OS ÚLTIMOS SUSPIROS DO TURFE BRASILEIRO EM 2023
A Prova Especial Troyanos, na distância de 1900 metros, na areia, encerra nesta semana, a temporada clássica do turfe carioca, em 2023. Trata–se de uma singela homenagem, do Jockey Club Brasileiro, ao inesquecível craque, do Haras Santa Maria de Araras. Turfista navegador de 65 anos, para mim fica impossível não recordar as coberturas que fiz das memoráveis façanhas nas pistas do espetacular puro–sangue, de Júlio Bozzano, no extinto Jornal do Brasil. Troyanos ganhou o GP São Paulo, o GP Brasil e a milionária Trump Cup, na Gávea, promovida pelo então, mega empresário, Donald Trump. Nenhum dos presentes ao prado carioca poderia imaginar que aquele espalhafatoso personagem, falante, sorridente e extravagante, seria um dia presidente dos Estados Unidos. Minto. Acho que ele já tinha planos, e, até já sonhava com isso. E para não deixar de dizer a pura verdade, Troyanos, talvez, depois de dar bela olhada nele, no padoque, também desconfiou da possibilidade.
Treinado pelo saudoso Wilson Pereira Lavor, pai do extraordinário jóquei, Carlos Lavor, Troyanos proporcionou ao garoto, ganhar o seu primeiro GP Brasil, aos 19 anos. E, o veterinário, Flávio Geo, no início de carreira, teve bastante trabalho com ele. Troyanos tinha problema crônico em um dos cascos, mas, apesar disso, corria uma enormidade na raia de grama. Foi pule de dez na maior prova do turfe nacional. E também, a devolução de capital mais arriscada da história da prova. Havia sentido o problema na semana da corrida. Apesar do enredo dramático, ganhou no fotochart de Laurus, montaria de Gabriel Meneses, e treinamento de Leopoldo Cury. E o turfista de hoje, nem pode imaginar, naquela longínqua época, como era difícil um mano a mano, com o chileno. Bem. O tempo passa de maneira inexorável. Wilson Lavor se foi. Troyanos agora é personagem da corrida noturna de segunda–feira. E, Lavorsinho, está longe de nós no turfe uruguaio. Como escreveria, João Saldanha na sua incomparável coluna. É vida que segue...
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Adélcio Menegolo brilhou na apresentação de London Moon, de criação do Haras Anderson, e propriedade do Haras Sweet Carol. Depois da vitoriosa corrida de reaparecimento, o manteve em perfeito estado atlético, o próprio ritmo de corrida lhe fez evoluir e derrotou três rivais de rara categoria, o que potencializa ainda mais o mérito do seu triunfo no Grande Prêmio Júlio Cápua. Vale ressaltar, os outros dois triunfos clássicos com Jonnos, do Haras Sweet Carol, e Uni Te, do Haras Doce Vale. Um profissional do mais alto gabarito, merecedor de toda nossa admiração.
PERSONAGEM
Leandro Henrique, o popular, "Braço de Mola", descoloriu o cabelo, a exemplo do craque John Kennedy, do Fluminense, e desandou a fazer gols, como ele. Impecável no dorso de London Moon, enérgico, como sempre, com Jonnos, num páreo de tirar o fôlego, e sóbrio e preciso, com Monanfan, fez triplete, que lhe proporcionou três vitórias de grupo, numa mesma tarde. No atual estado atlético do campeão da estatística, e favorito, para o bicampeonato, Henderson Fernandes, só ele mesmo pode tentar impedir. Por isso, estas discussões tão acaloradas no Espaço do Leitor, aqui no Raia Leve. Considero os dois ótimos. E agora entendo por que os internautas estão sempre se alfinetando por aí. Sem dúvida é um duelo sensacional. Temos seis meses pela frente. As resoluções da Comissão de Corridas serão decisivas no confronto. Os dois possuem estilo bem agressivo para montar e não dão refresco na raia.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Pinduca, de criação do Haras Vale Verde, propriedade do Stud Danga, e treinamento do competente, Ildefonso Coelho Souza, Alexandre Correia, o "Tampinha", deu a joqueada da semana. Hoje, na Escola de Aprendizes, os professores, Marcello Cardoso, e Alex Mota, com certeza vão passar o filme para os promissores alunos do JCB. Com certeza, assinariam com louvor o desempenho do piloto. Impecável. Perfeito. Um privilégio para o verdadeiro turfista assistir uma direção de tão alto gabarito. No último posto, sempre por dentro, frio, calculista, corajoso e calmo para esperar o melhor caminho, e livrar cabeça, no último pulo. Pelo amor de Deus, não punam o cara por uso de imoderado do chicote. Pelo menos, se no plantão estiver como julgador um ex–jóquei. Façam–me o favor.
DUAS MENÇÕES HONROSAS
José Luiz Pedrosa Júnior, entre os treinadores, e Wilkley Xaver, entre os pilotos, não podem ser esquecidos nos seus ofícios, embora o meu destaque individual tenha sido dado para outros colegas de profissão. Je T’Aime, do Stud Roterdam, além de envergar uma das mais belas fardas do turfe carioca, deu um show de beleza, desenvoltura e estado atlético no galope de apresentação. Triunfo fácil, na batuta do líder, Henderson Fernandes. No dorso de Quantify, do Stud Red Rafa, o jovem Wilkley Xavier, esteve impecável. E obteve triunfo escamado, e num final dramático do Grande Prêmio Almirante Tamandaré. Evolui e melhora como jóquei, a cada minuto que passa em sua carreira profissional. Mantenha o foco rapaz!
TRIPLETE
No dorso de Just Candy, Bendita Candy e Laima, na prova central, o Clássico Luiz Monteverde, ontem à tarde, em La Plata, o jóquei brasileiro, Francisco Leandro, ganhou com três, das suas quatro montarias. Com este triplete, ele ampliou para 511, o recorde sul–americano de vitórias, que anteriormente era de 477. Hexacampeão da estatística portenha, o cearense de Sobral cumpre sua melhor temporada, desde de sua transferência, de Cidade Jardim, para o turfe argentino.
