos para conquistar a estatística, contra os atuais candidatos, Henderson Fernandes e Leandro Henrique. Mas, a balança pode pesar a seu favor neste desafio. O jovem João Victor promete bastante. Chegou sem pedir licença, se adaptou rápido as circunstâncias e ganhou cinco páreos, numa reunião de apenas 9. Tremenda encrenca para a parceirada.
