NA GÁVEA MOVIMENTO DE APOSTAS DEIXOU A DESEJAR MAIS UMA VEZ
O turfe carioca voltou a conviver com a rotina dramática de baixa arrecadação no seu Movimento Geral de Apostas (MGA). No conjunto de três reuniões desta semana, nenhuma delas conseguiu ultrapassar a fronteira de R$ 600 mil, média de faturamento necessário, segundo os próprios dirigentes do JCB, para evitar prejuízo. A ressureição da corrida de sexta–feira já era tragédia anunciada. A causa foi nobre. Liberar o dia de domingo para a festa da Pegasus Brasil 2022, no Hipódromo do Tarumã, em Curitiba. Os pífios R$ 483.566,71 faturados ficaram dentro da expectativa. O MGA de domingo nas tardes cariocas, também não tem sido lá grande coisa.
Agora, na segunda e na terça, com pista de grama liberada, alguns páreos de qualidade, e pouca concorrência com grandes eventos, o MGA das corridas teve resultado financeiro abaixo do esperado. A tradição de maior arrecadação da segunda–feira foi mantida, com R$ 587.808,56. Ou seja, inferior a fronteira com o fracasso. E, na terça, o roteiro titubeante foi mantido, com R$ 567.126,92. Vale lembrar que tivemos três programas de 9 páreos. O desafio agora, nos dias 30 e 31, de outubro, e 1 de dezembro, será maior, com três reuniões de oito provas apenas.
Com diminuição gradativa do rebanho de equinos em solo nacional, o JCB e os demais clubes hípicos no país, convivem com menor número de programas, consequentemente, também de páreos, de faturamento e de proprietários. Devido a sofrível relação entre valor do trato mensal, para sustento dos puros–sangues, e as dotações disponibilizadas nos páreos programados, a cada dia que passa, mesmo os proprietários mais abnegados pela atividade turfística, batem em retirada.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Lotus, de propriedade do Stud Best Friends, desfilou com autoridade a bela farda da coudelaria, no último páreo da semana. Inscrito em nome no C. Silva, mas levado com categoria por André Magalhães, funcionário modelo do tradicional e vitorioso stud, vendeu saúde no galope de apresentação, e contou com direção eficiente de Wesley Silva Cardoso, numa noite inspirada de primavera, em que fez Hat Trick, com mais dois triunfos, com Quick Gold, do Stud Casablanca e Land of Angels, do Haras Santa Maria de Araras, bem apresentados por Leo Cury e Christiano Oliveira.
JOQUEADA DA SEMANA
As montarias, hoje em dia, se reduziram, mas a presença de Ângelo Márcio Souza, na minha coluna, neste setor, vai se perpetuar, enquanto ele exercer a profissão. No dorso de Smooth Operator, do Stud Versiani, e preparo de Fabrício Borges, ele desfilou todo o seu talento, e intimidade no dorso dos puros–sangues de corrida. Que facilidade para encontrar caminhos, soluções e definir uma carreira. Para A. M. Souza, como escreveria se fosse vivo o genial, Nelson Rodrigues, montar é tão fácil quanto chupar um picolé. Vale a pena rever o filme. No meio daquele páreo numeroso e complicado, ele pegou um atalho genial, e mostrou que nem tudo que reluz é ouro. Os colegas de profissão, mais badalados, ficaram indefesos diante de um jóquei de primeira grandeza. Se entrar em forma vai sempre incomodar.
PERSONAGEM
De temperamento tímido, introvertido, embora sempre educado e simpático, Wesley Silva Cardoso, não tem a badalação que outros colegas de profissão recebem por parte da mídia especializada. Mas, trata–se de um jóquei de currículo apreciável, que em cima de um cavalo, faz tudo bem, e com bastante simplicidade. Demonstrou no último programa da semana que está em grande forma, e pode dar carga na concorrência sempre que receba boas oportunidades. O protagonista no turfe é sempre o cavalo de corrida. Quando ele é bom todos crescem em torno da sua qualidade. Treinador, jóquei, cavalariço, criador e proprietário.
