DE 2023 A 2024. O INEVITÁVEL RITUAL DE PASSAGEM
Na tela do meu computador, além de uma bela paisagem, está estampado o horário: 06 horas 25 minutos. O dia da semana: domingo. E a data: 31 de dezembro de 2023. Trata–se do inevitável ritual de passagem de nossas vidas. O ano de 2023 vai sair de cena. E eu, aqui, em Copacabana, com o seu réveillon, sem dúvida o mais famoso do mundo, deixo para trás alguns amigos que se foram, momentos tristes, outros alegres, e, as emoções deste esporte maravilhoso que norteia a minha rotina de vida. Há 65 anos, respiro o turfe a cada segundo da minha existência. Clico a tecla do ícone a minha frente, e migro para o site do JCB. Enquanto no Raia Leve ainda estou com os resultados das provas clássicas de Cidade Jardim, Fernando Lopez, com a sua competência habitual de editor, já está em 2024 no site do Jockey Club: "Projeto de Inscrições para os dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2024".
Não estou com tanta pressa, quanto o meu caro colega e amigo, torcedor do Fluminense. Afinal, para nós dois, tricolores, conquistar a Libertadores foi um alívio. Achei que ia morrer sem presenciar este fato antológico. Já valeu este 2023 para nós dois. Decido dar uma olhada no Espaço do Leitor, do Raia Leve. E, a primeira nota, de João Fernandes, me emociona, e cativa, por sua educação, gentileza e nítida paixão. Algo fora da curva, neste mundo de redes sociais, muitas vezes agressivo, sarcástico e ferino. Como se muita gente estivesse com porte de arma, e pronto para disparar em direção aos seus semelhantes.
O João se refere e elogia, o bate–papo, entre dois monstros sagrados da transmissão turfística, o locutor, Roberto Casela, e, o comentarista, Jair Bala, numa volta ao passado rápida, brilhante e melancólica. Totalmente cabível um dia antes da véspera da virada do ano, e, na última corrida do prado paulistano, onde há longos anos, os dois desfilam o seu talento sem a menor cerimônia. Gabriel Meneses, de plantão na Comissão de Corridas, e, o saudoso, Albênzio Barro, o "Feiticeiro", maior ganhador de todos os tempos em Cidade Jardim, são os personagens da conversa, antes da largada do páreo. Deliciosa, emocionante e acolhedora a intervenção. Naquelas escassas frações de segundo, os turfistas antigos, torceram para algum dos cavalos inscritos fazer manha e retardar a largada.
Para qualquer turfista da minha idade foi possível lembrar de Gabriel Meneses, com a farda dos Haras São José e Expedictus, no dorso de Baronius, e, o eterno, Ernani Pires Ferreira a narrar. "No rolê do Gringo!". E Albênzio Barroso, com a pequenina Off The Way, inesquecível craque de Dona Margarida Lara, vencer o GP Brasil. Dois monstros sagrados do turfe nacional relembrados por eles, durante uma jornada turfística que seria de rotina, mas que marcou a temporada de 2023, pela inequívoca paixão demonstrada pelos dois profissionais no exercício de suas profissões. Parabéns João Fernandes. A sua mensagem chegou! Sim senhor! E, com certeza, foi a mais espirituosa e marcante de toda temporada. Seja ainda mais assíduo em 2024. Tem muita gente que pode aprender alguma coisa com você. Conhecer e se familiarizar com a palavra gentileza. Tão ausente nesta época da história da humanidade.
JORGE RICARDO
Durante longos anos, Jorge Ricardo, o maior ganhador de páreos de todos os tempos, foi o piloto de maior audiência nas raias da Gávea. A sua ausência gradativa nas pistas, marcou 2023, no hipódromo carioca. E nem o seu amor incondicional por sua profissão foi capaz de seduzir proprietários, criadores e treinadores. A maioria, com certeza, já havia tirado muitas fotos com ele, ao lado de suas famílias nas tardes de domingo, e, também nas noturnas das segundas–feiras no prado carioca. O tempo é inexorável. Agora, nos resta ter a presença de sua estátua, na Tribuna Social, no dia a dia das corridas. Fato marcante deste ano de 2023. Nunca me passou pela cabeça este dia chegar. Vida que segue.
DIGAM AO POVO QUE LUIZ ESTEVES FICA
Num bate–papo, por telefone, com o treinador, Luiz Esteves, destaque absoluto no turfe carioca nos últimos tempos, ele me confirmou que a ideia de se mudar para o turfe norte–americano, já saiu de sua cabeça. Segundo ele, este tipo de projeto seria muito bom há alguns anos atrás. E, com sua habitual irreverência, disse que já passou da idade para fazer aventuras de Indiana Jones. "Meu caro amigo. Estou com 61 anos, e com a vida profissional equilibrada. Trabalho com equipe afinada, formada por bons profissionais, cavalariços, segundo–gerentes e auxiliares de qualidade. Proprietários importantes, com fardas de respeito e de tradição, que apreciam e confiam no meu trabalho. Este negócio de enfrentar os profissionais americanos fora de casa seria bom para estes heróis da Marvel, que estão sempre em cartaz nos cinemas", brincou.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Willie Hobo, do Stud Gussolândia, e preparo de Márcio Ferreira Gusso, Valdinei Gil, num momento espetacular de sua carreira, repetiu ontem à tarde a performance extraordinária da semana anterior, com Campelanda, e a segunda joqueada de semana, no Hipódromo de Cidade Jardim, neste curto período de festas natalinas. O Dragão está soltando fogo pelas ventas. Craque!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Antônio Oldoni brilhou na apresentação do potro estreante Boy Gift, do Haras Rio Iguassu, e criado por Fabiano Moura Fagundes. O filho de Wenzel Blade e Canarana, por Yagli, deixou excelente impressão na sua estreia, no hipódromo paulistano.
PERSONAGEM
Francisco Leandro encerrou o ano hípico argentino com 540 vitórias, no melhor desempenho de sua carreira. Em 2022, tinha obtido 418 pontos, até então, sua maior marca. Desta vez, se superou, com dois recordes, o argentino e o sul–americano, num mesmo ano, o hexacampeonato da estatística, e, o acesso ao Clube de Los 500, ao lado dos outros quatro jóqueis do mundo, com mais 500 vitorias numa mesma temporada. Kent Desormeaux, Chris MacCarron, Edgar Prado e Sandy Hawley, os dois últimos ultrapassados por ele. Fez história.
