O EXPRESSIVO DOMÍNIO JAPONÊS NO TURFE INTERNACIONAL
A atropelada fulminante de Ushba Tesoro na reta final da Dubai World Cup, em 2000 metros na pista de areia, foi o ponto alto de mais um Festival internacional, com imposição absoluta do turfe japonês, no cenário mundial da atividade, no embate com os demais continentes, nos últimos tempos. O jóquei do ganhador, Yuga Kawada, o conduziu com frieza e precisão. Ficou nos últimos postos, junto à cerca interna, e, quando o arrancou por fora, o pensionista de Noburo Takagi, trouxe aceleração tão fantástica, que os rivais pareciam estar paralisados. Aos 6 anos, Ushba Tesoro, obteve o nono triunfo de sua campanha, o segundo de Grupo 1.
A exibição mais encantadora dos puros–sangues japoneses, entretanto, não aconteceu na prova central. Talvez, por questão de cultura, nós brasileiros ficamos sempre mais impactados pelas atuações de primeira grandeza na raia de grama. Na Longines Dubai Turf, em 2400 metros, na grama, Grupo 1, com bolsa de U$ 7 milhões, Equinox, montado pelo jóquei francês, Christophe Lemaire, assombrou a multidão presente ao Hipódromo de Meyden. Tomou a ponta, logo após a partida, e galopou, sem ser incomodado até o disco de chegada, na marca espetacular de 2m25s, novo recorde na pista local. Jamais se incomodou com as tentativas dos rivais de chegar perto dele. Puro sangue de excessão, com linda aceleração, classe e paixão para correr.
Os japoneses fizeram quadrifeta em prova de grupo. Derma Sotogate encabeçou a exibição da legião de corredores. E, até o nosso, João Moreira, tirou uma casquinha no desfile nipônico. No dorso de Denon Beluga, na Dubai Turf, em 1800 metros, na grama, prova com bolsa de U$ 5 milhões, obteve a segunda colocação, numa atropelada tardia, em que se intrometeu numa trifeta, entre dois campeões internacionais. O espetacular Lord North, montado pelo lendário, Lanfranco Dettori, de propriedade do sheik, Zued Mohamed, com cabeça a sua frente, e o terceiro colocado, a quem conseguiu dominar, National Pride, da Godolphin, com William Buick.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Nas duas provas do calendário clássico da semana estiveram os puros–sangues mais destacados, em termos de apresentação. Lindsay Lohan, do Haras Santa Maria de Araras, foi a cereja do bolo de uma semana bastante produtiva da coudelaria. Christiano Oliveira caprichou no preparo e levou a taça da Prova Especial In Essence, homenagem do JCB a espetacular velocista. Júlio César Sampaio, em temporada sensacional, trouxe In Fact, do Haras Santa Rita da Serra, no auge do estado atlético na Prova Especial Ismael da Silva Neto. In Fact teve pela frente o desafio de atuar sem fenil, e, também um lote de bons corredores. E conseguiu se impor, numa direção valente e empolgante de Henderson Fernandes. Cada vez mais próximo do título da estatística.
JOQUEADA DA SEMANA
Henderson Fernandes manteve, mais uma vez, bom nível de atuações. O desempenho com In Fact, do Haras Santa Rita da Serra, foi dos mais positivos. Havia alguns obstáculos pela frente, além do próprio nível dos adversários. Não poder correr medicado de fenil, a diminuição do percurso, para 1400 metros, e sair pela linha um, num páreo em que tinha os rivais todos por fora. Fernandes foi calmo, confiante, e muito raçudo, para conseguiu caminho a tempo de acelerar com seu bravo pilotado. Um jóquei confiante é meio caminho andado para a foto da vitória.
PERSONAGEM
Waldomiro Blandi é um piloto experiente, técnico e trabalhador. Tive o privilégio de ter sido seu agente de montarias, na época em que se transferiu do turfe paulista para o carioca. Teve semana decisiva e se saiu bem em todos os páreos de responsabilidade, com a farda do Haras Santa Maria de Araras, e, também, com a do Haras Nacional. Ele está sempre presente na hora da verdade. Um jóquei de qualidade, um amigo honrado e, um homem de bem.
MGA SEM NOVIDADES
Como sempre acontece, a reunião de segunda–feira na Gávea teve o maior Movimento Geral de Apostas (MGA), com R$ 725.762,08. No domingo, apesar da boa qualidade dos páreos, ficou um pouco abaixo, com R$ 691.831,71. Normal. Nesta semana teremos outra vez apenas dois programas. A população de equinos segue em declínio. Sem melhor leque de opções, ou seja, maior número de cavalos, em breve, a exceção das semanas de grandes eventos, este parece ser o destino inexorável.
