Numa época em que – no Brasil e no mundo – torna–se praxe que praticamente todos os criadores sejam comerciais e apresentem sua produção em hasta pública, o leilão virtual que o Haras Clemente Moletta irá realizar no próximo dia 09 de Agosto ganha um destaque especial, que iremos sintetizar em 10 tópicos.
Primeiro por ser o mais vetusto criador do Brasil: aos 95 anos, Clemente Moletta ainda comparece semanalmente ao Tarumã, como também vai à Gávea, à Cidade Jardim e ao Cristal para ver seus animais correndo: apenas neste mês esteve na foto da vitória com Dá–lhe Tirolesa no Rio e com Dá–lhe Forestry em Curitiba.
Segundo por ser a primeira vez, em quase 70 de criação e seleção, em que todo o seu plantel será posto à venda, sem nenhuma reserva.
Terceiro porque praticamente todos os lotes tem origem em linhas maternas consagradas do maior criador do País – o Haras Santa Maria de Araras. Trata–se assim de uma chance única de adquirir produtos e ventres oriundos de um dos maiores criatórios do continente, e aí sim: sem nenhuma reserva feminina!
Quarto porque, apesar de sua criação artesanal (Moletta mora no haras, que fica a poucos metros do aeroporto internacional de Curitiba) sempre homenageando grandes craques do nosso turfe, os resultados seguem se acumulando, tanto aqui quanto no exterior: recentemente Apollyon, filho de égua criada por Moletta, obteve sua 7ª vitória (aos 3 e 4 anos) no Uruguai, e 2 de seus crioulos lideraram estatísticas em Omã, no Oriente Médio.
Quinto porque, criando ininterruptamente há quase 70 anos, Moletta acompanhou de perto os anos dourados do nosso turfe, e pôde, além de servir–se de grandes linhagens daqueles tempos (Expedictus, Mondesir, Valente, São Luiz, Paraná, etc), mesclar estas linhas com aquelas mais recentemente adquiridas quase que exclusivamente junto ao Araras, criando assim um padrão de qualidade que vem sendo aprimorado há décadas.
Sexto porque a criação de Clemente Moletta confunde–se com a tradição, palavra tão preciosa quando se fala da raça PSI: numa de suas muitas relíquias, está uma foto da vitória ainda no antigo Hipódromo do Guabirotuba, em 1952, com uma potranca de sua propriedade pilotada por ninguém menos que o lendário Pedro Nickel, um dos maiores treinadores brasileiros de todos os tempos.
Sétimo porque Clemente Moletta, em que pese nunca ter produzido mais de 6 animais por ano, e por vezes apenas 1 ou 2, já criou elementos clássicos em 3 países com sua criação artesanal, entre eles o campeão do GP Paraná e "Troféu Mossoró" da ABCPCC, Dá–lhe Grison.
Oitavo porque Clemente Moletta foi eleito "Personalidade do Turfe Paranaense" em 2018 e 2019, sendo motivo de orgulho para a comunidade turfística paranaense – que tanto sucesso e importância tem no cenário nacional e internacional.
Nono porque esta lenda viva do nosso turfe merece a consideração e o respeito de todos os turfistas, pois, sem fortuna e sem heranças, vem mantendo sua criação e sua paixão pelo TURFE por mais de 70 anos!
E décimo, por ser Clemente Moletta uma testemunha ocular da nossa história e um verdadeiro ícone do Turfe Brasileiro.