O TURFE NOS TEMPOS DE COPA DO MUNDO
Brasil, Argentina, e Uruguai, três dos mais importantes países da América do Sul têm em comum a mesma paixão dos seus povos pelo futebol. A seleção Brasileira conquistou cinco títulos mundiais. E, os Hermanos, apenas duas vezes, cada um. Este é um motivo de orgulho para nós brasileiros. A nossa camisa, chamada carinhosamente de "amarelinha", desfila orgulhosa mundo afora, vestida com pompa e vaidade nos países que promovem periodicamente, de 4 em 4 anos, a Copa do Mundo. O Brasil, único país que participou de todas elas, também é o que mais vezes a conquistou. Por isso, no Qatar não é diferente. Catares, paquistaneses, hindus, e outros habitantes do planeta, lotam os estádios, pegam emprestado o manto, e o envergam orgulhosos, aquela camisa, que outrora foi usado por Pelé, "o Rei do Futebol". E, ele jogava tanto, que sinto até pena, daqueles que não o viram jogar, e por isso, admitem comparações.
Nos países Hermanos, Argentina e Uruguai, existe em comum, o mesmo encantamento. E, eles, convivem com aquela dor de cotovelo disfarçada, por terem certeza da nossa superioridade, mas se recusarem a admitir o fato consumado. Porém, existe outra coisa em comum em eles, e nós. A paixão pelo turfe. E este amor comum ao cavalo de corrida, as vezes até penso que argentinos e uruguaios gostam mais de turfe do que a gente, causa enormes transtornos com os dirigentes dos principais hipódromos em tempos de Copa do Mundo. Eles precisam conciliar horários, programações, fusos e páreos, de uma maneira a diminuir o prejuízo, durante este intervalo de tempo. Os cidadãos acompanham tudo relacionado ao futebol, ao vivo, por televisão, internet, tablets e outras tecnologias que proporcionam as imagens, desta grandiosa paixão. Hoje à tarde, em Buenos Aires, por exemplo, com telões, e outros recursos, os dirigentes de San Isidro vão deixar correr os primeiros páreos de maneira normal. Mas, às 16h, depois da disputa do oitavo páreo, quando a Argentina enfrenta a Polônia, em busca da classificação, vão interromper as carreiras pelos 45 minutos do primeiro tempo.
Aí, tudo vai parar mesmo. O hipódromo inteiro. Pontualmente, no intervalo do primeiro, para o segundo tempo, será corrido o nono páreo. Vida que segue até o juiz autorizar o início do segundo tempo. E aí, tudo para outra vez. Depois do apito final do árbitro, recomeçarão a carreiras. Com qualquer resultado, às 17h55, será dada a largada da décima prova. Mais, uma vez, a rotina das carreiras recomeça. Foi assim, no último jogo, quando, comandados por Messi, os Hermanos derrotaram o México. Por estas, e outras, o JCB também merece alguma paciência e compreensão neste período da Copa. Nesta semana que vem, com duas reuniões na Gávea, os GPs Frederico Lundgren e Mariano Procópio foram parar na terça–feira.
Quem diria, num clube conservador e tradicional, este fato merece reflexão. O presidente, Raul Lima, quebrou um tabu. Provas de grupo, num dia de semana. Imaginem o tamanho da ginástica que o Jockey Club está fazendo para tentar evitar prejuízos financeiras. Num período em que o MGA despenca igual a um tobogã gigante. Por isso, sugiro ser compreensivo e pegar leve com a turma do JCB. Os dirigentes tem de promover corridas, entrelaçadas com a disputa de uma Copa do Mundo, no país em busca do hexacampeonato. Sem dúvida. É tarefa das mais árduas para qualquer indivíduo na face da Terra.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Que luxo o preparo de Álvaro Castilho, no seu pensionista, Ponto Quarenta, de propriedade da simpática farda do Stud Chreem. Veloz, valente e brigador, subiu bastante de turma e deu conta do recado contra adversários temíveis. Bruno Queiroz conseguiu dosar as suas energias, e, talvez possa ser incentivo para ele acelerar um pouco mais em alguns páreos. Sabe correr muito bem na frente. Portanto, não precisa amarrar tanto, os seus conduzidos, em algumas ocasiões. Como dizia o saudoso Francisco Esteves. "Quem corre na frente, bebe água limpa". Menção honrosa para Ildefonso Coelho Souza, que trouxe Playa Los Ingleses, do Stud Best Friends, em páreo desfalcado, mas em estado atlético suficiente para somar mais um triunfo em sua campanha nas pistas cariocas.
JOQUEADA DA SEMANA
Que Jorge Ricardo não ganhou 13.235 corridas por acaso, todo mundo sabe. Alguns teimam em achar que foi por acaso. Ou, por que amoleceram páreos. Ou, por que só montava favoritos. E outras bobagens assim. E existem ainda, aqueles que o consideram velho, fominha, e outras coisas deste tipo. Jorge Ricardo ganhou muitas corridas por que trabalhou mais para isso do que todos os seus contemporâneos. Jorge Ricardo ganhou mais corridas, por amar de forma incondicional a sua profissão. No dia da Prova Especial Alcides Morales, uma mera, porém justa homenagem do JCB a um grande profissional, no telefone, pela manhã, ele me disse.
"Este páreo é bem duro. Mas, esta égua do Sampaio, que eu monto, esta Magic Glory USA é bem melhor do que eles pensam. E eu gostaria muito de ganhar uma prova em homenagem ao meu grande amigo "seu Alcides". Inteligente e observador, Ricardinho encontrou o seu jeito. Foi para a grade de fora, na grama, depois de montar um páreo antes, em que o aprendiz L. Santos, foi para a cerca externa e saiu do último posto para o primeiro lugar, com Irma Furacão, numa prova de 1000 metros. Tem muita gente que vem para a vida a passeio. Ricardinho está sempre de serviço. Não deixa passar nada diante da sua vista. O inesquecível "seu Alcides" foi homenageado.
PERSONAGEM
O gaúcho, Júlio César Sampaio, está muito próximo de completar 2000 vitórias. Faltam apenas três. Trabalhador, talentoso e incansável, o Alemão tem tido ótimos resultados no atual ano hípico. O triunfo de Magic Glory USA causou enorme emoção no titular do Stud São Francisco da Serra, Luiz Antônio Ribeiro Pinto. Além de "seu Alcides Morales", ter treinado para ele, existia laços de amizade do seu saudoso irmão "Kiko", com o Alcides Morales Filho, o "Cidinho", ex–jóquei, e filho do treinador. Foi um triunfo revestido de saudade e comoção. Se possível, Sampaio quer completar a expressiva marca com Jorge Ricardo no dorso de um dos seus pensionistas. "Ricardinho, para mim é um herói. Um cara especial. Um ícone do turfe. Entrar para a história ao seu lado seria motivo de orgulho e satisfação. Ganhamos uma tríplice–coroa juntos com Plenty of KIcks. Mas, Deus é quem sabe", falou visivelmente emocionado
FRANCISCO LEANDRO VAI DE DURAZZO NO PELLEGRINI
Perto de conquistar pela quinta vez consecutiva a estatística de jóqueis do turfe argentino, o brasileiro, Francisco Leandro teve de escolher, entre Durazzo, do Haras Maria’s Del Sur, e Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, a sua montaria na maior prova do turfe portenho, o Grande Prêmio Carlos Pellegrini, que será disputado, no dia 17 de dezembro, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. Os dois craques devem dividir o favoritismo da competição. Miriñaque, desde de sua volta do exterior, onde atuou sem sucesso em Dubai e Arábia Saudita, obteve quatro vitórias clássicas, entre elas, duas de Grupo 1, os GPs Dardo Rocha e General San Martin. Todas elas com Leandro em seu dorso. Durazzo vem de cinco triunfos consecutivos, nos GPs Copa de Ouro, Grupo 1, Estrella Classic, Grupo 1, GP 25 de Mayo, Grupo 1, Clássico Portenho, Grupo 3, e Clássico Progresso, Grupo 3. Leandro o conduziu em quatro oportunidades, menos do 25 de Mayo, quando se recuperava de fratura no ombro, e foi substituído com sucesso, por Gustavo Calvente.
