O povo argentino possui duas gigantescas paixões no esporte: turfe e futebol. E, por causa disso, nos próximos dois dias, os nervos de toda a nação ficarão a flor da pele. Passionais, dramáticos e, algumas vezes exagerados, em ritmo de tango, os muchachos vão sofrer e vibrar, hoje à tarde, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, com a disputa da mais importante prova do país, o tradicional, Gran Prêmio Carlos Pellegrini, Grupo 1, em 2400 metros, na sagrada grama de um dos mais belos prados da América do Sul. Em pouco mais de 2m25s, tudo estará decidido, e um dos 15 puros–sangues inscritos, será eternizado na seleta galeria de ganhadores do páreo.
Amanhã, no Qatar, a Seleção Nacional de Futebol da Argentina, decidirá a Copa do Mundo com a França, comandada por Leonel Messi, numa jornada de 90 minutos, ou talvez, em 120 deles, em caso de prorrogação. Mas estes, são outros quinhentos. Para nós brasileiros, fora deste páreo, e com tremenda dor de cotovelo, vamos nos concentrar na espetacular carreira de logo mais, às 19h30, em que um jóquei brasileiro, o cearense, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves, montará Durazzo, o favorito da competição.
Mais uma vez, como acontece todo ano, existe um campo de puros–sangues bastante categorizado. E com a curiosidade, de nenhum cavalo oriundo de nação vizinha da América do Sul, ter sido inscrito na prova. Desta vez vai vencer um craque argentino. Em tempos de pandemia, ninguém quis fazer esta aventura. Entre os cavalos adultos, como os periodistas argentinos gostam de classificar os mais experientes, Durazzo, do Haras Maria’s Del Sur, e Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, são os mais cotados. Eles trazem na bagagem, nas últimas atuações, quatro e três triunfos de Grupo 1 consecutivos, respectivamente. Em todas eles, montados pelo brasileiro pentacampeão da estatística, Francisco Leandro. Ele só falta fazer chover no turfe portenho, porém só pode montar um dos dois cavalos, evidentemente. Optou por Durazzo. Miriñaque ficou na responsabilidade do paraguaio, Eduardo Ortega Pavon, melhor jóquei do seu país, em todos os tempos.
Enquanto Durazzo deslocará 59 quilos e meio, e Miriñaque levará 60, os mais graduados representantes da nova geração de potros, Niño Guapo, do Stud Garabo, criado no Haras El Chanar, montaria do vice–campeão do ranking, William Pereyra, e preparo do consagrado treinador, Roberto Pellegatta, e El Musical, do Stud J.C. V., criação do Haras El Paraíso, montaria de Juan Cruz Villagra, e treinamento de Miguel Angel Cafere, deslocarão apenas 53 quilos e meio. Sem dúvida, baita vantagem num handicap bastante questionado no turfe portenho. Mas sempre foi assim. Eis o campo completo do GP Carlos Pellegrini:
1º Dreaman (Gustavo Calvente), 2º Mr. Globalizado (Luiz Fernando Vai), 3– Jazz Seiver (Adrian Gianetti), 4– El Musical (Juan Villagra), 5– Keino (Martin La Palma), 6– The Punisher (Martin Valle), 7– Irwin (Rodrigo Blanco), 8– El Cid Campeador (Kevin Banegas), 9– Niño Guapo (William Pereyra), 10– Miriñaque (Eduardo Ortega), 11– Durazzo (Francisco Leandro), 12– Hacer Un Poente (Cristian Velazquez), 13– Don Tigre (Brian Enrique), 14– El Iminente (Ivan Monasterolo), 15– Billion (Osvaldo Alderete).
por Paulo Gama