Na corrida deste domingo, dia 20 de agosto de 2023, como acontece anualmente, o Jockey Club Brasileiro faz homenagem ao saudoso freio paranaense, Luiz Rigoni, um dos maiores jóqueis de todos os tempos. O lendário piloto ficou consagrado nas pistas nacionais com o apelido de "Homem do Violino", devido ao hábito de colocar o seu chicote nas orelhas dos puros–sangues, na reta final, num elegante vai e vem, na posição vertical. Como se tocasse o instrumento. O objetivo daquele gesto era demonstrar aos seus fãs, e a plateia dos hipódromos, que os seus conduzidos não precisam apanhar para vencer os páreos. A multidão, de imediato, se levantava, em delírio, e, aos gritos, saudava as suas vitórias, com a famosa frase: "E dá–lhe Rigoni!". Um grito uníssono para a eternidade.
Paranaense de nascimento, Rigoni começou, ainda jovem, sua carreira por lá. Mas, aos 17 anos, se transferiu para à Gávea, e, deu início, a trajetória profissional fantástica, que o transformou numa lenda no turfe, após escrever algumas de suas mais belas páginas. Depois do seu primeiro triunfo, no dorso de Que Lindo, Rigoni obteve sequência de inesquecíveis 1.367 vitórias no Hipódromo da Gávea, e, mais de 1800 em sua carreira. Ganhou por três vezes o Grande Prêmio Brasil, com El Aragonês, Viziane e Terminal, e duas versões do Grande Prêmio São Paulo, com Garbosa Bruleur e Saravan, todos estes triunfos citados com direções memoráveis.
Rigoni nunca escondeu de ninguém que considerava os jóqueis chilenos, como seus maiores rivais nas pistas em sua época. E com craques, como Juan Marchant, Francisco Irigoyen e Emygdio Castilho, ao seu lado na raia, ele travou duelos inesquecíveis. Entre os jóqueis brasileiros, o maior respeito e reverência, era por Antônio Alfredo Ricardo, o pai de Jorge Ricardo. Com ambos já aposentados, Luiz Rigoni sempre repetia nas rodas de bate–papo com os amigos. "Não me causa surpresa o sucesso deste garoto, o Ricardinho. O pai dele era um jóquei espetacular. Com um rigor incrível para um jóquei de freio. E, ele vinha nos cavalos a moda bridão. Toda vez que era o meu adversário nos páreos eu me cuidava. Esperava o máximo para dominar a carreira. Se você não dominasse o cavalo dele e tirasse vantagem, sabia que o caldo iria entornar. Cabeça a cabeça, com ele, eu perdi alguns páreos. Era um leão"., comentava. Antônio Ricardo sorria, e se limitava a dizer. "Bondade dele. Ele sempre foi muito melhor do que todos nós".
Luiz Rigoni era elegante dentro das pistas e fora delas. Se vestia com bom gosto até nos treinos matinais. Trabalha os cavalos com camisas de linho branco, calças sociais, botas de couro importadas, e o inseparável boné de feltro, que só retirava para colocar o capacete. Na raia tinha a mesma elegância para montar. Meticuloso no percurso, frio na tomada de decisões, e com rigor devastador nos momentos decisivos das provas. Rigoni conquistava os corações dos turfistas e seduzia legião de fãs e aficionados para torcer por ele, aos berros, nas arquibancadas. E quando movimentava o chicote, entre as orelhas dos seus pilotados, na reta final, como se tocasse um violino, num concerto musical, as tribunas berravam, e aplaudiam de pé. Um nome para lá de inesquecível da história do turfe nacional.
por Paulo Gama