A INESQUECÍVEL TARDE DO GP DIANA EM MARÇO DE 2024
A histórica tarde ensolarada de domingo, do dia 3 de março de 2024, será lembrada para sempre por todos os turfistas, que fizeram a opção de estar presentes no Hipódromo da Gávea. Sem dúvida, um dos mais belos, do planeta Terra. Era dia da realização do Grande Prêmio Diana. A famosa história desta prova, sempre proporciona grandes espetáculos pelo mundo afora. Não foi diferente agora, na cidade do Rio de Janeiro. Não atoa batizada de Maravilhosa. Resultante, de criação e propriedade do Stud Eternamente Rio, filha de Agnes Gold e Bitolão, por Public Purse, treinada por Luiz Esteves, representado no programa oficial por L. C. Costa, o seu segundo–gerente, e conduzida pelo cearense, Francisco Chaves, surpreendeu a grande favorita, Orla de Ipanema, do Stud H&R, do mesmo treinador, e virtual candidata a tríplice–coroa. Na terceira colocação, outra inscrição dos mesmos responsáveis, Nice Dream, do Stud Monreve, tradicional farda dos programas cariocas. Uni Te, do Haras Doce Vale, completou o placar, para ninguém dizer que todas as inscritas tinham o mesmo treinador.
O destino premiou um piloto nordestino e humilde, Francisco Chaves. Era o primeiro ato da inesquecível tarde do domingo de março, graças a Deus sem às águas da música de Tom Jobim. F. Chaves chegou à Gávea na boleia de um caminhão, há alguns anos atrás. E enfrentou muitas adversidades, até ser premiado com seu dia de glória, no hipódromo que o abraçou. Ele estava emocionado no pódio. Mas, como todo pau de arara que se preza, conseguiu conter as lágrimas, ao lado do criador e proprietário. Recebeu a sua taça com discrição e resumiu o seu mérito. "A potranca corre muito. Saiu brava, como fui avisado por seus responsáveis. Mas amansou durante a corrida. E quando entrei na reta, ela estava inteira, e tive certeza que nenhuma rival impediria a sua vitória", afirmou emocionado. Orla de Ipanema correu como campeã. Valdinei Gil fez tudo certo no percurso. Porém, os deuses torciam pelo sucesso de F. Chaves. O piloto nordestino veio de muito longe. Já merecia viver o seu dia no paraíso.
MARTIN LUTHER KING
Patrocinador das provas da Tríplice–coroa desde a temporada passada, o Haras Santa Maria de Araras, de Júlio Bozzano, convidou Francisco Leandro, o maior ganhador de páreos da América do Sul. O piloto das 540 vitórias no ano hípico de 2023, entretanto, não teve sorte, e, na véspera da disputa das provas de Grupo 1, sofreu queda, no Hipódromo de Palermo, em Buenos Aires. Menos mal que não teve contusão grave. Entretanto, não foi aconselhado pelos médicos a pegar o avião para o Rio. Ivaldo Santana estava dentro de um ônibus, em Curitiba, quando recebeu o convite do staff, do Haras Santa Maria de Araras, para substituir F. Leandro. Coisas da vida. Cada um de nós possui o próprio destino. E lá veio ele para conquistar o Grande Prêmio Francisco Eduardo e Linneo Eduardo de Paula Machado, no dorso de Martin Luther King, filho de Put It Back e Romany Queen, por Ghadeer, treinado por Christiano Oliveira.
Ivaldo Santana correu feito um príncipe o representante do patrocinador da prova. Araras & Blood Power neles! Nem mesmo o próprio F. Leandro faria melhor. Ronigol, do Stud Verde, fez corrida espetacular, depois da disparada na ponta, ao lado de So Simple, num ritmo que proporcionou tempo superior ao páreo das potrancas. Mapa do Brasil, do Haras do Morro, teve percurso precioso de João Moreira, mas o brilhante piloto, não tinha acordado com estrela do mesmo tamanho de I. Santana, e teve de comemorar a terceira colocação. Underpants repetiu o mesmo resultado da prova de potrancas para o Haras Doce Vale, a quarta posição nas provas de Grupo 1.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Jet Class, do Stud Instante Mágico, teve apresentação sublime do megacampeão de estatísticas Vítor Paim. O filho de Put It Back e Ensign First Class, por Wild Event, com certeza foi o puro–sangue que passou mais bonito em todo festival. A ponto do campeão mundial, Jorge Ricardo, tecer grandes elogios ao treinador, com quem somou boa parte das suas 13.287 vitórias, ao receber a sua taça no pódio. Ricardinho e Vítor Paim, aliás, estão no mesmo caso. Ninguém consegue explicar por que um deles, o jóquei, monta tão pouco, e, o outro, o treinador, o porquê de estar com escassos pensionistas em sua cocheira. São os mistérios insondáveis da natureza turfística.
As outras três apresentações de luxo da jornada turfística, foram Apolo Dez, do Stud São Francisco da Serra, criado por Ulisses Lignon Carneiro, aos cuidados de Júlio César Sampaio, na seletiva do Latino–americano, GP Professor Nova Monteiro, Grupo 3. Uma pintura! Roda Gigante, do Haras Figueira do Lago, inscrição para lá de ousada de Venâncio Nahid, no Grande Prêmio Alfredo Grumser, Grupo 3, quando desacatou os melhores velocistas da Gávea, e, Rennes, do Stud Inacianos, por Cosme Morgado Neto, no Clássico Marcos Ribas de Faria. Depois do descanso merecido veio o sucesso.
JOQUEADAS DA SEMANA
Ivaldo Santana e Francisco Chaves foram impecáveis no dorso dos dois ganhadores de grupo 1, Martin Luther King e Resultante, nesta jornada gloriosa da 2ª etapa das tríplices–coroas. Seria injustiça escolher um deles, e preterir o outro. Então vou levar em conta a sugestão do internauta, Carlos Roberto Reis, no Espaço do Leitor, e dar o empate técnico, entre eles. I. Santana saiu do ônibus em Curitiba direto para o avião, do Rio, sem conhecer o seu pilotado, e tomou conhecimento dos seus bons treinos, e das suas corridas no desembarque. Na corrida fez percurso irretocável. Francisco Chaves, que tinha ordem de correr na expectativa, mas jamais brigar contra a sua pilotada durante o percurso. Acertou o pulo, pegou a ponta, e tratou de fazer o que ele tem de melhor, correr na frente. Parabéns aos dois pilotos, pela presença de espírito de não pipocar diante das boas oportunidades recebidas.
PERSONAGEM
Christiano Oliveira brilhou na apresentação de Martin Luther King, do Haras Santa Maria de Araras. O seu pensionista estava lindo no galope de apresentação. E diante da pista seca, preferência absoluta dos puros–sangues da gloriosa coudelaria, pode desenvolver todo o seu potencial. Pela desenvoltura demonstrada, desde já, deve ser apontado como um dos fortes candidatos ao Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby. Imagino o orgulho e a alegria que sentiria, se estivesse vivo, o seu pai, o saudoso Adail Oliveira, um dos grandes amigos que tive o privilégio de fazer, neste maravilhoso esporte que é o turfe. Vida que segue...
