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Outubro | 2022

Páreo Corrido, por Paulo Gama
05/10/2022 - 09h01min

TURFE BRASILEIRO VAI TER SEMANA MOVIMENTADA

A partir de amanhã, quinta–feira, o turfista brasileiro viverá sete dias ininterruptos de corridas em território nacional. Portanto, todo aquele aficionado, que aprecia acompanhar os páreos dos quatro principais hipódromos do país, precisa organizar a sua agenda, com os horários específicos, de cada jornada. Como de hábito, amanhã, o Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre, dá início a maratona semanal, com 7 páreos, e a largada da prova de abertura, às 16h. No dia seguinte, o turfe paranaense vai bater o ponto, com a sua programação vespertina no Hipódromo do Tarumã, em Curitiba. Alguns dos melhores jóqueis do turfe paulista estarão presentes, e esquentam as turbinas para a grande festa de Cidade Jardim, no dia seguinte.

A diretoria do Jockey Club de São Paulo promove reunião de alta qualidade no sábado, dia 8 de outubro, com 10 páreos, das 13h30 às 17h57. Seis provas do calendário clássico, numa sequência de tirar o fôlego, e, duas delas, de Grupo 1, as segundas etapas da Quádrupla–Coroa, com os Grande Prêmios, Jockey Club de São Paulo, para potros, e Henrique Toledo Lara, para potrancas. Mais cedo serão corridos os GPs Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo (2400m–grama), Márcio Correa de Toledo (1000m–grama), Luiz Fernando Cirne Lima (1800m–grama), e Alberto Santos Dumont (1600m–grama), todas provas de Grupo 3.

No domingo, dia 9 de outubro, em Porto Alegre, os gaúchos assumem o protagonismo, no espaço aberto pelo Jockey Club Brasileiro, que, excepcionalmente promoverá a sua domingueira, na quarta–feira, feriado de Nossa Senhora da Aparecida, e, também, Dia da Criança. Mais uma reunião de 7 páreos, com início às 14h15, e encerramento, às 17h28. Portanto, a tão apreciada feijoada do Cristal será servida mais tarde, e as famílias gaúchas vão desfrutar das corridas durante toda à tarde, ao contrário do costumeiro horário matinal das 11h.

Daí em diante, o Hipódromo da Gávea assume o roteiro de três dias consecutivos de carreiras. Segunda e a terça–feira, com as programações noturnas, com início às 18h. E, na quarta–feira, enfim, depois de muito tempo, uma corrida diurna de feriado, com 9 páreos, temperados por cinco provas clássicas. Destaque para o Grupo 1, de potros, dedicado ao patrono do turfe no Rio de Janeiro, o Grande Prêmio Linneo de Paula Machado, em 2000 metros, na grama. E, mais quatro provas importantes: Clássico Derby Club (3000m–grama), GP Rocha Faria (2000 metros–grama– Grupo 2), GP Costa Ferraz (1000m–grama–Grupo 3), e GP Gervásio Seabra (1600m–grama– Grupo 2). Autêntico desfile de craques.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

O treinador, Júlio César Sampaio, brilhou intensamente esta semana na Gávea, e assumiu a segunda colocação na estatística de treinadores. Em termos de beleza, destaque absoluto para Liz Tamer, de criação do Haras San Francesco, e propriedade do Stud São Francisco da Serra. A filha de Holding Glory e Lady Lisette, por Crimson Tide, inscrita num páreo para éguas de 4 anos, sem vitória, no galope de apresentação parecia ter entrado na raia do páreo errado. Fez o cânter como se fosse atuar numa prova clássica. Na semana de homenagem ao tríplice–coroado, Plenty of KIcks, do mesmo proprietário, foi um presente para o recordista mundial, Jorge Ricardo, jóquei do craque da coudelaria. Ricardinho foi literalmente arrastado por ela para o disco. Sampaio é um treinador vitorioso, competitivo, irrequieto e com carreira de ótimos resultados. Está bem perto de completar as 2000 vitórias.

JOQUEADA DA SEMANA

Mateus Aguiar tem se destacado no atual ano hípico. Na semana passada havia conquistado quatro triunfos e, nesta semana, deu direção impecável em Ferro e Fogo, de propriedade do doutor Lanny Fortes Máximo Goes de Lima, turfista apaixonado e nosso amigo de infância. O pensionista do jovem treinador, M. C. Santos, fez lindo passeio de apresentação, e, na corrida teve percurso meticuloso do piloto. Apesar da velocidade do seu conduzido, Aguiar evitou a luta na frente, acomodou o seu pilotado por dentro, encontrou passagem preciosa, e fez correr na hora certa. Bom futuro na profissão, embora não tenha muita mídia ao seu redor. Nota 10.

PERSONAGENS

O turfe carioca perdeu, temporariamente, o seu protagonista. Leandro Henrique, vítima de grave acidente de raia, na queda do cavalo Grand Prix. Lamento pelo staff do Haras Anderson, uma segunda família para o jovem atleta, e, que o acolheu e deu suporte imediato. E também por sua família, tão bem assistida por ele, ainda um menino. E, minha sincera gratidão a seu agente de montarias, Danilo Aglio, que, apesar da enorme aflição com o incidente, foi atencioso e prestativo com a Imprensa, ciente da importância em dar informações do seu agenciado. Tudo correu bem na cirurgia, e o "Braço de Mola", é forte como um touro. O seu anjo da guarda é forte, e, em breve voltará a montar. Afinal, ele é o centro das atenções. A referência dos apostadores, que elegem favoritos, os craques do Haras Anderson, Sweet Carol, e do Stud Pedudu. E, também, cavalos comuns, por absoluta confiança no seu trabalho e honestidade.

Henderson Fernandes assume o lugar de L. Henrique na ponta da estatística. Vive o melhor momento de sua carreira. Parece motivado a brigar pelo título. Tem ótima receptividade entre proprietários e treinadores. É um jóquei de estilo bastante competitivo, bom largador e arrojado. Bruno Queiroz é o seu maior obstáculo. E, quanto a Leandro Henrique, tudo dependerá do período que vai levar a sua recuperação. Henderson Fernandes parece ser o jóquei da moda. A primeira opção na roda gigante das montarias. No momento, ele é quem bate mais forte. E, como aprendi com o meu amigo e ex–jóquei, Marcelo Cardoso. "No turfe, sempre bate mais quem já está batendo. Por que os melhores cavalos caem no colo de quem atravessa o melhor momento.", repete sempre, com ar de inquestionável sabedoria.

RAFAEL E BETO

Parabéns ao jornalista Rafael Cavalcanti por sua coluna, na Revista Turf Brasil, desta semana, em que faz minientrevista com Luiz Alberto Rodrigues de Souza, o catedrático Beto. Foi leitura leve, deliciosa, e que a gente fica com aquele gostinho de quero mais. Texto preciso e agradável. Impulsionado, evidentemente, pelo personagem maravilhoso. Uma lenda do turfe carioca. O cara que desmentiu categoricamente a frase de que ninguém ganha em corrida de cavalo. Ele viveu uma vida inteira deles. No alto da tribuna social, com vários cronômetros na mão, Beto Malandro, para alguns, e Beto Espada, para outros, deu as cartas nas apostas durante longos anos no Jockey Club. Educado, fino, e dono de rara inteligência, Beto era o terror das bancas, o arrepio na espinha de quem bancava as suas apostas. E, ao mesmo tempo, crítico, generoso e eficaz. 

Duas vezes por ano, ou, no máximo três, ele, que era tímido, calado, e introspectivo, dava uma colher de chá para os turfistas sentados ao seu redor. Sempre focado nos detalhes, numa semana em que estava de frente no jogo, levantava na Tribuna Social, de frente ao disco de chegada, ao lado de Helinho, do Stud Helube, do genial papeleiro, Sérgio Melgaço, e do hoje comentarista, André Rodrigues, o seu filho, ele dava uma barbada para a galera.

 "Gente, eu marquei um ótimo trabalho deste cavalo número 5. Quem estiver perdendo na semana e quiser fazer uma fé, para recuperar, pode jogar. Se confirmar os treinos dificilmente vai perder", falava em voz alta e calma, diante da surpresa de todos. Claro que todo mundo corria para os guichês. Sinceramente, eu nunca vi nenhum deles perder. Eram 20 a 30 pessoas gritando e torcendo pelo mesmo cavalo. Uma tremenda barulheira. O rateio baixava, evidentemente, e por isso, ele não podia fazer isso toda hora. Mas aquele momento de euforia, daquelas dezenas de pessoas, perdedores habituais, era uma alegria muito particular para ele. Beto, que saudade de você. Como nós éramos felizes naqueles tempos. E como a vida mudou tanto para pior. Como tem gente que pensa que é sabido. E sabem tão pouco de corridas de cavalos, e, de cavalos de corrida. Um afetuoso abraço, meu querido amigo.



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