UM INESQUECÍVEL DIA PRIMEIRO DE ABRIL
No calendário brasileiro, tradicionalmente, quando a folhinha assinala o dia 1º de abril, simboliza a ocasião de contar mentiras, inventar histórias, e pregar peças nos amigos, parentes ou vizinhos. Enfim, fazer de bobos todos aqueles, que por distração, se esqueceram da data. No último sábado, dia 1º de abril, nos Estados Unidos, e, na Argentina, dois puros–sangues de alta qualidade, contaram histórias fantásticas nas pistas. Tão incríveis e extraordinárias, que poderiam perfeitamente fazer parte do folclore brasileiro. Mas, não é o caso da Flórida, e nem, de Buenos Aires. Portanto, o potro de 3 anos, Forte, treinado por Todd Pletcher, e conduzido pelo porto–riquenho, Irad Ortiz Jr., e o quase 7 anos, Miriñaque, aos cuidados de Maria Cristina Muñoz, e montado por Francisco Leandro, estavam falando sério, nas suas vitórias, no Derby da Flórida, e no Gran Prêmio de Honor, em Buenos Aires. Na verdade, nenhum dos dois estava para brincadeiras. Foram exibições de gala para seus fãs e aficionados.
Forte alcançou a sua sexta vitória, em sete saídas, e, possivelmente, será o favorito a conquistar a tríplice–coroa no turfe norte–americano. O filho de Violence e Queen Carolina conta no seu dorso com Irad Ortiz Jr. Um jóquei da mais absoluta exceção. Nascido em Porto Rico, em 11 de setembro de 1992, possui estilo agressivo, arrojado e técnico de correr os seus cavalos. É estrela de primeira grandeza no turfe americano. E, os aficionados, deliram com seu talento individual e ousadia. Em meio a tantas estrelas das rédeas, ele é o que mais leva o público ao delírio. O queridinho dos americanos. Irad Ortiz Jr tem plena consciência do seu talento, e faz questão de demonstrar isso nas pistas. Forte teve percurso inicial atribulado. Mas, como todo craque, se livra logo dos percalços. A 150 metros do disco, o triunfo já estava assegurado com a aceleração que trazia. Mas ainda havia um rival a ser ultrapassado. Irad Ortiz esperou o máximo para dominá–lo e levar a assistência ao delírio.
Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, não é um potro em início de campanha. É um veterano das pistas argentinas. Pintou tão bem, no seu início de caminhada, que depois das primeiras conquistas foi tentar a sorte no exterior. Perambulou por tudo quanto é canto, esteve até na Arabia Saudita e Dubai. E Francisco Leandro foi atrás dele e o conduziu mundo afora. Sem sucesso em outras localidades, o tordilho voltou para casa. E aí desandou a ganhar corridas e enfileirou diversas conquistas em Palermo, San Isidro, até em La Plata, no GP Dardo Rocha, Grupo 1.
No último sábado, o Gran Prêmio de Honor foi a sua sexta vitória de Grupo 1. Diferente de Irad Ortiz, Francisco Leandro, nascido em Sobral, em 8 de abril de 1991, tem estilo bem mais comedido. Franzino, leve e habilidoso, ele aprecia correr desapercebido no percurso. Como se fosse uma raposa. Prefere acomodar os seus pilotados, ficar a espreita, na expectativa. E, quando vai para a frente, dificilmente é derrotado. Parece ter absoluta convicção de que tal iniciativa será bem sucedida. Calmo, frio e sempre sorridente, conquistou a simpatia dos burreros, que o chamam, carinhosamente, de Leandrinho. E, como se não fizesse força, é pentacampeão da estatística na Argentina. Em 2023, completou 170 vitórias, ontem à tarde, em Palermo.
Quem duvidou de Irad Ortiz Jr., com Forte. Ou de Francisco Leandro com Miriñaque. Caiu em primeiro de abril ...
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Seven, do Haras Doce Vale, foi apresentado em forma exuberante por Ildefonso Coelho Souza, e confirmou na raia de grama carioca a expectativa de todos por sua vitória. Aos poucos, parece ter amadurecido com a sequência de sua campanha, e, deixa nítida impressão de que vai obter bons frutos na sequência. Parabéns a toda a equipe, O estado atlético de Seven saltava aos olhos.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Showmethemoney, de criação e propriedade do Haras Doce Vale, Alexandre Correia demonstrou a confiança e a destreza de um piloto que vive o melhor momento de sua carreira. O acerto para o seu retorno a coudelaria trouxe bons frutos a toda a equipe. No dorso da pensionista de L. F. Vaz, segundo–gerente, de Adélcio Menegolo, correu com absoluta tranquilidade. Permitiu que qualquer observador lúcido e imparcial, como escreveria o eterno colunista Marcos Ribas de Faria, tivesse a certeza de seu triunfo desde a largada, e, em qualquer parte do percurso.
PERSONAGEM
Alexandre Correia encontrou o melhor momento da sua vida profissional. Não é um piloto badalado e nem possui fã clube. Porém, tem passado muita confiança para quem aposta nos cavalos que ele conduz. Não se precipita na primeira parte do percurso. Procura guardar sempre reservas nos cavalos que monta. Por não ser um jóquei de rigor, espera o máximo para fazer correr os seus conduzidos, a procura de ter mais reservas nos seus cavalos, do que os pilotos de maior energia, na hora decisiva, do mano a mano com os rivais. Ótimo momento.
MOVIMENTO DE APOSTAS
Mais uma vez supremacia absoluta da corrida de segunda–feira sobre a de domingo no Hipódromo da Gávea, em termos de arrecadação. Enquanto a boa programação de domingo faturou R$ 675.752,84, no dia seguinte, com páreos de qualidade técnica sofrível e claiming, arrecadou, R$ 796.969,79. Vamos conferir esta semana, na Páscoa, outra vez com dois programas, mas deslocada as carreiras para segunda e terça. O domingo foi liberado para as famílias curtirem o domingo de Páscoa, com bacalhau e ovos de chocolate. As reuniões serão nos dois dias úteis.
