MAIS UMA VEZ MOVIMENTO DE APOSTAS DEIXOU A DESEJAR NA GÁVEA
Desculpem, caros turfistas, bater na mesma tecla. Porém, pela terceira semana consecutiva, o Movimento Geral de Apostas (MGA) no turfe carioca ficou abaixo do limite estabelecido pela própria diretoria do Jockey Club Brasileiro de R$ 600 mi, por reunião. Aliás, é bom que se diga, este limite não tem nada de positivo. Trata–se apenas de um valor estabelecido para evitar o prejuízo financeiro. Uma marca para empatar o jogo com as despesas grandiosas do clube hípico. O ideal mesmo, para os proprietários poderem comemorar um tão sonhado aumento de prêmios, com dotações melhores nas provas clássicas e nas demais chamadas, teria de beirar os R$ 900 mil. A maior novidade, em termos de MGA, na última semana, foi a reunião de terça–feira ter sido a campeã de faturamento, com R$ 588.993,35, na frente da habitual líder em apostas, a segunda, que fechou a raia, com R$ 552.413,40.
O outro resultado financeiro surpreendente, no que se refere a arrecadação com apostas, aconteceu no programa de domingo. Com quatro provas do calendário clássico vender menos jogo do que um dos dias úteis da semana, não pode ser considerado NORMAL no cotidiano do JCB. A corrida de domingo fechar a raia em termos de faturamento, no confronto direto com a reunião de terça, foi tremenda surpresa. A exceção sempre ficou por conta dos finais de semana especiais, com um número expressivo de provas clássicas nas domingueiras. Desta vez, no dia do GP João Borges Filho, e três clássicos coadjuvantes, o MGA foi de apenas R$ 576.459,99. Ou seja, pouco acima da segunda, e pouco abaixo da terça. Um baita sinal de alerta. Este fato fica longe da expectativa. NORMAL é o Fluminense ganhar o Fla–Flu, com folha de pagamento de R$ 6 milhões, contra um rival, cuja folha é de R$ 20 milhões. Mas esta é uma outra história.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Em sua nova rotina de trabalho, o treinador Leandro Guignoni, já começou a colher frutos da sua mudança para o Centro de Treinamento no Haras Vale da Boa Esperança, em Itaipava. Laser Set, um filho de Drosselmeyer e Really Winner, de propriedade do Stud H&R, e com o selo de qualidade na criação, do Haras Santa Maria de Araras, fez estreia auspiciosa nas pistas. Conduzido por Acedenir Gulart, que também ganhou para a coudelaria a prova central da semana, com Don Cambay, Laser Set estava lindo de morrer, e deixou impressão lisonjeira. Parabéns ao profissional e a sua equipe. Com certeza, outras vitórias vêm por aí.
JOQUEADAS DA SEMANA
Caros leitores. A escolha da melhor joqueada da semana tem um cunho pessoal. Em nada diminui o valor de outras boas direções dadas em 27 páreos diferentes da semana. Não é preciso ninguém ficar raivoso com a minha escolha. Em número tão expressivo de opções é NORMAL que as opiniões sejam divergentes. Às vezes, as unanimidades acontecem. Mas, como escrevia Nelson Rodrigues, um dos mais ilustres tricolores de todos os tempos: "A unanimidade é burra". Por isso, vamos a duas opções desta semana de raia pesada. Ângelo Márcio Souza, frequentador assíduo desta coluna, nos brindou com bela exibição no dorso de Quick Survivor, do Stud Versiani, e treinamento de Fabrício Borges. Técnico, frio, arrojado e bem sucedido, carrega em seu currículo triunfos em todos os principais clássicos do calendário nacional. Preciso e cirúrgico no dorso do seu conduzido.
Bruno Queiroz cresceu ainda mais com esta derrota na estatística para Leandro Henrique. No dorso de Rumba Negra, de Giulia Melchior Arias, e treinamento de Cláudio Peixoto Almeida, deu show de qualidade técnica. Fez parecer fácil trazer a sua pilotada para uma partida curta de menos de 300 metros. Filme para passar na escolinha de aprendizes. Qualquer erro de cálculo e o triunfo penderia para outro rival. Bom rapaz. Educado, inteligente e interessado pela profissão.
PERSONAGEM
Hang Loose, Jorge Ricardo e Venâncio Nahid formam um conjunto maravilhoso, e juntos, eles são o personagem da semana. Hang Loose defende as cores do Stud By Winner’s, uma farda de respeito no turfe carioca. Sinônimo de amor ao turfe e de paixão pelo esporte. Em 32 saídas, a castanha somou 12 vitórias, e inúmeras colocações expressivas. Aos seis anos, a filha de Put It Back defende com honra a criação Araras, e, inclusiva, com o hábito de derrotar representantes da criação de Júlio Bozano, mais novas. Com certeza, um orgulho para ele ter criado um puro–sangue de tanto valor. Desta vez foi Just Like, bem mais nova, uma das suas vítimas.
Venâncio Nahid é um treinador campeão, e ele só faz elogiar a sua pensionista. "Ela adora correr e tem saúde de ferro", comenta sempre orgulhoso, ao inscrevê–la. Jorge Ricardo admite que Hang Loose é um dos motivos de prolongar sua permanência nas pistas. "Toda vez que puros–sangues com o valor de Hang Loose e de Jet Class entram na raia, sinto emoção indescritível por ter o privilégio de montá–los. E aí, desisto de parar, para viver a imensa satisfação e a alegria de enfrentar os desafios da profissão ao lado deles. Eles me proporcionam o maior prazer da minha vida, que é montar cavalos de corrida", fala emocionado.
