FESTIVAL ABCPCC PROPORCIONA GLORIOSO DESFILE TURFÍSTICO
Os dois primeiros dias do mês de agosto de 2023, vividos por fãs e turfistas no Hipódromo de Cidade Jardim, no último final de semana, foram revestidos da paixão pelo esporte dos reis. A Associação Brasileira de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida (ABCPCC) promoveu o seu Festival, como faz todo ano, num revezamento democrático, entre Gávea e Cidade Jardim. Grama leve, com pista mantida em excelentes condições. Puros–sangues de qualidade. Os melhores em atividade no país. Espetáculos emocionantes, com jóqueis inspirados, e treinadores talentosos, que capricharam no preparo dos seus pensionistas. Enfim, autêntico desfile de tirar o fôlego do mais exigente aficionado. Parabéns a toda comunidade turfística envolvida no evento pelo prazer proporcionado na raia do prado paulistano.
Um único retoque precisa ser feito com urgência pelo clube hípico paulista. Organizar melhor o fluxo nos guichês de apostas. Preocupados em manter as corridas no horário, fator importante e necessário, o Jockey Club não consegue ampliar o número de guichês e muita gente fica em pé, nas filas, e não consegue fazer sua aposta a tempo, antes da largada dos páreos. Tiro no pé injustificável. As dependências do prado estão organizadas e mantidas em boas condições. Mas, este detalhe, da falta de comodidade, no espaço de tempo, entre os páreos, com fluxo para apostar, precisa ser corrigido. Causa incômodo e frustração para os frequentadores.
COPA ABCPCC CLÁSSICA – Doutor Sureño, criado no Haras Old Friends, e defensor do Haras Moema, ganhador do GP São Paulo, voltou a brilhar, e também colocou no seu currículo, a Copa ABCPCC Clássica Matias Machline. Emocionante vê–lo correr com a farda do patrono da prova, o Haras Rosa do Sul, de tantos inesquecíveis campeões. Vitório Fornasaro, treinador experiente, e de inegável competência, traçou estratégia perfeita. Depois de conquistar a maior prova do turfe bandeirante, deixou o craque descansar. Abriu mão de ir até a Gávea, para correr o GP Brasil. Fez a opção do craque atuar só na prova de domingo, depois de ter corrido a preparatória. Teve pela frente vários rivais que viajaram e correram no Rio, depois da participar da importante corrida carioca. Tremenda vantagem. José Severo, o seu jóquei, demonstrou evolução e maturidade. Impecável. Maximum Drive, do Haras Springfield, foi um adversário formidável, preparado por este incrível profissional, Antenor Menegolo Neto, e conduzido por este prodigioso jóquei que é Leandro Henrique.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Vitório Fornasaro. O carismático treinador fez tudo certo. Inclusive, no aspecto da maneira de correr. Doutor Sureño agora está mais manso. Corre mais acomodado, nas mãos do seu piloto. E, com isso, atropela com maior aceleração do que anteriormente, quando era mais bravo e voluntarioso. E, por isso, só por isso, aparou o avanço de Maximum Drive, que foi sem dúvida um rival em estado de graça. O triunfo de Doutor Sureño foi prêmio merecido a quem cuidou de todos os aspectos no planejamento para a competição.
JOQUEADA DA SEMANA – Henderson Fernandes cumpriu punição por prejuízos causados a alguns dos seus concorrentes no último Grande Prêmio Brasil. Porém, na raia paulistana, nem parecia que tinha tido o seu dia a dia profissional interrompido. Em estado atlético exuberante, com a motivação lá em cima, perto do céu, depois de conquistar, pela primeira vez, o campeonato da estatística carioca, o az de espadas do esquema arrasador do treinador, Luiz Esteves, deu duas direções primorosas, e conquistou duas Copas ABCPCC.
No dorso de Palavras ao Vento, do Stud Verde, teve rigor suficiente para não deixar o seu pilotado ficar muito longe dos rivais, na Copa ABCPCC Sylvio Bertoli. Havia conquistado na Gávea o Delegações Turfísticas, em 1900 metros, e, o páreo agora era na milha. Perfeito. Decidiu a prova nos metros finais. Mas, ele ainda tinha outra carta na manga. No dorso de Quatá, do Stud Red Rafa, na Copa ABCPCC Éguas Gonçalo Borges Torrealba, deu direção nota 10. Páreo para ser mostrado aos aprendizes de jóquei de todo o país. Ritmo forte, ele acomoda a sua conduzida nos últimos postos. Faz percurso milimétrico, por dentro, curva preciosa, traçada por um arquiteto, e não um jóquei. E atropela de forma inapelável. Um primor.
PERSONAGEM – Difícil medir a felicidade das pessoas. Porém, com certeza, entre os turfistas vitoriosos, com as suas conquistas pessoais, obtidas no Festival ABCPCC, não havia ninguém com a alma mais lavada do que o nosso querido Chicão, titular do Stud Embalagem, criador e proprietário da potranca Lilácea, da sua coudelaria, após o triunfo no Grande Prêmio Margarida Polak Lara, a Taça de Prata. A primeira conquista de Grupo 1. Montaria do seu jóquei mais querido, Valdinei Gil, amigo inseparável, de todas as horas, e parceiro de inúmeros momentos felizes. Nunca vi dois seres humanos mais contentes. Chicão, turfista apaixonado, por vencer o desafio de criar cavalos, depois de já ser proprietário consagrado. V. Gil, o querido "Dragão", por poder proporcionar tamanha felicidade, ao grande amigo. Emocionante. Lilácea teve preparo formidável do treinador, Valter dos Santos Lopes.
MAGIC MAN – João Moreira é um show man. Claro que sim. Ele é muito mais do que um jóquei. No dorso de um cavalo de corrida faz mágica. Atrai a atenção da plateia. Todos o observam como se fosse, de repente, fazer um truque, um toque de magia, em meio a tantos cavalos, em alta velocidade. Todos querem observar de onde vai sair o seu coelho da cartola. E o Magic Moreira jamais decepciona. Tem sempre o passe de mágica. Bien Sureño, do Neverending Stud dominou, de ponta a ponta, a Copa ABCPCC Milha. Dancing Mambo, do Stud Nicholas & Enrico Jarussi, ganhou o GP General Couto de Magalhães, no percurso de 3.218 metros. Quem diria...
Quisar, do Haras Cambay, obteve a sexta vitória nas pistas, em 1800 metros, na grama, depois de estrear em 800 metros, em janeiro, e largar atrasado, no último domingo. Todos apreensivos, depois do pulo de partida atrasado. E Moreira, frio como um iceberg, o levou até o disco, sem a menor cerimônia. Ajustada Ajena, do Haras do Morro, também se manteve invicta nas pistas, através de seis atuações, depois de ser dominada, a 100 metros da chegada, aparentemente de forma inapelável. E reagir, trocar de mão, e ainda livrar pescoço, em cima do disco, para alegria da multidão, que fechava o seu jogo nela. É isso aí. Senhoras e senhores. O turfe brasileiro é o único que possui um mágico, em cima dos cavalos de corrida. Um cara simples, simpático, e que dá espetáculos, mundo afora, nos hipódromos superlotados. O público se mantém ansioso, para ver em ação, o homem que produz incríveis façanhas, a mais de 60 quilômetros por hora, no dorso dos cavalos de corrida.
E, como disse o fantástico locutor, Roberto Casela, empolgado com João Moreira, logo após o triunfo de Quisar, na Prova Especial Giant, no último domingo, ao se lembrar que o Haras Palmital era o criador do lendário craque homenageado: "São lembranças, amigo Jair Bala, que a gente não encontra nem no Google".
