JCB SE RENDE AO FASCÍNIO DOS CARIOCAS PELAS NOTURNAS
O turfe brasileiro conviveu na segunda semana de janeiro de 2024, com seis reuniões, em todos os 4 principais hipódromos do país, três corridas de boa qualidade, no Cristal, Tarumã, Cidade Jardim, e, os outros 50%, ou seja, mais três programas, na Gávea. Porém, o outro lado da moeda, na semana seguinte, se manifesta de imediato. A sequência da jornada turfística, durante toda a temporada, precisa conviver, no seu dia a dia, com a diminuição gradativa da população equina em todo o país. Um drama contínuo, que mina a existência da indústria do cavalo de corrida, de maneira inexorável através de décadas. E, a semana seguinte de gloria é substituída pelo cadafalso do pouco número de inscrições nas urnas dos clubes hípicos. Na próxima quinta–feira, no Cristal, o programa terá apenas 8 páreos, das 14h25, às 18h25. No Tarumã não teremos corridas. O Jockey Club de São Paulo conseguiu formar reunião de 9 páreos, no próximo sábado. Apenas um consolo de viúva. Nos meus tempos de criança, haviam quatro corridas semanais, com páreos lotados, em Cidade Jardim.
E, até a Gávea, em melhores condições do que os clubes coirmãos, só formou dois programas de 10 páreos, nas noturnas de segunda e terça–feira, das 18h, às 22h30. Ou seja, no próximo domingo nada de corridas no território nacional. A diretoria do clube carioca parou de relutar. E, aos poucos, criou coragem, em substituir a sua histórica corrida dos domingos pelas noturnas. Durante longos anos, as suas mais famosas páginas foram escritas por craques inesquecíveis, como Tirolesa, Farwell, Escorial, Gualicho, Baronius, Itajara, Boticão de Ouro, Troyanos, Sandpit, Much Better, Falcon Jet, Flying Finn, Bal A Bali, e tantos outros. Sempre aos domingos. Mas, era preciso aproveitar a paixão dos turfistas cariocas pelas corridas noturnas. Numa cidade chamada de "maravilhosa", atração turística mundial, através de suas paisagens e belezas naturais, ter um dia livre para conviver com os filhos, ir ao Maracanã com eles, passear pela orla de Ipanema, Leblon e Copacabana com a suas mulheres, saborear uma casquinha de siri a beira mar, tomar água de coco, de bermuda, chinelo e sandália havaiana, sem dúvida, é muito bom.
Aos poucos, através dos tempos, o próprio turfista carioca percebeu que a segunda–feira, chamada no Baixo Gávea, de segunda sem lei, por seus moradores, era um dia especial para as corridas. Não era preciso deixar os filhos na mão no final de semana. E nem as namoradas, ficavam sem a companhia, na praia, ponto fraco do cidadão. E nem nos cinemas, teatros, e shoppings da cidade. Todo mundo feliz e bem resolvido. Bastava dar um pulo bem cedo na Social, sempre com um guichê aberto, antecipar a aposta no Pick 3 e acompanhar as corridas discretamente, pela internet, para não aporrinhar gregos e troianos. A paixão do carioca pela segunda–feira, e, o seu flerte quase que imediato, com as terças–feiras, de modelo quase idêntico, ao dia anterior, é fato consumado.
Nem os turfistas mais conservadores negam esta pura realidade. Os tempos mudaram. Tem gente que adora o Campeonato Inglês. Outros são fãs do Real Madri, ou do Barcelona, que dividem o interesse geral das coisas boas da vida. Nesta semana, o MGA de segunda, com 9 páreos, foi maior do que o de domingo, com 10. Coisas da vida. O JCB demorou. Mas aprendeu a lição. Esta semana temos só duas reuniões. E elas serão na segunda e na terça. Domingo livre para o carioca curtir a vida adoidado. Até mesmo os jóqueis e treinadores, que por causa de suas profissões nem conhecem a alegria de passar um dia de domingo na praia com as crianças. Levar as namoradas para passear. Enfim, um dia de liberdade para as borboletas. Afinal, ninguém é de ferro.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Love Touch, do Stud Eterno Amor, teve apresentação esplêndida do lendário treinador, Roberto Morgado Júnior. Um fenômeno desta difícil arte de preparar puros–sangues de corrida para competir. Medicada de lasix pela primeira vez, largou, tomou a frente, conseguiu florear sem ser incomodada, e marcar mais um triunfo para este gênio da profissão. Wilkley Xavier, em evolução, teve direção impecável no dorso da filha de Put It Back, criada no modelar, Haras Santa Maria de Araras. Parabéns a família Morgado, toda formada por gente que é deste ramo, que tem em Bebeto, o seu As de ouro.
JOQUEADA DA SEMANA
St Vicent, da Coudelaria Lucas, e criação do Haras Fronteira, atingiu o ápice do seu estado atlético, e, teve em seu dorso, o campeão da estatística, Henderson Fernandes, no melhor momento de sua vitoriosa carreira. Inspirado com a forma atlética do pensionista de Luiz Esteves, Fernandes soube trazer o seu pilotado na hora exata de realizar o sprint final. E o fez com a lucidez de quem está confiante até o último fio de cabelo. Fez tudo parecer fácil, quando na realidade era um páreo com temíveis oponentes.
PERSONAGEM
Treinar cavalos de corrida parece ser mera formalidade para o cearense, Luiz Esteves. E, nesta semana, ele surpreendeu os seus fãs com rateios bem compensadores. Apresentações de luxo, rateios elevados, e, supremacia absoluta sobre os rivais. St Vicent abriu caminho para série de outros pensionistas bem apresentados, tais como Breakaway, Quik Break, Summer Rain e Mahalo.
VÍTOR PAIM É SHOW
Meio perdido num anonimato inexplicável, o treinador Vitor Paim, com pouco material, sempre da as caras neste período de estreia dos potrinhos inéditos. Mais uma vez, um defensor da vitoriosa farda do Stud Instante Mágico, faz a gente lembrar deste talentoso super campeão de estatísticas. Nevada Smith, montado pelo campeão do mundo, e parceiro inseparável, Jorge Ricardo, nos proporcionou relembrar de outras inesquecíveis e lindas vitórias conquistadas juntos.
ROTINA NA ARGENTINA
Em poucos dias de corrida no turfe argentino, o hexacampeão da estatística, Francisco Leandro, já assumiu o topo do ranking, com 18 vitórias. Em duas reuniões, nos dias 13 e 15 de janeiro, o cearense fez dois Quadripletes, ou seja, ganhou quatro páreos, no mesmo dia, algo pouco comum, num turfe tão competitivo como o portenho. Uma máquina de ganhar corridas.
