DESPEDIDA DA PRIMAVERA E DA COPA TEVE BONS ESPETÁCULOS TURFÍSTICOS
Os últimos dias da primavera aqui no Brasil, e também, na Argentina, praticamente simultâneos ao final da Copa do Mundo de Futebol, no longínquo Qatar, nos proporcionaram espetáculos de ótima qualidade, ao vivo, no turfe, e, pela televisão, ou internet, no futebol. No sábado, vantagem para o turfe. No hipódromo paulistano, tivemos três clássicos de grupo, com provas bem interessantes. No futebol, a disputa do terceiro lugar, entre Croácia e Marrocos, teve jogo de nível técnico semelhante a um confronto, entre Juventude e Avaí, na luta para não cair para a série B. O melhor do sábado aconteceu mesmo, foi no belo prado de San Isidro, em Buenos Aires, com a quebra dos dois recordes de distância, na grama. Nos 2000 metros, da Copa de Plata de éguas, Grupo 1, através de Joy Neverland, que esnobou o cronômetro oficial, com 1m56s50s, e na milha internacional, o Gran Prêmio Joaquin S. de Anchorena, Grupo 1, com o invicto Satu, de ponta a ponta, e a quebra do recorde antigo, de Riton, da família Paula Machado, agora em 2022, na incrível marca de 1m30s90.
No dia seguinte, domingo, nada de turfe, nem no Brasil, e, muito menos na Argentina, que participou de forma vitoriosa com a sua seleção, de um dos jogos de futebol mais eletrizantes da história. E, como desafiante, da Seleção da França, a campeã do Mundo. Até parecia uma luta de boxe, daquelas que um dia foram protagonizadas por Cassius Clay e Joe Frazier, nos bons tempos do boxe internacional. Um empate antológico, no tempo normal, mais emoção depois, na prorrogação, e, ainda mais dramaticidade, na disputa dos pênaltis. Os privilegiados, que acompanharam a partida, e não são teimosos, puderam concluir que o melhor futebol do mundo não pertence mais ao Brasil. Os menos lúcidos e imparciais, finalmente puderam ser informados que os dois melhores jogadores do planeta, também não são brasileiros. Os mais fanáticos seguem procurando desculpas esfarrapadas, para justificar o papelão da Seleção Brasileira, ao invés de encarar o óbvio ululante da realidade dos fatos.
EM CIDADE JARDIM
Kenlova, do Stud Magia, montada por João Moreira, confirmou favoritismo no Grupo 2 de éguas, depois do lamentável forfait de Love Now, do Stud Brave Heart. O treinador, Emerson Garcia, no melhor momento de sua carreira, faturou também a Copa dos Campeões, através de Follow It, da Fazenda Colina, um puro–sangue em estado atlético esplendoroso. E Índigo Guerreiro, do Haras Valentin, consolidou sua árdua campanha nas pistas, com triunfo glorioso, digno de um fundista de qualidade.
NA GÁVEA
A sorte voltou a sorrir no majestoso prado carioca. A diretoria do Jockey Club Brasileiro, numa surpreendente conjugação dos astros, e fatores específicos, pode comemorar duas vezes, na segunda e, na terça–feira, Movimentos Gerais de Apostas, acima de R$ 600 mil. No dia preferido do apostador carioca, a segunda–feira, o bom programa organizado, com 9 páreos programados na raia de grama, foi mantido na pista normal. A chuva prevista para o Rio de Janeiro não caiu. Se atrasou pelo caminho, e só foi aparecer, no início da madrugada.
Com isso, o MGA alcançou R$ 618.899,27, ou seja, acima da fronteira com o precipício. E, no dia seguinte, a terça–feira, a inevitável mudança de raia, não machucou ninguém. Só quem mora perto de encostas. Havia a Prova Especial Troyanos, programada na areia, e outros três páreos neste terreno. Os demais páreos de grama, que mudaram de pista, não prejudicaram os apostadores, ávidos para visitar os guichês, pois já haviam recebido a 1ª parcela, do bendito 13º salário. Quem diria, a terça–feira alcançou R$ 677.655,98. "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade".
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Leandro Guignoni merece destaque na semana devido a fantástica corrida de reaparecimento de Dipinto Di Blu, da farda do Stud H&R, ausente das pistas desde 9 de maio de 2021. A filha de Drosselmeyer, criada no modelar, Haras Old Friends, desacatou os machos com atuação exuberante, e direção tranquila de Valdinei Gil, piloto contratado da coudelaria, que demonstrou confiança absoluta na vitória. Parabéns ao profissional pelo preparo, e a coragem da comentarista Juliana Dias, a única que indicou a égua no site do JCB, apesar da longa ausência da pista.
PERSONAGEM
Depois de superar um grave acidente com queimaduras, que o afastaram das pistas por vários meses, aos poucos, o jóquei, Francisco Chaves, tem começado a receber melhores oportunidades. E, sem boas montarias, nenhum jóquei se estabelece. No turfe, o protagonista é sempre o puro–sangue. O jóquei só consegue bons resultados com boas montarias. Parece óbvio. Mas, os turfistas, em geral, se esquecem deste detalhe importante. F. Chaves, quando recebe boas oportunidades, raramente as desperdiça. Esta semana foi assim, com Pleno, do Haras Nacional, e preparo de Marco Aurelio. E, também, com Passing Cloud, do Stud Mm, pensionista de José Luís Pedrosa Júnior, grande treinador, outro que começa a ter mais material, ou seja, cavalos para cuidar. E, o resultado, logo aparece.
JOQUEADA DA SEMANA
Dois bons momentos do maior ídolo do turfe nacional, o recordista mundial, Jorge Ricardo. No segundo páreo de sábado, em Cidade Jardim, no dorso de Jolly–Toy, de Marco Antônio Dexheimer, e preparo de Valter Santos Lopes. Com a farda do Jockey Club de São Paulo, branca, com listras horizontais encarnadas, o que as vezes demonstra pouca confiança na vitória, Ricardinho deu direção antológica e pagou rateio incomum na pedra de apostas. Não vou descrever para obrigar os amigos leitores a verem o filme.
Na Gávea, ontem, no dorso de La Passante, do Stud Duplo Ouro, teve a perspicácia de não deixar o veloz Gavilán florear, na ponta. De manhã, ao telefone, depois de estudar o páreo, comentou comigo. "Este número 3 é muito veloz. A raia está pesada, ele está em evolução, e se não colocar perto dele, vai bracear na ponta, e não alcanço mais", comentou. Algumas horas depois, se repetiu na raia, o que ele havia previsto, nas primeiras horas da manhã. Já tinha o páreo na cabeça. Era a única montaria com chance da semana. Não poderia desperdiçar. Um grande profissional.
