O cearense, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves, nascido na cidade nordestina de Sobral, no dia 8 de abril de 1989, portanto, com 33 anos, conquistou, ontem à tarde, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, na última corrida do ano hípico na Argentina, o pentacampeonato da estatística de jóqueis portenha, com 418 vitórias. E foram com dois puros–sangues favoritos. Virador, na quarta prova, e, Princesa May, na 14ª carreira. Desde 2018, só da ele, no ranking argentino. "Leandrinho", como é carinhosamente chamado pelos "burreros", assim são chamados os mais fanáticos turfistas do país, são apaixonados pelo brasileiro.
Neste período, dos últimos cinco anos, o cearense somou um total de 1788 vitórias, nos hipódromos mais importantes do turfe argentino, Palermo, San Isidro, ambos em Buenos Aires, e, o de La Plata, cidade universitária, a pouco mais de 1 hora e meia da capital. Em 2018 foi campeão com 387 triunfos. Em 2019, foram 390. Com a chegada da pandemia, o turfe argentino promoveu um número bem menor de corridas, mas, ainda assim, Leandro conseguiu ganhar 193 provas. Em 2021, o campeão ampliou esta marca para 400 vitórias, e conquistou pela terceira vez a maior honraria do país, o troféu, Olímpia de Plata, prêmio que o futebolista, Lionel Messi, já conquistou seis vezes, do Círculo de Periodistas Argentinos. Agora, em 2022, o jóquei brasileiro faturou pela quarta oportunidade.
Francisco Leandro desembarcou na capital da Argentina, em 2013, logo depois de faturar, seguidamente, a estatística de São Paulo, em 2012 e 2013. Teve de cumprir o regulamento dos jóqueis estrangeiros, que se transferem para o turfe argentino, e montar só para a Caballariza contratante. Por isso, ganhou apenas 15 carreiras. Em 2014, liberado para montar avulso, para todos os proprietários, subiu para 210, o número de triunfos. Em 2015, diminuiu para 145, mas já tinha conquistado o seu espaço. Mas, eram tempos de enorme competitividade, pela presença dos veteranos e megacampeões, Pablo Falero, uruguaio sexto do mundo em número de triunfos, e o recordista sul–americano, Jorge Ricardo, que lutava pelo recorde mundial com o canadense, Russel Baze. Além disso, Eduardo Ortega, o melhor jóquei paraguaio, já havia desembarcado na Argentina, também, e Altair Domingos, que chegou na sua frente ao país Hermano, e logo faturou a estatística portenha.
Mas o futuro sorriu para Leandrinho. Com a aposentadoria de Pablo Falero, e a volta de Ricardinho para o Brasil, depois de alcançar a marca mundial, diminuiu o número de rivais. Antes de embarcar de volta ao Brasil, na época, Ricardinho vaticinou: "Este rapaz vai dominar o turfe por aqui. Além de ser muito talentoso, ele é sério, trabalhador, competitivo, e muito carismático", elogiou o líder mundial na ocasião. E Francisco Leandro confirmou a previsão. Ganhou 329 provas em 2016, e, foi campeão pela primeira vez. Logo em seguida, mais 230, em 2017, num período de reação de Altair Domingos e Eduardo Ortega, totalizando 929 pontos, antes de dar início a irresistível arrancada dos últimos cinco títulos da estatística. Hoje, somado o período atual, com o início da caminhada, totaliza 2717 vitórias no turfe portenho. As primeiras 929, de 2013 a 2017, e outras, 1788, do pentacampeonato.
Na esfera clássica, o brasileiro tem brilhado intensamente. Montou dois, dos melhores puros–sangues argentinos da temporada, Durazzo, do Haras Maria’s Del Sur, e Miriñaque, do Stud Parque Patrícios. Com eles faturou sete provas de grupo 1, do total de 8, na temporada, além de outras provas clássicas menos graduadas, que lhe proporcionaram 51 vitórias do calendário clássico. Sem dúvida, um visitante bem inconveniente para a constelação de pilotos dos outros países sul–americanos, que disputam, diariamente, os páreos dos hipódromos argentinos.
Por Paulo Gama