LUIZ ESTEVES E JOÃO MOREIRA, OS HERÓIS DO GP BRASIL
Na minha convivência, durante quase 20 anos, na redação da editoria de esportes, do Jornal do Brasil, aprendi com colegas consagrados, a sempre começar as matérias pelos protagonistas. Absorvi esta premissa com nomes inesquecíveis, tais como, João Saldanha, Sandro Moreira, João Máximo, Marcos de Castro, Fernando Calazans e Oldemário Toguinhó. Por isso, todos os outros aspectos do Festival do Grande Prêmio Brasil, serão tratados depois das maiores estrelas desta inesquecível película, o fantástico treinador, Luiz Esteves, com 13 vitórias, sendo 8 delas clássicas, e, o extraordinário jóquei, João Moreira, com 9 triunfos, 4 deles também na esfera clássica, e o mais importante da semana, juntos, no Grande Prêmio Brasil, com Raptor’s, do Haras do Morro, o maior herói, entre os puros–sangues inscritos.
O cearense, Luiz Esteves, chegou ao seu quinto triunfo na maior prova do turfe nacional em poucos anos de carreira. Anteriormente, havia conquistado a prova, com Voador Magee, do Stud Eternamente Rio, em 2017; Quarteto de Cordas, do Haras do Morro, tal como Raptor’s agora, em 2018; e George Washington, do Stud Happy Again, duas vezes, em 2019 e 2021. Ou seja, dos últimos sete GPs Brasil disputados, ele levantou cinco, intercalados apenas, pelos triunfos de Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, em 2020, e, Nautillus, do Stud Valentin & Jarussi, no ano passado. São números assustadores, se for levado em conta, a dificuldade de ganhar a prova.
Luiz Esteves ganhou três, das principais provas de Grupo 1, com Mandrake, do Stud H&R, o GP Major Suckow, Ushuaia Ibiza, do Stud Habeas Corpus, o GP Presidente da República, e, com Raptor’s, o GP Brasil. Levantou também, o único Grupo 2, da semana, o GP Francisco Vilella de Paula Machado, com a fantástica potranca, Orla de Ipanema, que estreou ainda verde, e foi motivo de chacota, até no Espaço do Leitor, do nosso Raia Leve. Mas, foi com esta ousadia, que também ganhou mais quatro clássicos neste inesquecível final de semana de junho. Mais dois grupos 3, com Palavras ao Vento, do Stud Verde, o GP Delegações Turfísticas, e, com Is Not The End, da parceria Niju e Família Monteiro, o GP OSAF. Além, do Clássico Luiz Gurgel do Amaral Valente, com Hope Keeper, do Stud Eternamente Rio, e, ontem, a Prova Especial Público Turfista, Oswaldo Antunes Maciel, com Rufinos, do Stud Verde. E mais cinco triunfos em páreos de turma.
JOÃO MOREIRA – O currículo, dos últimos quatro dias de corrida de Luiz Esteves, seria suficiente para atestar a competência de uma temporada inteira, de qualquer colega de profissão. O mesmo aconteceu, com João Moreira, em três dias. Depois de ganhar 9 páreos, sendo quatro clássicos, com John Bull, do Haras Sweet Carol, o Clássico Breno Caldas, Lord Gold, da mesma farda, uma das versões, da Prova Especial Mensageiro Alado, o Magic Man, se deu ao luxo, de levar a melhor em dois, dos quatro principais páreos da semana, com Raptor’s, no GP Brasil, e, com Kenlova, o GP Roberto e Nelson Seabra. E, ainda perder na fotografia, as outras duas provas de Grupo 1, com Oriana do Iguassu, o Major Suckow, e, com Bien Sureño, a milha internacional, ambas em duelos escamados, com dois jóqueis, com ótimo resultado na semana, Valdinei Gil e Henderson Fernandes, Mandrake e Ushuaia Ibiza, ambos treinados por Luiz Esteves. Queda de braço.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Kenlova, de criação e propriedade do Stud Magia, João Moreira fez justiça ao seu apelido de Magic Man. A excepcional corredora é treinada pelo bicho–papão do turfe paulista, Emerson Garcia, que exerce o papel de Luiz Esteves por lá. No seu dorso, Moreira driblou diversas tentativas de barrar a sua pequenina campeã. Talvez, os rivais, de forma inadvertida, a tenham menosprezado pelo porte físico. Porém, desconheciam o seu gigantesco coração. A filha de Dídimo e Love It, por Amigoni, a cada caixote apresentado, obedecia às ordens do seu espetacular piloto. E Moreira trocava o chicote de mão, de um lado para o outro, e procurava espaço, para a craque acelerar. E, ela, finalmente acelerou, livre, leve e solta para o disco. O turfe é maravilhoso quando David derrota vários Golias a sua frente.
No dorso de Raptor’s, brilhante ganhador do GP Brasil, Moreira foi simples e metódico até o momento genial da carreira. Onde tudo se decidiu. O defensor do Haras do Morro, fez percurso por dentro, a espera só do espaço para acelerar. E no entreveiro, na grande curva, em que Online, com Henderson Fernandes, a procura de uma brecha, esbarrou em três concorrentes. João Moreira percebe a chance, e se aproveita da manobra, e passa dos postos intermediários, para próximo dos primeiros colocados. Raptor’s fica com 400 metros de caminho livre para a consagração. E ela vem, muito merecida, para o melhor jóquei do Brasil.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luiz Esteves ganhou tantos páreos em apenas quatro dias. Puxa vida. Que decisão difícil. A decisão normal do cronista seria eleger, o ganhador do GP Brasil, Raptor’s, em estado atlético exuberante. Porém, os puros–sangues que mais chamaram a minha atenção foram Ushuaia Ibiza, do Stud Habeas Corpus, e Bien Sureño, no Neverending Stud, que decidiram na fotografia a milha internacional. Eles haviam se enfrentado no dia 7 de maio, na mesma prova, em Cidade Jardim. No dia 18 do mês seguinte, eles aparecem por aqui de novo, e proporcionam ao turfista o deleite do novo encontro. Emerson Garcia perdeu fora de casa com o seu campeão por diferença mínima para Ushuaia Ibiza. Um outro campeão, que repetiu na Gávea, a façanha que Bien Sureño, já havia feito anteriormente, ganhar as duas milhas internacionais do eixo Rio/São Paulo. Parabéns aos dois melhores treinadores do turfe nacional na atualidade.
RICARDINHO, GONCINHA E JUVENAL
O programa de entrevista realizado pela comentarista, Juliana Dias, com os jóqueis, Juvenal Machado da Silva, Gonçalino Feijó de Almeida e Jorge Antônio Ricardo, foi um resgate maravilhoso dos áureos tempos do turfe nacional. Emocionante. A localização dos entrevistados, na reta final do Hipódromo da Gávea, sentados na pista de grama, com o Cristo Redentor ao fundo, e revivendo momentos inesquecíveis, foi espetacular. Bem conduzido, dirigido e, não havia a menor dúvida, da emoção e do prazer que eles sentiram em estarem ali naquela temporária volta ao passado.
Durante a saborosa entrevista me lembrei de cada craque citado pelos três. Goncinha descontraído, Jorge Ricardo, sempre articulado, e Juvenal, com a sua inconfundível irreverência. Estes três caras juntos escreveram algumas das mais belas páginas da história do turfe. E saber que Ricardinho terá uma estátua inaugurada nas dependências do prado, pessoalmente considero o gol de bicicleta da administração de Raul Lima Neto. Num clube de elite, e dá alta sociedade, esta atitude é uma bela e corajosa iniciativa. E parabéns a Juliana pela condução do programa.
GOVERNADOR QUASE ACERTA O PÁREO
O Jockey Club Brasileiro realizou bela festa. E, a presença do poder público, através da presença de Cláudio Castro, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, acompanhado da primeira dama, demonstrou que ele gosta de corridas. Quando foi perguntado pelo Jair Bala, do palpite para o GP Brasil, ele marcou Escher, do Haras Interlagos, montaria de Waldomiro Blandi, e treinado por M. Aurélio, um dos azares da prova. E não é que ele foi segundo, e quase apronta na maior prova do turfe nacional, chegando muito próximo do ganhador. Me lembrei até do Carlos Santana Teixeira, internauta diário do Espaço do Leitor, no Raia Leve, o nosso marcador de azarões.
