A ETERNA PROCURA DO TURFE PELO FIEL DA BALANÇA
A atividade turfística não é um mundo a parte do resto da humanidade. Todos os passos do ser humano, em sociedade, giram em torno de dar liberdade de ação aos indivíduos que fazem a diferença. As coisas funcionam assim. Seja na política, na educação, na economia, ou no esporte, que é o nosso caso. Como este mero cronista de turfe, não tem plataforma política, e, muito menos está envolvido em campanha para as próximas eleições, vamos apenas bater um papo sobre corridas de cavalos. Quem tem feito a diferença no chamado esporte dos reis, de uma forma geral?
No Hipódromo de Del Mar, nesta semana, tivemos o privilégio de ver em ação um puro–sangue que faz a diferença. Há longos anos, provavelmente desde o histórico triunfo por 32 corpos, de Secretariat, no Belmont Stakes, os turfistas não presenciavam um triunfo tão indiscutível e arrasador. Flightline levou até as nuvens todo ser humano que ama as corridas de cavalos. Diante de sua exibição inequívoca da capacidade de acelerar, todos se ajoelham e agradecem aos céus por existir um puro–sangue com tamanha realeza. Hoje, no mundo do turfe, ele é o fiel da balança. O sonho de consumo de qualquer criador ou proprietário. Flightline é o cavalo que todo, jóquei gostaria de montar. E, todo treinador, gostaria de ter na sua cocheira. Craque.
Em nosso universo doméstico, vez por outra, alguns puros–sangues nos passam, temporariamente, esta sensação. Alguns jóqueis, também. E treinadores, em sua tarefa, das mais difíceis, idem. Na maioria das oportunidades, a gente verifica que esta sensação, não passou de um ledo engano. Apenas aquela expectativa frustrada. Impactado pela exibição de gala de Flightline, durante esta semana, tentei identificar, quem são os indivíduos, ou puros–sangues, capazes de serem considerados o fiel da balança no nosso universo. E qual é o nosso pequenino universo? No meu caso, os hipódromos, da Gávea, e de Cidade Jardim. E, devido a presença de um jóquei brasileiro, Francisco Leandro, a escrever linda história na Argentina, incluí os prados portenhos, de Palermo, San Isidro e La Plata, que acompanho diariamente.
No festival do último sábado, no Hipódromo de Cidade Jardim, senti esta emoção na vitória de Empoderada, de criação e propriedade do Haras Old Friends, no Grande Prêmio Barão de Piracicaba, Grupo 1. Ela já havia encantado a todos em sua estreia nas pistas. Depois, na segunda apresentação, ocorreu o fracasso. Agora, sem exagero, a filha de Drosselmeyer me fez lembrar Emerald Hill. Parabéns ao consagrado e vitorioso, Selmar Lobo, e a toda a sua equipe, pelo belo momento nos proporcionado. Vamos acompanhar com carinho toda a sua trajetória. Craque.
O cearense, Francisco Leandro Fernandes Gonçalves, é o fiel da balança no turfe argentino desde 2018, quando ganhou 387 corridas, e conquistou a sua primeira estatística. Repetiu este feito, em 2019, 2020, e 2021, quando, apesar de dois acidentes, em que sofreu fraturas e clavícula e de tornozelo, faturou 400 carreiras. Agora, em 2022, estava no caminho de bater dois recordes, o de vitórias na própria Argentina, 467 pontos, e, o sul–americano, 477, ambos de Jorge Ricardo, na sua vitoriosa passagem no país irmão.
Parece que não será possível. Faltam apenas três meses até dezembro. Mais uma vez, o frágil "Leandrinho", como é carinhosamente chamado pelos periodistas portenhos, e, também, pelos burreros, caiu numa largada e fraturou o ombro direito. Este afastamento de quase dois meses, o impediu de alcançar as incríveis marcas. Mas, ele voltou as raias. Já retomou a liderança, e, agora, soma 263 vitórias a caminho do penta. Ignorar o que este rapaz conquista nas pistas vizinhas, competindo diariamente, contra alguns dos melhores pilotos da América do Sul, me parece um sacrilégio. Por isso, através do Raia Leve, a gente procura deixar sempre o turfista brasileiro orgulhoso e a par dos seus feitos notáveis. Craque.
E no Brasil? Quem faz a diferença no turfe brasileiro? No turfe paulistano, a joqueta Jeane Alves faz um belo trabalho e conseguiu um feito notável, de ser bicampeã da estatística, num esporte machista. Mas a disputa por lá é bastante parelha, com Ruberlei Viana, Marcos Ribeiro, entre outros. Ela jamais vai conseguir ganhar ao estilo Flightline, por 19 corpos. Na Gávea existe um jóquei com potencial para isto. O pernambucano, Leandro Henrique, depois de idas e vindas, parece estar pronto para assumir, de maneira definitiva, o reinado de Jorge Ricardo, que durou mais de duas décadas, antes dele migrar para o turfe portenho.
Leandro Henrique vem amadurecendo. Tem corrido bem em todas as distâncias, e, a cada semana, se distancia dos mais fortes rivais. Possui um rigor incomum, o que o torna quase imbatível, no um contra um. Só perde um mano a mano, se o seu pilotado estiver mais cansado do que o do rival. Tem fortes concorrentes em Bruno Queiroz, e Henderson Fernandes. Porém, ele possui mais qualidades individuais. No momento é o fiel da balança do turfe mais forte do país. Vai manter a hegemonia? Acho que sim. Mas tudo depende da motivação da juventude. Ela oscila demais nesta altura do campeonato. Se isto não acontecer, ele vai escrever bela história. Craque.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Ladário, do Stud Snob, e criação do Haras Santa Rita da Serra, ganhou duas provas de Grupo 1, no eixo RJ/SP, num espaço de 26 dias. Belo trabalho de Júlio César Sampaio, que tem intimidade com a tríplice–coroa, já conquistada com Plenty of KIcks. Um treinador competente, obstinado e apaixonado pela profissão. Bruno Queiroz cumpriu boa atuação em seu dorso, e o potro se encaixa no seu estilo preferido de correr. Na Gávea, foi uma alegria enorme ver o meu amigo, José Luiz Pedrosa Júnior, com poucos animais, conseguir fazer um gol, com Passione Glory, do Stud Mn, na terça–feira. Estava lindo no cânter o filho de Holding Glory e La Passione.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Miriñaque, do Stud Parque Patrícios, nos 2400 metros do GP General San Martin, Grupo 1, corrido em Palermo, Francisco Leandro, engatou a terceira vitória consecutiva do craque, depois de sua volta do exterior, onde atuou em Dubai e Arábia Saudita. Na oportunidade, derrotou alguns dos melhores corredores de fundo na raia de grama portenha. No Brasil, Leandro Henrique desequilibrou no dorso de Deusa, de Divonsir Hay, e conquistou a Copa Japão de Turfe. Preparo sempre impecável de Antenor Menegolo Neto.
PERSONAGEM
O protagonista na história do turfe sempre será o puro–sangue de corrida. Por isso, o nosso personagem neste início do mês de setembro é FLIGHTLINE. Ninguém fez tanta diferença no turfe mundial, nos últimos anos.
INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
