A TRADIÇÃO E A MAGIA DE UMA FARDA INESQUECÍVEL
O tempo é inexorável. E com o passar dos dias, das semanas, e dos meses, gradativamente, também se passam os anos. No último domingo, no prado carioca, tivemos a disputa, pela primeira vez, da Prova Especial Benzion Levy, numa singela homenagem do Jockey Club Brasileiro ao grande criador e turfista. Quis o destino, nos seus misteriosos desígnios, que o batismo clássico da prova tivesse como estrela a extraordinária farda da Fazenda Mondesir, da família Peixoto de Castro. Zurs, filha de Agnes Gold e Buena Giusta, treinada por Cosme Morgado Neto, e conduzida por Wesley Silva Cardoso, cumpriu atuação divina, e batizou o seu nome, como primeira ganhadora da história da competição. Que começo promissor!
A bela farda branca, com mangas azuis, e boné encarnado, desfilou imponente no galope de apresentação. E, com certeza, o lindo cânter de Zurs, de imediato, levou cada turfista nos cantos do hipódromo carioca, a lembrança de alguma tarde inesquecível protagonizada pela Fazenda Mondesir. No meu caso, por exemplo, me lembrei de duas viagens até Cidade Jardim, para apostar em Bretagne, e, posteriormente, em Cisplatine, na disputa do Grande Prêmio São Paulo. E, também, de um duelo espetacular, que sacudiu à Gávea, entre Apollon e El Santarém. Gonçalino Feijó de Almeida, o Goncinha, no dorso do craque da família Peixoto de Castro, e Wanderlei Gonçalves, o Pigmeu, nas rédeas do chamado "cavalo do povo". Vitória no olho mecânico de Apollon. E, outros, com certeza, lembraram de Sunset, no lendário Grande Prêmio Brasil de 1978. Bons tempos aqueles...
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Zurs passou deslumbrante no cânter. Apresentação de luxo de Cosme Morgado Neto. Égua de treinamento delicado, e que enfrentou problemas físicos para engrenar em sua campanha, a filha de Agnes Gold atravessa momento atlético excepcional. Ganhou com estilo de barbada, com aquela aceleração típica dos puros–sangues no auge da forma. Wesley Silva Cardoso montou com confiança absoluta, e, a trouxe para uma partida curta e inapelável. Parabéns a toda a equipe.
JOQUEADA DA SEMANA
Diante do desvario da corrida, entre Mystical Quality, do Stud Eternamente Rio–Clarck Leite, e Ótima, do Haras Nacional, que brigaram desde a largada, num ritmo alucinante. Wesley Silva Cardoso soube tirar proveito do delírio insano dos dois pilotos, provavelmente receberam a mesma ordem para correr na ponta, e trouxe Quick Gold, do Stud Casablanca, para o triunfo. Preparo sempre caprichado de Leopoldo Cury, treinador de alto gabarito, mas com poucos pensionistas na atualidade. Cardosinho esteve impecável no dorso da alazã, criada no modelar Haras Capela de Santana, e valorizou o serviço do Doutor Leo.
PERSONAGEM
Além da citada joqueada, Wesley Silva Cardoso ainda foi o ganhador das duas principais provas disputadas na Gávea esta semana. Levou a melhor no domingo, no já citado triunfo de Zurs, e voltou a brilhar, na segunda–feira, na Prova Especial Santarém, no dorso de Bacilo, de criação do Stud V de Villela, e propriedade do Stud Ilse. Preparo perfeito de Roberto Morgado Neto, e a marca registrada de Agnes Gold, carimbo de qualidade absoluta nos seus produtos, em qualquer distância. Duelo interessante com Mr. Boss, do Stud H&R, num dos páreos de desfecho mais emocionante durante a semana carioca.
MOVIMENTO DE APOSTAS
Não houve mudança na rotina do turfe carioca, em termos de Movimento Geral de Apostas (MGA). No domingo, com mudança de raia, num dia de sol forte, e páreos de bom nível técnico, foi confirmado o prejuízo anunciado com faturamento de apenas R$ 521.131,92. Um fiasco! A segunda–feira reinou absoluta como sempre. O MGA alcançou R$ 663.445,73, com os mesmos 9 páreos do domingo. E a terça–feira, com apenas 8 páreos, como me chamou bem a atenção, o Carlos Roberto dos Reis, no Espaço do Leitor, faturou R$ 612.492,59, com um páreo a menos do que o domingo.
A MARATONA DE RICARDINHO
Pouco prestigiado no turfe carioca, onde a cada dia tem tido menos montarias, Jorge Ricardo, mais uma vez, coloca o pé na estrada, e, nesta semana atuará em todos os principais hipódromos do país. A jornada vai começar na quinta–feira, no Hipódromo do Cristal, onde vai conduzir Never On Sunday, no Clássico Tribunal Federal da 4ª Região, e Iquealis, num páreo de turma. No dia seguinte, o recordista mundial estará no Hipódromo do Tarumã, em Curitiba, para montar Morgano, Nabuco, Uncle Bear e Roanoke. E, 24 horas depois, amanhece em Cidade Jardim para conduzir Petruska Rach, no páreo extra da raça árabe, Khora Campeã e Kal–El, em dois páreos de turma, e nos três clássicos de Cidade Jardim, Head Office, Mañana Poderosa e Jullipe. De volta ao Rio de Janeiro, o campeão do mundo descansa na corrida do domingo na Gávea. Não lhe foi oferecida qualquer montaria. Na segunda–feira atuará em duas provas, e na terça, em mais quatro. Vida que segue...
