PRECISAMOS FALAR DE LONDON MOON
Leandro Guedes, turfista participante do democrático Espaço do Leitor, um dos mais polêmicos, curtidos, discutidos, e visitados do nosso site, me chamou atenção, com esta frase "Precisamos falar de London Moon". Em poucas palavras, o internauta resumiu os seus motivos. E, num tom simples, foi convincente, explícito e claro, de que não se tratava de súplica, e, sim de exigência. "Depois de Bal A Bali foi o melhor cavalo do Brasil". De imediato, desfolhei a Revista Turf Brasil. Ao olhar a campanha do filho de Agnes Gold e Beauty Harlan, por Harlan’s Holiday, ele possuía currículo do mais absoluto luxo, com relação aos seus bravos rivais. Com exceção do seu maior adversário, Quantify, de criação e propriedade do Stud Red Rafa, o turf–record ocupava mais espaço do que todos os adversários juntos. Então, querido Leandro Guedes. Vamos falar do craque deste magnífico criador, o Haras Anderson!
London Moon demonstrou, logo de cara, precocidade. Ganhou a seletiva da Copa Velocidade, disputada na Gávea, em boa marca e no melhor estilo de todas as outras seletivas, corridas no Cristal, Tarumã e Cidade Jardim. Era o cavalo a ser batido na final. Opinião unânime de todos os especialistas. E no dia 19 de março de 2022, viajou, correu fora de casa, largou pela baliza 12, por fora, e conquistou o título de "Rei da Velocidade". Daí em diante estendeu os seus domínios na sua geração. Para abreviar a questão. Conquistou o Criterium de Potros de 2 anos, na milha, o Grande Prêmio Jockey Club Brasileiro, Grupo 1. E, em seguida, o Grande Prêmio Linneu de Paula Machado, o Grande Criterium, também Grupo 1, em 2000 metros. Houve um percalço na sua sequência de sete vitórias. A derrota para Ladário, por desclassificação, numa decisão correta da Comissão de Corridas. O seu algoz confirmou o triunfo em São Paulo, prova em que o craque do Haras Anderson não participou. Ladário, defensor do Stud Snob, e treinado por Júlio César Sampaio foi então negociado para o exterior.
A comparação com Bal A Bali não me parece exagerada por parte do caríssimo leitor do Raia Leve. London Moon tem qualidades comuns a ambos. Precocidade, consistência, resistência, e extrema versatilidade. Ele e o craque do Stud Alvarenga nunca dependeram de ritmo favorável de carreira. Conseguem se adaptar as circunstâncias, de acordo com os obstáculos pela frente. Oriundo de um campo de criação tão vitorioso, decidi realizar espécie de viagem no tempo, e recordar alguns dos mais brilhantes representantes da farda. Concluí que London Moon está à altura de todos os melhores puros–sangues criados pela família Stabile. Treinado pelo consagrado e experiente, Adélcio Menegolo, e com o jóquei, Leandro Henrique, em seu dorso, com toda a sua técnica e força física. London Moon é um osso duro de roer.
A VISITA DE JOÃO MOREIRA
O Jockey Club Brasileiro terá o privilégio de receber, na próxima terça–feira, a visita de um dos melhores jóqueis em atividade do turfe mundial, o paranaense, João Moreira, para os turfistas do Oriente, o "Magic Moreira". Afinal, depois de alguns anos do outro lado do planeta, ele só faltou fazer chover, por onde passou, e, por onde montou, com vitórias históricas em Singapura, Hong Kong, Dubai, Austrália, e em visitas pontuais, ao Japão, e no turfe norte–americano. Ele mesmo. Aquele famoso "Fantasma de Cidade Jardim", assim batizado, e eternizado, pelo locutor, Roberto Casela, que nos fazia acompanhar todos os simulcasting, entre Rio e São Paulo, para ver o então pequenino, Moreira, assombrar as pistas com o seu talento. O JCB precisa pautar uma boa entrevista, e colocar este grande astro diante das nossas câmeras, para o turfista carioca usufruir da presença dele por aqui. O cara é uma lenda nos países asiáticos. Uma estrela de primeira grandeza. Ele é o bicho! Profissional, dedicado, interessado, e apaixonado pela profissão. Estou até pensando em aparecer na Gávea para vê–lo em ação. Bem–vindo João Moreira!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Empate. Nas três provas clássicas disputadas nesta semana, vou dar um tríplice empate, entre os três treinadores que levaram a melhor. Adélcio Menegolo brilhou, como sempre, na apresentação de London Moon, do Haras Anderson, na preparatória para a primeira prova da Tríplice–Coroa, o GP José Buarque de Macedo. Roberto Morgado Neto trouxe Regal Nemesis, da Coudelaria Monte Parnaso, em estado atlético exuberante, e a filha de Drosselmeyer se manteve incólume nas pistas num duelo de arrepiar com Libra, do Stud Estelinha, no GP Roger Guedon. E Saint Barth, de criação e propriedade do Haras Clark Leite, do sempre gentil, bem humorado e atencioso, Luiz Oswaldo, teve o carimbo de Luiz Esteves, que entrou segundo, nas duas preparatórias, com Quantify e Libra, mas fez a inscrição certa, e no páreo certo, para assegurar um troféu na semana, na Prova Especial Wild Event.
JOQUEADA DA SEMANA
Carlos Lavor brilhou no dorso de Pitt Girl, do Stud Blue Mountain, de propriedade do talentoso, Richard Ávila, e treinamento do craque, José Luiz Pedrosa Júnior. Zezinho, que já havia marcado ponto no domingo, com Lukrative, do Stud Mm, trouxe bem bonitas as suas duas pensionistas. E, de manhã, me alertou. "Olha as duas éguas estão muito bem. A Luluca correu páreos mais fortes, e acredito que ganhe. Mas, esta égua do Blue Mountain, só fez melhorar". Carlos Geovani Lavor deu um show no seu dorso. Ao perceber o ritmo de corrida alucinante, ficou na última colocação, e só apoiou a sua pilotada, esperando os últimos 400 metros, para fazer partida bem curta. E foi só o que Blue Mountain precisou para vencer.
