DERBY FOI ENSAIO GERAL DO JCB PARA GP BRASIL
A realização do Festival do Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, Grupo 1, o Derby Brasileiro, no último final de semana, no deslumbrante cenário do Hipódromo da Gávea, proporcionou ao Jockey Club Brasileiro, fazer um autêntico ensaio geral, para a sua maior atração da temporada: o Grande Prêmio Brasil, no dia 18 de junho de 2023. Entre erros e acertos, e houve muito mais acertos, a oportunidade proporcionou a diretoria do clube hípico, diagnosticar tudo o que aconteceu de positivo, e corrigir pequenas falhas. No aspecto técnico houve bons espetáculos na ria, proporcionados por puros–sangues de qualidade. E o entorno do evento, nas dependências do prado carioca, proporcionou a alegria das crianças, com diversas atrações para o público infantil, e outras atividades para os frequentadores não habituais, que ficam encantados com a beleza da paisagem local.
O engarrafamento de provas clássicas e de páreos da geração de 2 anos no mesmo dia não acontecerá no dia o GP Brasil. Dei uma olhada na programação, e os dirigentes, inteligentemente, distribuíram os páreos nobres pelos outros dias de corrida. Assim, na sexta–feira, as delegações de outros estados chegarão mais cedo para assistir, no dia 16 de junho, três provas clássicas. No sábado, serão disputadas 5 provas nobres, entre elas, os dois Grupos 1, GP Major Suckow e GP Roberto e Nelson Seabra. Assim sendo, no domingo, o Grande Prêmio Brasil, o Presidente da República, e o tradicional GP Cidade Maravilhosa, ficarão absolutos para assumir o protagonismo.
PUROS–SANGUES MELHOR APRESENTADOS
Raptor’s, um filho de Hat Trick e Eurotrip, por Wild Event, de criação e propriedade do Haras do Morro, foi o herói absoluto do Derby. Luiz Esteves brilhou na sua apresentação. E ele, que pela campanha, dividia o favoritismo da competição com um único rival, To Sir With Love, do Haras Doce Vale, o derrotou de maneira inapelável. Os demais inscritos eram apenas coadjuvantes em busca de realizar o sonho dos seus responsáveis de tentar ganhar um páreo, normalmente bem mais intrincado. Henderson Fernandes, no melhor momento de sua carreira, simplificou a disputa e decidiu logo o duelo contra seu único oponente.
Lah Lah Lah, de criação do Haras Santa Maria de Araras, e propriedade do Stud Happy Again, ao contrário de Raptor’s, tinha tarefa muito mais árdua a sua frente, no Grande Prêmio Zélia Gonzaga Peixoto de Castro, Grupo 1. Pelo menos uma meia dúzia de potrancas eram cogitadas a brigar pelo triunfo. Aliás, essa foi a tônica da atual geração. Apresentada em estado atlético exuberante por este talentoso profissional, Álvaro Castilho, que construiu a maior parte de sua carreira nas dependências do prado carioca, a filha de Emcee e Macchiata, por Jump Start, cumpriu na raia a melhor apresentação de sua campanha.
Vale registrar ainda, o desempenho em seu dorso de Bruno Queiroz, a altura da apresentação do treinador. Parecia estar em transe, com a confiança lá no céu, e, na minha modesta opinião, deu a melhor direção de sua curta e vitoriosa carreira. Parecia ter no culote um mapa, com os melhores caminhos para chegar ao triunfo. Parabéns a Castilho pelo preparo e a Bruninho pela inspiração. E, mais uma vez, o nosso amigo Maurício, titular da coudelaria, um apaixonado pelo esporte, comprovou ter estrela do tamanho de um bonde nos páreos importantes. Não fosse ele, bicampeão do GP Brasil com o extraordinário George Washington.
JOQUEADA DA SEMANA
Destaque para Bruno Queiroz no dorso de Lah Lah Lah, com já adiantei. Gostaria de acrescentar também, a frieza de Henderson Fernandes no dorso de Online, do Stud Verde, no Clássico Coaraze. Tinha um lote de bons adversários pela frente, provavelmente alguns dos que serão apostados no próximo GP Brasil. E correu o seu conduzido com absoluta tranquilidade, pegou pela frente um rival de exceção, Jet Class, do Stud Instante Mágico, e o dominou com metros finais, como se estivesse saboreando um picolé. Naquele instante, dominou um candidato certo a vencer a prova mais importante do turfe nacional daqui a dois meses.
PERSONAGEM
Álvaro Castilho é um profissional de alto gabarito. Focado no trabalho, educado, tímido e de poucas palavras. O seu triunfo na prova de Grupo 1 das potrancas me emocionou bastante. Lah Lah Lah foi fruto do trabalho de um treinador zeloso, atento, sensível e capaz. Existem outros no prado carioca. Precisam conviver com o anonimato, o que não é o caso do Alvinho, que sempre possui bons cavalos para treinar. Mas, o espaço do sucesso, não sorri para todos. Por isso, quando um páreo desta importância é conquistado por um treinador alojado na Gávea, é um triunfo que lava a alma dos outros colegas. Eles acordam cedo e encaram o bombril para enfrentar os melhores puros–sangues oriundos das pistas dos centros de treinamento.
CARTAS BRAVAS
Dois cavalos fizeram corridas espetaculares e podem contar com eles na semana do Grande Prêmio Brasil. Dulcino Guignoni reapareceu Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago em forma exuberante. E ele correspondeu com triunfo sensacional no GP José Paulino Nogueira, Grupo 3. É um nome de peso na semana magna no turfe brasileiro. Aos cuidados de Venâncio Nahid, Jet Class foi pela primeira vez aos 2000 metros, e chegou em promissor terceiro lugar. Agora, um tempo depois, fez a sua primeira incursão nos 2400 metros e mostrou a sua cara. Há muito tempo, o recordista mundial, Jorge Ricardo, não vai montar um GP Brasil, com chance parecida daquela que teve com Falcon Jet e Much Better. Anotem aí. E podem me cobrar depois...
