Às 16h10, da seta dos 2.400 metros, na pista de grama, do Hipódromo da Gávea, um dos mais belos do mundo, localizado no aristocrático bairro da Zona Sul, da cidade do Rio de Janeiro, seis puros–sangues vão largar em busca da glória de vencer o Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby Brasileiro. Nesta tarde de outono, do dia 16 de abril de 2023, assim como acontece todos os anos, um potro de 3 anos, vai colocar o seu nome numa galeria de grandes campeões. É uma oportunidade única. Só acontece uma vez por ano. Tipo: é hoje só. Amanhã não tem mais.
E no mundo todo é assim. Criadores e proprietários de puros–sangues de corrida sonham com esta oportunidade única. A honra de ter criado, ou, de ser proprietário de um derby–winner. Trata–se de uma tarde de gala para todos. A mistura inequívoca entre tradição, mística e paixão. O meu Derby favorito foi conquistado por Itajara. Jamais, na história do majestoso hipódromo carioca, houve presença de tanta gente para assistir a prova. Os turfistas ensandecidos e eufóricos queriam tocar no craque dos Haras São José e Expedictus. Foi preciso colocar um cordão de isolamento no Serviço de Veterinária, para ele entrar na raia, montado por José Ferreira Reis, o Reisinho. E Itajara brindou a multidão frenética com um vareio de vários corpos.
Raptor’s, do Haras do Morro, e To Sir With Love, do Haras Doce Vale, são os mais credenciados do retrospecto. Mas, num Derby. Bem, a gente nunca sabe. Tudo pode acontecer. Limeira, do Stud Escorial, leva em seu dorso Jorge Ricardo. Ele já ganhou o Grande Prêmio Cruzeiro do Sul 7 vezes. Conhece o caminho das pedras. E Ragnar Lodbrok, da Coudelaria Atafona, Laos, de Giovani Giuseppe Pompeu Magi, e Excuse Me Please, de Duílio Berleze, pertencem a turfistas com todo direito de sonhar. Que venha o Derby! Um sonho inexorável, que se renova a cada temporada.
Por Paulo Gama