AS CONSEQUÊNCIAS DA DIMINUIÇÃO DO REBANHO DE EQUINOS
Nas últimas décadas, com a passagem inexorável dos anos, o rebanho de equinos em solo brasileiro, foi diminuindo de maneira gradativa e silenciosa. Particularmente, a raça PSI, responsável, pela existência de um dos maiores espetáculos da Terra, as corridas de cavalos. No Turfe, o fato ocorreu sem chamar muita atenção. E por isso, houve certa negligência, por parte dos responsáveis pelas rédeas da atividade, para evitar a instalação do caos. Estas doses homeopáticas e anuais da redução de nascimentos, reprodutores e matrizes motivaram alguns pronunciamentos técnicos, por parte de especialistas, como o criador, José Carlos Fragoso Pires Jr, e artigos jornalísticos de alguns cronistas, preocupados com futuros problemas para a formação dos páreos. Eu juro que fui um deles.
Agora temos a semana da disputa do tradicional Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby Brasileiro, no próximo domingo, no majestoso Hipódromo da Gávea. E, a prova, a mais importante para qualquer criador ou proprietário de um puro–sangue de corrida, recebeu apenas seis inscrições. Algumas deserções aconteceram por problemas físicos de competidores importantes. Porém, mesmo com todas as circunstâncias, o número presencial de concorrentes é reflexo inegável das mesmas dificuldades que os organizadores das corridas tem enfrentado, no dia a dia, para formação dos programas nos hipódromos brasileiros. O desaparecimento da mão de obra para o espetáculo do turfe: os cavalos de corrida. Hoje em dia, o fato já nem ocorre de forma tão silenciosa assim. Trata–se da dor de cabeça semanal dos dirigentes turfistas. Numa semana com várias provas do calendário clássico só foi possível formar dois programas. E a prova central possui apenas seis cavalos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Jungle King, de criação do Haras Anderson, e propriedade do Haras Sweet Carol, apresentado em forma exuberante por Adélcio Menegolo, encontrou em Playa Los Ingleses, do Stud Best Friends, um rival temível. Mas, em estado atlético perfeito, conseguiu dominar a Prova Especial Roi Normand, nos metros finais, em boa marca. Direção cuidadosa de Marcelo Gonçalves, que se aproximou a tempo de não dar sopa para o azar. Jungle King segue invicto na pista de areia.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Pitty Girl, do Stud Blue Mountain, e preparo caprichado de A. Damasceno, Michel Platini veio de São Paulo para dar a melhor direção da semana. Foi frio, calculista e preciso no percurso, e mostrou rigor no momento decisivo da prova. Tem montado pouco em Cidade Jardim e, de longe, a gente não sabe o motivo. Trata–se de um piloto com boas qualidades técnicas.
PERSONAGEM
Com apenas dois programas, e nem tantas inscrições assim, Luiz Esteves segue ditando as regras no turfe carioca. Hope Keeper, do Stud Eternamente Rio, se impôs na Prova Especial Coray, e ainda teve tempo de faturar três páreos de turma, através de Mesmo Assim, do mesmo proprietário, no páreo para nova geração, e as estreantes Lancer La Mode, do Haras Guamiranga, e, Palavras ao Vento, do Stud Verde. Uma máquina de ganhar corridas.
MGA NAS NOTURNAS CORRESPONDEU
A iniciativa do JCB de organizar as duas corridas na semana da Páscoa durante as noites de segunda e terça–feira, e evitar o sistemático prejuízo dos domingos, deu certo. Na segunda–feira foram apostados R$ 724.535,49. E, ontem, na terça, a arrecadação foi de R$ 696.383,32, ou seja, bem próximo ao dia anterior.
INVICTA EM CIDADE JARDIM
Oriana do Iguassu segue invicta no turfe bandeirante. Mais uma vez esteve no Hipódromo de Cidade Jardim e enfileirou o seu sétimo triunfo no tiro curto de 1000 metros. Preparo espetacular de Antônio Oldoni, e direção tranquila de Bruno Queiroz, que pegou carona na montaria de Valdinei Gil, ausente devido ao falecimento de seu pai. Uma velocista sensacional.
