CIDADE JARDIM TEVE ENSAIO BEM AFINADO PARA GP SÃO PAULO
As provas clássicas realizadas no último sábado, no hipódromo paulistano, os Grandes Prêmios 14 de Março e Presidente do Conselho do Jockey Club, ensaios técnicos bem orquestrados com vistas ao Grande Prêmio São Paulo e a milha internacional, deixaram a impressão de eleger dois favoritos. Obataye, do Haras Rio Iguassu, criado no Haras Palmerini, treinado por Antônio Oldoni, e conduzido por João Moreira, e, Quisar, do Haras Cambay, sob a chancela de Antenor Menegolo Neto, e com direção confiante de Valmir Rocha, obtiveram triunfos insofismáveis, e deixaram a nítida impressão de futuros favoritismos para as provas mais importantes no futuro dia 19 de maio.
Em fase de franca evolução, Obataye ignorou o ritmo forte do veloz Galo White. Nos metros finais passou por ele como se fosse apenas uma estátua de bronze. O mesmo não pode ser dito dos outros participantes do ensaio protagonizado. Depois da disparada na ponta, com vários corpos de vantagem, ninguém conseguiu passar pelo pilotado por Ruberlei Viana. Desde já, se constituiu num concorrente perigoso para eles. O mesmo não pode ser dito do filho de Courtier. E quanto a Quisar? Bem, a iniciativa de baixar a sua distância para os 1600 metros parece ter sido das mais acertadas. Ligeiro, raçudo e duro, o filho de Kentuckian e Desequilibrada, por Redattore, do Haras Cambay, se transformou em arma letal para os seus rivais. Exibição de assustadora eficiência.
COPA ABCPCC PRECOCIDADE E VELOCIDADE
As provas preparatórias foram intercaladas pela disputa da III Copa Precocidade e Velocidade da ABCPCC, iniciativa bem sucedida e vitoriosa, que mereceu aplausos efusivos dos criadores e proprietários nacionais. O balanço resumido da competição apresentou dois puros–sangues da mais absoluta exceção. Piu Carina, filha de Kentuckian e Tua Carina, por Our Emblem, a ganhadora da prova, bem apresentada por Zeferino de Moura Rosa, e montada pelo eficiente Leandro Henrique, defensora do Stud AML/JCR, e outro produto do modelar, Haras Palmerini. E, no boxe, ao seu lado, o favorito Opazo, do Haras Cifra, superado por ela, no retão gramado de Cidade Jardim. Um belo duelo foi proporcionado por eles.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Obataye teve apresentação preciosa do competente Antônio Marcos Oldoni, profissional de mão cheia, que tivemos o privilégio de conhecer e conviver, no seu início de carreira, quando o Haras Rio Iguassu teve uma sessão das mais proveitosas, alojada aqui no Rio de Janeiro, no Centro de Treinamento Vale do Itajara, em Secretário. A. Oldoni deu passos importantes nesta ocasião, ao lado dos colegas de profissão experientes e já consagrados. Soube aproveitar estes primeiros passos, com humildade, concentração e incrível capacidade. De volta ao Paraná estava pronto para dar sua própria caminhada. Obataye estava lindo. Até parecia um colar de diamantes no pescoço de uma bela mulher.
PERSONAGEM
O talentoso treinador, Antenor Menegolo Neto, trouxe Quisar, de criação e propriedade do Haras Cambay, de volta aos 1600 metros. E o seu desempenho acachapante no Grande Prêmio Presidente do Conselho do Jockey Club foi extraordinário. Num lote de corredores de alto nível, o pilotado de Valmir Rocha deu um passeio. Ele olhava assustado para atrás, durante o percurso, como se não fosse possível acreditar na própria facilidade da performance do seu cavalo, diante do bom nível da prova. Tudo bem que a grama de Cidade Jardim tem sido cuidada de maneira excepcional. Mas assinalar 1m35s07, numa raia pesada, logo no início da reunião, foi de impressionar. Palmas de pé para o competente Menegolo Neto e sua equipe. Exibição de luxo de Quisar. Um brinde para os turfistas, todos embasbacados com o nível de atuação do corredor.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Piu Carina, do Stud AML/ Stud JCR, Leandro Henrique foi cirúrgico nas frações de segundos que compuseram a história da Copa Velocidade. Era um mano a mano, de hora marcada, com Opazo, temível rival do Haras Cifra. Daqueles duelos ao por do sol, dos filmes de faroeste de Hollywood. Não era permitido errar. O jóquei pernambucano teve olhos fixos na raia e nos movimentos do jóquei rival, Valmir Rocha. Correu por ele, concentrado, com as mãos no gatilho. E, nos metros decisivos da competição, o fuzilou com um tiro certeiro, saído de maneira inapelável das suas mãos. Mãos, que um dia de inspiração, lhe renderam o apelido, dado do locutor do Jockey Club Brasileiro, Thiago Guedes, de "Braço de Mola". Um jóquei de rigor absurdo, carisma com o público turfista carioca, que o adora. Piloto de confiança absurda. E temor dos adversários. Tremenda encrenca para encarar num duelo ao entardecer de qualquer Bang Bang.
O INDISCUTÍVEL ENCANTO DAS SEGUNDAS–FEIRAS
Mais uma vez o turfista carioca demonstrou toda a sua fascinação pela corrida noturna de segunda–feira na Gávea. Enquanto a tarde de domingo, com páreos de melhor qualidade técnica, proporcionou Movimento Geral de Apostas (MGA), de R$ 797.614,57, ontem, com programação chinfrim, e, nível técnico bastante questionável, se elevou a admiráveis R$ 905.275,03. Contra fatos não existem argumentos. O turfista carioca gosta da noite. Ela lhe traz o encanto de jogar. De flertar com os guichês, como se fossem mulheres sedutoras. De sentir o perfume da aposta arriscada, que exala o odor inebriante de um strip–tease. De dobrar o investimento, com aquele sabor da saideira de um bom drink. O último, antes de voltar para casa, depois de uma madrugada mágica em Copacabana.
