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Fevereiro | 2023

Páreo Corrido, por Paulo Gama
01/02/2023 - 08h34min

AFINAL UM JÓQUEI DÁ PERNA A CAVALO?

Empolgado com o retorno do jóquei João Moreira ao turfe brasileiro, há alguns dias, aqui no Raia Leve, em nossa sessão, "Espaço do Leitor", o turfista Jorge Humberto afirmou de forma categórica que tal expressão era fato consumado. E utilizou os seus bons argumentos. Alguns internautas concordaram, e outros, nem tanto. E ainda houve quem discordasse com veemência de tal afirmação. O tema é bastante polêmico, porém, dos mais interessantes. Nos páreos de indiscutível equilíbrio, nos parece não haver dúvida, de que o melhor piloto desequilibra a balança para o seu lado. Entretanto, existe a nítida preocupação dos dirigentes turfistas com a enturmação dos puros–sangues, para que não aconteçam grandes desigualdades, entre os competidores. A chamada pule de 10.

Pessoalmente, sempre acreditei que o maior protagonista no turfe é o cavalo de corrida. Ele dita o rumo para que lado vai o resultado dos páreos. Porém, não há como negar, que alguns jóqueis, quando estão em grandes momentos, são decisivos no dorso de suas montarias. E, nos últimos tempos, algumas atuações individuais de jóqueis famosos, mundo afora, tem provocado este tipo de discussão. A volta de João Moreira ao Brasil foi um dos motivos deste assunto vir à baila. Moreira, além de suas indiscutíveis qualidades técnicas, trouxe para nós a realidade de um jóquei brasileiro que conquistou a mídia no turfe mundial. A exemplo do que também aconteceu com Silvestre de Souza, que saiu anônimo do país, e até a Rainha da Inglaterra virou sua fã. Os dois são ótimos exemplos de atletas das rédeas que deram certo. Mostraram aos nossos pilotos que é possível sonhar.

No turfe internacional, se me pedirem para dar um exemplo de jóquei que parece dar perna aos cavalos, eu não perderia muito tempo para responder. O porto–riquenho, Irad Ortiz Jr. Ele monta páreos de dotações milionárias, contra jóqueis famosos como ele, no dorso de cavalos de valores para lá de extravagantes, e consegue ser frio, ousado, confiante e estratégico. Esta semana mesmo, sentimos na carne, como é difícil tê–lo como rival. Todos nós estávamos na torcida por Ivar, do Stud Rio Dois Irmãos. O Javier Castellano montou bem, fez bom percurso e tudo mais. Mas, nos metros finais, apareceu ele, com um cavalo fantasma, para cima da gente. Enfrentar rivais do nível que ele enfrenta, e dar joqueadas em profusão, com uma responsabilidade de milhões de dólares. Nada fácil. O cara sabe que a sua diferença está em Luiz Saez, Joel Rosário, John Velazquez, Flavien Pratt, e o próprio irmão, José Ortiz, uma fera, e jamais perde a concentração. Faz o simples e cruza na frente.

Além do João Moreira, que visitou a Gávea, e deu show, o Tarumã, e ganhou quatro provas, além das joqueadas todo sábado, em Cidade Jardim, onde no passado virou "Fantasma", dá certa razão ao Jorge Humberto. A mesma coisa faz todo santo dia, na Argentina este cearense, Francisco Leandro. O cara é pentacampeão, fora do país, e todo dia, ele tem pela frente, William Pereyra, Juan Villagra, Eduardo Ortega, enfim, a nata do turfe sul–americano. Neste mês de janeiro, ganhou 67 páreos. Sofreu duas fraturas, em 2021, voltou as pistas, e ganhou 400 páreos. No ano passado, outra fratura, ficou afastado das competições, e, retornou, com tempo de vencer 418 carreiras. É uma máquina! Consegue ser ídolo, num país, em que a rivalidade com o Brasil, no esporte, principalmente no futebol, é gigantesca. 

E agora surge o D.S. Machado. O menino Dylan. Ele, há pouco, era apenas o irmãozinho mais novo do Muriel e do Luan. Em muito pouco tempo, eles é que passaram a ser chamados de os irmãos do Dylan. E o garoto corre na frente, no meio, e de trás. Primeiro ele. Ele está dando pernas aos cavalos? Eu não sei. Agora que os apostadores estão apaixonados pelo garoto, e ganhando Pick 7, Pick 3 e Betting adoidado, é a mais pura realidade. "Mas ele tem a descarga de três quilos?". Eu sei. Sem dúvida é uma grande ajuda. Também diziam a mesma coisa do Vagner Borges. Ele ganhou mais de 400 páreos como aprendiz. Passou a jóquei, e, com a farda do Stud Alvarenga, e a bordo do Bal A Bali, foi tricampeão da estatística e ganhou o GP Brasil. Só o futuro nos dirá, se Dylan dá uma quinta perna aos cavalos, ou não.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Luiz Esteves segue a desequilibrar nos resultados, sobretudo, nas provas clássicas. Trouxe Pastime, do Stud Red Rafa, no último furo. E, de quebra, ainda foi segundo, com Jeito Seu, do Haras do Morro, e quarto, com La Louviere, do Stud Rio Dois Irmãos. Treinador competente, ousado e com resultado inquestionável. Vale registrar ainda, o triunfo de Justiceiro Colt, do Stud 5 amigos, numa atuação esmagadora. Esteves é o maior trunfo de Henderson Fernandes neste duelo da estatística, com o aprendiz. Porém, vale lembrar, que, em alguns casos, ele também convoca o Dylan.

JOQUEADA DA SEMANA

Descomunal, o desempenho de Henderson Fernandes no dorso da potranca Like Star, do Stud Araré, com apresentação de Júlio César Sampaio, no terceiro páreo de domingo. Corria último, no fundo do lote, e, num passe de mágica, ganhou o páreo. Podem ver o filme. Você sabe que ela ganhou, assiste, e não acredita que ela vá mesmo vencer. Um show de rigor e vontade de ganhar. Dá gosto ver um piloto com tanta gana de lutar pelos seus objetivos.

PERSONAGENS

Menção honrosa a alguns profissionais que têm lutado bastante por bons resultados, porém não possuem material para fazer mais. César Gustavo Neto, o Gugu, marcou três pontos, através de Passing Cloud, de André Luiz Dumortout de Mendonça, Zubin Metha, do Stud Tributo à Ópera, e, New Mary, de Francisco de Paula Elias Filho. Orlando Luíz Silva, o Landinho. Estava com três pensionistas do Stud Tricolores. King Eleven ganhou, e teve ser dado, para uma Fazenda, por ter sofrido problema irreversível. Yes Man, uma caixa econômica, vendido para correr reta, no interior de Santa Catarina. E agora Paillette, reapareceu, de volta ao peso ideal, e ganhou com firmeza. Parabéns amigo! Agora, dá o teu jeito. Você é um ótimo profissional. Luiz Henrique Vieira. Under Pleasure, com quatro atuações, no mesmo mês, verão de 2023, todas no marcador, e, agora o triunfo. E Lunar, apresentado em forma exuberante, também ganhou, com direção mágica de José Aparecido, que ainda mandou mais três para o barbante, e, vai conquistar o seu espaço no turfe carioca. Parabéns a todos!



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