GP SÃO PAULO COMEMORA 100 ANOS DE HISTÓRIA E PAIXÃO
No próximo domingo, dia 7 de maio de 2023, o Grande Prêmio São Paulo comemora a disputa da sua 100ª edição. Nas pistas do Hipódromo de Cidade Jardim já desfilaram gloriosas fardas, envergadas por puros–sangues extraordinários, preparados por treinadores consagrados, e montados por jóqueis virtuosos. Juntos, os homens e os cavalos de corrida, num traço de união inseparável, escreveram gloriosa história. Uma história repleta de emoções, dramas, alegrias e frustrações. Nos 2400 metros, da grama sagrada do hipódromo paulistano, craques inesquecíveis de quatro patas construíram fantástica trajetória de amor. O amor inabalável e secular de alguns homens privilegiados, os turfistas, pelos puros–sangues de corrida.
Desde os meus primeiros anos de menino aficionado por cavalos, ao lado dos meus jovens amigos turfistas de Copacabana, descobri o caminho da Rodoviária Novo–Rio, e o ônibus da Viação Cometa, que nos levava, todo primeiro domingo do mês de maio, para torcer pelos cavalos da Gávea, no Hipódromo de Cidade Jardim. Era uma deliciosa aventura juvenil, que nos impulsionava até o prado paulista, com os seus cavalos poderosos, tão difíceis de superar. Mais tarde, formado em jornalismo, decidi que deveria escrever sobre eles pelo resto da minha vida. E assim, aquelas incursões até a cidade de São Paulo continuaram para sempre na minha rotina de vida.
Todo turfista tem o seu Grande Prêmio São Paulo inesquecível. Eu coleciono alguns na minha mente. Ainda jovem e fã incondicional da farda da Fazenda Mondesir, presenciei os triunfos espetaculares de duas éguas fantásticas criadas nas pastagens da Família Peixoto de Castro, Bretagne e Cisplatine. Posso sentir até hoje a atmosfera de emoção daquelas vitórias, construídas na batuta do freio Gonçalino Feijó de Almeida, o lendário Goncinha. Ainda posso sentir na pele, a friagem daquelas tardes paulistas. O cheiro e o sabor da deliciosa coxa creme, consumida na tribuna social do hipódromo. O alarido da multidão enlouquecida e barulhenta, eufórica após as corridas. E Goncinha, com o chicote embaixo do braço, guardado, antes de dois triunfos em cima do disco.
Anos depois, em maio de 1994, no dia da morte do ídolo nacional, Ayrton Senna, pela manhã, foi disputado, á tarde, o Grande Prêmio São Paulo. Triunfo de Much Better, do Stud TNT. Treinado pelo saudoso João Luiz Maciel, e montado pelo recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, o filho de Baynoun chegou ao trinfo numa tarde triste e desconsolada. Aquele foi sem dúvida um dos dias mais tristes do povo brasileiro. Os turfistas perambulavam pelas tribunas e dividiam as atenções, entre os monitores de televisão, a procura de notícias do piloto, a esperança de que o pior não tivesse acontecido, e as corridas. A morte do ídolo do esporte, então foi confirmada. E todos nós, como se fossemos almas penadas, comemoramos com timidez, o triunfo consagrador do grande campeão criado no Haras J. B. Barros.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
L’ Ente Supremo, defensor da Coudelaria Atafona, e criado no Haras Santa Maria de Araras, foi apresentado em forma exuberante por Jaime Aragão. Conduzido com precisão por Henderson Fernandes, o filho de Emcee e Rubia Del Rio, só faz evoluir e obteve belo triunfo, no segundo páreo de domingo.
JOQUEADA DA SEMANA
O recordista mundial, Jorge Ricardo, esteve inspirado no dorso de Benjamim Britten, treinado por Edson Ricardo, e propriedade de Marcelo Marcarian Cristófaro. Correu o seu pilotado mais contido, na expectativa, e obteve belo triunfo, num páreo de difícil prognóstico, um dos mais equilibrados da semana. São 13,254 vitórias.
PERSONAGEM
No Festival do Gran Premium República Argentina, Grupo 1, realizado no feriado do Dia do Trabalho, no Hipódromo de Palermo, em Buenos Aires, brilhou intensamente a estrela de Francisco Leandro. O jóquei brasileiro ganhou a prova central, com o craque Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, e mais duas provas de Grupo 1, o Gran Prêmio Montevidéu, com Rammel, treinado por José Luís Aranha, e o Gran Prêmio de Las Américas, com Subsanador. F. Leandro lidera a estatística, com 209 vitórias na temporada.
LEANDRO HENRIQUE
Danilo Aglio, agente de montarias de Leandro Henrique, informa que o piloto já está no processo de voltar as pistas. Na programação de retorno constam 10 sessões de fisioterapia, seguidas de outros procedimentos para acelerar a sua forma atlética. Leandro vai tentar ser liberado para assinar montarias na semana de disputa das provas preparatórias para o Grande Prêmio Brasil, no final deste mês. Sem dúvida será uma grande atração a confirmação de sua presença na maior prova do turfe nacional.
