JCB NÃO TEM TIDO PROBLEMA PARA FORMAR TRÊS PROGRAMAS
Há algumas semanas, a Secretaria da Comissão de Corridas, do Jockey Club Brasileiro, não tem encontrado maiores dificuldades para a formação de um conjunto de três programas semanais. Na maioria das vezes, com 27 páreos, divididos em 9, por reunião. Alguns fatores têm sido preponderantes na engrenagem, para dar esta guinada positiva a favor do tradicional clube hípico carioca. Em primeiro lugar, sem dúvida, o projeto de iluminação no prolongamento dos 1000 metros. Depois que as provas no tiro curto puderam ser dadas à noite, sob a luz dos refletores, nunca mais houve o mínimo risco de serem formadas apenas duas programações.
Além disso, a estreia dos potros e potrancas da nova geração, nos meses mais recentes da temporada hípica, aumentou de forma expressiva a população de puros–sangues disponíveis para serem inscritos por seus treinadores. E, agora, com a mudança da idade, para 3 anos, os potros tardios também já começam a ficar prontos para estrear. Este detalhe é de suma importância, pois amplia este contingente de competidores, antes restrito aos mais precoces, ou seja, aqueles que ficam preparados mais cedo para correr. Agora começam a pipocar na raia, os produtos preservados pelos grandes proprietários como artigos de fé. Basta ver a qualidade dos estreantes desta semana. Vários deles nem deram bola para os já corridos. É a hora do turfista ficar ligado nas fardas importantes.
Outro fator logístico interessante na formação dos programas tem sido o apoio de profissionais de turfe ao Handicapeur, Vicente Brito, e ao funcionário do JCB, André Rodrigues, profundo conhecedor dos cavalos–de–corrida, e, também das corridas–de–cavalos. O cara é do ramo. A ajuda preciosa dos treinadores, José Luiz Pedrosa Júnior, Vítor Gomes e Leo Reis, estes dos últimos, presidente e vice, da Associação de profissionais do turfe, também tem prestado ajuda inestimável. Eles conhecem na intimidade as dificuldades dos colegas de profissão, em relação a formação dos páreos. Com isso, o intercâmbio, entre quem comanda a equipe, de forma institucional, o Superintendente, Marcelo Beloch, e quem, mete a mão na massa, os profissionais de turfe, fica facilitado.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Nas provas clássicas não há como não destacar o desempenho de Justice Girl, do Haras Sweet Carol, no preparo do mago, Adélcio Menegolo, representado por seu braço–direito, o segundo–gerente, Lúcio Vaz. Manter em forma durante tanto tempo uma mesma competidora da ala feminina não é nada fácil. Tomou conta do páreo desde a largada, e contou com direção precisa do "Braço de Mola". Nos páreos de turma, brilhou o Stud Best Friends, com alguns animais alojados na Gávea. Money Belt, treinado pela dupla, C. Silva, no programa oficial, e André Magalhães, um craque na raia e na cocheira, fez um lindo cânter. Parecia pronto para correr um clássico. Massacrou os adversários sem piedade, da largada do boxe, ao disco de chegada. Espetacular!
JOQUEADA DA SEMANA
Leandro Henrique deu joqueada sensacional no estreante Lord Normando, do Stud Pedudu, no páreo de abertura da reunião de domingo. Entrou na reta sobrando, nas patas dos adversários. Porém, ficou sem passagem, afunilado, junto à cerca interna. Numa sequência sensacional, o pernambucano suspendeu o seu pilotado, por fora de um a um dos adversários, e, alguns segundo depois, em poucos metros, já estava por fora de todos os rivais, com caminho limpo, para sacramentar o triunfo. Os idiotas da objetividade, como diria o saudoso tricolor, Nelson Rodrigues, vão dizer. "Mas era barbada. Quero ver fazer isso, com um matungo". Leandro Henrique ostenta forma atlética tão exuberante, que até Deus duvida das suas façanhas na raia.
PERSONAGEM
Roberto Morgado Neto deu entrevista na televisão e disse com clareza que esperava as vitórias das suas três potrancas estreantes. Exclamação, do Haras Old Friends, Regal Nêmesis, da Coudelaria Monte Parnaso, e Formentera, do Stud Principessa Di Capri. E não bateu no bico. O jovem profissional transformou a reunião de rara dificuldade, num Pick 7, de apenas quatro páreos. Para quem acreditou nas suas palavras ao microfone de Celson Afonso ficou fácil. Como errar, War Winner, Cromwell, People Ask e Justice Girl, todos favoritos, ou, segundos favoritos. Eu acreditei. Obrigado, Betinho!
UMA LOCOMOTIVA
Luthier Blues, o melhor velocista do turfe argentino, lotou as dependências do Hipódromo de Palermo, no último domingo. O filho de Le Blues e House Rules, criado no Haras El Paraíso, defensor do Stud Kirby’s, treinado por Gonzalo Sarno, e conduzido por Rodrigo Blanco, alcançou a 14ª vitória de sua campanha, a 10ª consecutiva, e assinalou 53s75, nos 1000 metros, na areia. Uma locomotiva de 500 quilos, que levanta a multidão, encantada com sua velocidade e paixão para acelerar.
