TURFE TEVE SEMANA REPLETA DO BRILHO INDIVIDUAL
Depois de longos anos na militância da atividade turfística, sempre mantive a convicção absoluta do puro–sangue inglês ser o principal protagonista do espetáculo. É claro que a competência dos profissionais de exceção a sua volta, jóqueis, treinadores e, em alguns casos, até os bons cavalariços, interferem diretamente nos resultados dos páreos. Mas, só em caso de raro equilíbrio, entre os competidores. Nesta semana do início de setembro de 2023, pude perceber o brilho individual de certos personagens nas corridas, mundo afora. Alguns deles conseguiram ter papel decisivo no resultado final das competições. O jóquei porto–riquenho, Irad Ortiz Júnior, por exemplo, foi um deles. Irad desequilibrou os últimos dias do meeting de Saratoga, em Nova Iorque. Em meio a constelação de pilotos que atuam por lá, inclusive, o seu irmão, José Ortiz, outro bom jóquei, ele conseguiu reluzir como estrela de primeira grandeza. Hoje, no turfe mundial, ninguém desequilibra mais a balança para o próprio lado, do que ele. Fantástico. Dono de talento extraordinário.
O cearense, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves, faz o mesmo nos hipódromos argentinos. E, não é por acaso. Desde 2018, no circuito dos dois hipódromos da capital, San Isidro e Palermo, além de La Plata, a 1h30, de Buenos Aires, ele é o campeão da estatística. E, em 2023, já pode comemorar, com antecipação o hexacampeonato. Possui 380 vitórias na temporada, que chega ao fim, na última corrida de dezembro. Leandrinho, como é chamado, carinhosamente, pelos burreros, e, também a imprensa especializada local, não dá chance a concorrência, repleta de bons pilotos de outros países da América do Sul. Tão perto de nós brasileiros, mas tão longe dos corações dos seus compatriotas. Apesar da proximidade, e da existência dos sites dos hipódromos, os aficionados do esporte, os seus conterrâneos não acompanham as suas façanhas diárias. A maioria nem tem ideia do que ele é capaz.
PERSONAGEM, YES, NÓS TEMOS MAGIC MOREIRA
Por uma destas belas coincidências do destino, o Jockey Club de São Paulo trouxe para perto dos nossos corações carentes, um jóquei que desequilibra as corridas. Assim como fazem, semanalmente, dois treinadores da mais absoluta exceção no país. Luiz Esteves, na Gávea, e, Emerson Garcia, em Cidade Jardim. Depois de ser consagrado no exterior, o paranaense, João Moreira, voltou ao seu país de origem com livre arbítrio para montar nas tardes de sábado paulistanas. E por aqui, visitar, eventualmente, os demais prados do país, entre eles, Gávea e Tarumã. E nestas ocasiões provoca frisson nas arquibancadas, e causa admiração dos próprios colegas de profissão, que até se sentem lisonjeados de perder para ele.
Nos intervalos, dá um pulo na Inglaterra, Japão, e Austrália para torneios internacionais, em que ele bate uma bola com craques das rédeas consagrados e lendários, como Lanfranco Dettori. A craque invicta, Ajustada Agena, do Haras do Morro, campo de criação espetacular, treinador super competente, Antenor Menegolo Neto, etc e tal. Sem querer desmerecer a campeã ou ninguém da equipe. Mas, qual a importância de João Moreira no seu triunfo no GP Independência, Grupo 3, do último sábado à tarde? Para mim, ele foi indispensável para que ela se mantivesse invicta nas pistas. E para vocês?
GRANDE PRÊMIO IPIRANGA
Apresentado em estado atlético exuberante por Márcio Gusso, o potro Summerset, criado pelo Stud Chesapeake, e defensor do Stud My Hero Dad, filho de Setembro Chove e Margaery, por Agnes Gold, conquistou o Grande Prêmio Ipiranga com o carimbo individual do "Dragão", Valdinei Gil. Irreverente, fumante, descontraído, mas dono de enorme talento para montar, ele deu aula na parceirada. Qualquer dos pilotos citados anteriormente nesta crônica, até mesmo a lenda Dettori, teria a honra de assinar tal direção. V. Gil fez justiça ao seu apelido e entrou na raia soltando fumaça pelas ventas. JOQUEADA DA SEMANA. Nota 10.
GRANDE PRÊMIO BARÃO DE PIRACICABA
Embora tenham as rédeas em suas mãos, nem sempre são só os jóqueis que desequilibram uma carreira importante. No Grande Prêmio Barão de Piracicaba, por exemplo, o seu piloto, Fernando Larroque, teve o mérito de procurar a todo custo o espaço para For Flying, do Haras Old Friends encontrar a passagem para a glória do triunfo de Grupo 1. Porém, foi o seu talentoso treinador, Emerson Garcia, que a apresentou em estado atlético tão retumbante, que a filha de Drosselmeyer se recusou a ser derrotada. Alguns minutos depois, na Copa Japão de Turfe, um páreo de notório equilíbrio, o mesmo aconteceu com Becassine, do Stud Eternamente Rio/Haras Cruz de Pedra.
Mais uma vez, o treinador Emerson Garcia colocou a sua pensionista em forma atlética tão contundente, que Henderson Fernandes, só teve a preocupação de fazer o que possui maior talento para fazer: ganhar corridas. Neste caso, o desequilíbrio veio da cocheira, do trabalho do dia a dia. Dos pequenos ajustes dos detalhes. E não das rédeas dos condutores. Meros coadjuvantes de dois dos puros–sangues melhores apresentados nesta semana de setembro de 2023. Havia muita gente inspirada no turfe mundial.
PASSAPORTE CARIMBADO
Callejero, criado por Marcio Cezar Stanicki, e defensor da farda da Coudelaria Esmeralda, de volta raia de grama mais seca pode produzir tudo o que sabe. Brilhou o treinador Roberto Morgado Neto, que apresentou o filho de Agnes Gold no auge do seu estado atlético. Mais uma boa direção de Wesley Silva Cardoso, para a conquista do tradicional Grande Prêmio Doutor Frontin, Grupo 2. Por consequência do triunfo, o passaporte foi carimbado para atuar, no dia 7 de outubro, no Clássico Associação Latino–americana de Jockeys Clubs, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. O desafio não será nada fácil. Mas, o fato de Callejero estar em fase de evolução, e possuir filiação tão régia, com Isa Mommy, filha de Wild Event, na sua linha materna, já merece aceitar o desafio.
