OS ALTOS E BAIXOS DA SEMANA TURFÍSTICA
Fato comum, nos tempos da era digital, talvez seja potencializar os acontecimentos trágicos e desagradáveis através da rotina de ódio das redes sociais. Por outro lado, nem sempre os cidadãos, conseguem ter a mesma postura radical, diante daquilo que acontece de bom na rotina diária das nossas vidas. Algo tipo, nem tanto ao mar, e nem tanto a terra. A gente sofre então, a irremediável influência deste comportamento da maioria dos nossos semelhantes. O turfe brasileiro, assim como todas as outras atividades dentro da convivência em sociedade, passa sempre por altos e baixos. E, a preocupação de quem escreve, deve ser com a capacidade de ser fiel aos fatos. Procurar analisar as ocorrências com precisão, e saber aferir o mesmo peso na balança das notícias ruins e das boas novas.
A morte do reprodutor Can The Man, alojado no modelar Stud Eternamente Rio, e pertencente a um poderoso condomínio de proprietários, foi a pior notícia para o mundo do turfe esta semana. Sem dúvida, um baque para a criação nacional. Em pouco tempo produziu três ganhadores de Grupo 1. Ungai Hai, do Haras Doce Vale, Lilácea, do Stud Embalagem, e The Last Emperor, do Haras Princesa do Sul. O traço comum, entre eles, era a precocidade. E esta qualidade é algo tão precioso no garanhão quanto a consistência. Dar esta notícia, no site Raia Leve, foi algo bastante penoso para mim. Pude sentir a tristeza na voz do treinador, Luiz Esteves, quando me passou detalhes do ocorrido, pelo telefone. Lamentável.
Por outro lado, coisas boas aconteceram na jornada turfística semanal. A recuperação do Leandro Henrique foi uma delas. O jovem pernambucano sofreu acidentes perigosos durante toda a temporada. Fez três cirurgias. E ganhar sete páreos na semana, sendo cinco deles, numa mesma jornada, a de segunda, na Gávea, foi sensacional para quem ama os protagonistas. Já estava recuperado fisicamente. Mas faltava o empurrão da confiança. Ela é a companheira fiel e indispensável para qualquer atleta. Apesar da suspensão inevitável que virá, devido a polêmica desclassificação no GP Oswaldo Aranha, ele agora vai em frente. Podem ter certeza disso. O que eu acho da decisão? Gostaria de ter a convicção dos comissários de corrida, e de outros turfistas. Mas, sinceramente, fiquei na dúvida. Sei que ter dúvida, hoje em dia, é considerado ficar em cima do muro. Porém, eu vou morrer sem defender com unhas e dentes, algo que não me sinto convicto.
WALDOMIRO BLANDI
O meu amigo Waldomiro Blandi segue efetivo e osso duro de roer nesta difícil profissão de jóquei. Profissão, abraçada por ele, com eficiência comovente. Blandi, o popular "Manivela", como narrou em inesquecíveis jornadas em Cidade Jardim, o brilhante locutor, Roberto Casela, é casca grossa. Saiu da zona de conforto na raia paulista e se transferiu para a Gávea, pronto para o confronto. Recebi o convite, naquela época, para trabalhar com ele, como agente de montarias. E fizemos sucesso. Foi um período bem agradável. Homem de bem. Guerreiro. Brilhou no GP Bento Gonçalves 2023, nesta semana, no dorso do Dear–Vet, do Haras das Araucárias, criação do Haras San Francesco, e treinamento de Rogério Arias. Na Gávea, deu aula em três vitórias, com Que Demais, do Haras Nacional, Miss Brasil, do Santa Maria de Araras, e Adrian Tiger, do Haras das Araucárias.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Que Bianca, do Haras Di Cellius foi mais uma apresentação de luxo de Luiz Esteves. Valdinei Gil, inspirado, botou logo em corrida para se aproximar da linha um, pois a pista de areia, devido as chuvas estava dando vantagem por dentro. Triunfo esperado no Clássico São Francisco Xavier.
JOQUEADA DA SEMANA
Castro Fidel, do Stud Quintella, treinado por Luiz Guilherme Feijó Ulloa, experimentou o bridão do recordista mundial, Jorge Ricardo, e desencabulou em marca bastante expressiva. Correr na frente para Ricardinho é espécie de néctar para os deuses. Garotada. É só passar o filme. Das 13.274 vitórias de sua gloriosa carreira, uma boa parte delas, foram construídas assim. E ninguém, no turfe mundial, faz isso melhor do que ele. Se você, proprietário, ou treinador, tiver um cavalinho ligeiro é só fazer a experiência. Não vai se arrepender.
