GP SÃO PAULO, UM EVENTO DE TRADIÇÃO, ELEGÂNCIA E PAIXÃO
As minhas viagens até o Hipódromo de Cidade Jardim, no ônibus da viação Cometa, começaram na adolescência. Ao lado de outros jovens turfistas barulhentos, moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro, a maioria do bairro de Copacabana. O nosso roteiro começava na sexta–feira, na Rodoviária Novo Rio, para pegar o ônibus da meia–noite. Todo mundo com a Revista do Jockey Club Brasileiro nas mãos, numa mesa–redonda para analisar o retrospecto, amanhecer em São Paulo, e, de imediato, dar um pulo em Cidade Jardim, e para olhar os cavalos. Nos matinais, decorados pelos puros–sangues do Haras Rosa do Sul, reinava o treinador Selmar Lobo, com as suas tropas de puros–sangues enfileirados para trabalhar distância. Eram tempos de Emerald Hill. E a craque metia medo na gente. Os seus companheiros de farda também.
Anos depois, após a promoção de turfista da Tribuna Especial da Gávea, para jornalista de turfe do extinto Jornal do Brasil, comecei a atuar em páreos mais fortes. Mas, o hábito de estar presente no majestoso prado paulistano, todo primeiro domingo de maio, para assistir o Grande Prêmio São Paulo me acompanhou vida afora. Havia excursão organizada pelos saudosos cronistas José Briani Neto, Natan Pacanowisky e Armando Bastos, o espirituoso, Gravatinha. A exemplo dos meus tempos de garoto, o trajeto dos coroas era semelhante. Nos hospedávamos no centro da cidade, no Hotel Lux, os mais barbadeiros, como eu, davam um pulo no matinal e depois, o almoço, na Praça Júlio Mesquita, para saborear o Filé do Moraes. Guardei para sempre na memória, aquele filé mignon alto, espécie de Tornedor, com batatas coradas portuguesas crocantes, regadas ao alho, e farta quantidade de agrião. Logo depois estávamos de volta para a jornada de dois dias no Hipódromo de Cidade Jardim, e a desafiadora queda de braço, com os poderosos puros–sangues paulistanos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luís Cláudio da Costa, o segundo–gerente do treinador Luiz Esteves, suspenso por medicação, obteve três vitórias de grupo na última tarde de domingo, através de Mandrake, Orla de Ipanema, ambos de propriedade do Stud H&R, e Mapa do Brasil, do Haras do Morro. Desde já, por suas exibições, nas preparatórias, se tornaram os corredores mais visados nos Grandes Prêmios Brasil, Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, e Major Suckow, importantes provas de Grupo 1, no Festival do GP Brasil, em junho. Fiel escudeiro de Luiz Esteves, L. C. Costa trabalha há mais de 10 anos com o treinador, que o escalou para representá–lo, por sua competência, dedicação e confiança no seu trabalho. “O Luís é do ramo. Conhece bem a rotina da cocheira, não foge do trabalho, e, o mais importante, é uma pessoa honesta e com amor pela profissão”, elogia sempre, o próprio L. Esteves. Impecáveis as apresentações dos três animais, que demonstram enorme categoria.
JOQUEADA DA SEMANA
Orla de Ipanema é corredora de alto nível técnico. Por outro lado, exige atenção, foco e experiência do piloto em seu dorso. Manhosa, disparadora e traiçoeira, ela pode por tudo a perder em uma fração de segundo. Valdinei Gil, numa tarde para lá de inspirada, esteve impecável na direção dada a ela, no Grande Prêmio José Carlos Fragoso Pires, Grupo 2. Se posicionou bem, a colocou nas patas das concorrentes, toda vez que ela ameaçou acelerar, antes da hora, e, a trouxe no colo até o disco, com a precisão do jóquei de enorme categoria que ele é.
PERSONAGEM
O que dizer de um piloto com a responsabilidade de conduzir quatro barbadas, em provas de grupo, no mesmo dia? Esta foi a responsabilidade do gaúcho Valdinei Gil no último domingo. E ele cumpriu com absoluta tranquilidade as suas tarefas. Navy of War, do Stud H&R, apresentado com perfeição por Dulcino Guignoni, e, os outros três pensionistas de L. C. Costa, já citados anteriormente, estavam muito bem. Mas, poderia acontecer algum deslize. Que nada! O popular “Dragão” cumpriu as suas missões com absoluta regularidade. Agora terá que tentar repetir a dose daqui a pouco mais de um mês.
A VOLTA DE VAGNER BORGES
Uma coisa é certa. Os principais jóqueis do turfe carioca, de agora em diante, não terão nenhum tipo de sossego, nos páreos em que Vagner Borges for o maior adversário. Leve, sereno, preciso na largada, no percurso, além de possuir rigor impressionante para um corpo tão franzino, ele trouxe de volta as mesmas virtudes que o consagraram no turfe carioca. Com apenas 13 montarias, obteve quatro vitórias e desfilou um repertório que transmite confiança em quem aposta nos seus pilotados, e segurança, para treinadores e proprietários. Até com pule acima de 500, Barracuda Girl, do ótimo treinador V. Gomes, ele ganhou. Um craque da profissão!
ETHEREUM IMPRESSIONA
Demonstração instigante da potranca Ethereum, do Stud New Bridge, no Grande Prêmio Adayr Eyras de Araújo, Grupo 3, no domingo. Apresentação de luxo de Cosme Morgado Neto. Sofreu sérios prejuízos durante o percurso, e, seria pecado mortal se fosse derrotada naquelas circunstâncias. Futuro promissor nas pistas, pela classe, e, também, pela valentia.
LONDON MOON PRONTO PARA MILHA INTERNACIONAL
O craque London Moon não nega fogo. E na preparatória para o Grande Prêmio Presidente da República, brilhou intensamente. No dia 23 de junho, mais aguerrido, estará no último furo para lutar pelo triunfo. Foi a 10ª vitória do pensionista de Adélcio Menegolo, no Grande Prêmio Presidente Vargas, em apenas 13 saídas. Um verdadeiro campeão.
JOÃO MOREIRA E FRANCISCO LEANDRO CONFIRMADOS
No campo do Grande Prêmio São Paulo estão confirmadas as presenças ilustres de João Moreira, com Obataye, um dos favoritos, e, de Francisco Leandro, no dorso da craque Kenlova. Moreira excursionou mundo afora, e colecionou importantes triunfos no Japão e, na Austrália. Francisco Leandro segue dando as cartas no turfe argentino, e, deve obter o heptacampeonato da estatística.
