Depois de ficar longe do turfe por vários anos, Leandro Guignoni, 46 anos, filho de um dos melhores treinadores de todos os tempos, Dulcino Guignoni, retornou a profissão, em 2018, a convite de Aluízio Merlin Ribeiro, proprietário de renome, e titular do Stud H&R. Enquanto o pai cuidava dos principais puros–sangues da coudelaria, na região serrana, Leandro assumiu o comando da cocheira, no Hipódromo da Gávea. Os bons resultados obtidos em pouco tempo, com cavalos de potencial apenas regular, motivaram o convite para que Leandro aceitasse se transferir para o Centro de Treinamento Vale da Boa Esperança, em Itaipava, e, se responsabilizasse pela iniciação dos potros, como fazia no início de carreira, ainda garoto.
"Hoje me sinto maduro o suficiente para retomar este desafio. Estou empolgado. Nos últimos meses tenho trabalhado com uns 25 cavalos aqui na Gávea. A grande maioria do próprio Stud H&R, e, mais uns poucos do Stud Embalagem, e um do Maurício Roriz dos Santos. O Aluízio conhece o meu trabalho, desde os tempos em que ajudava o meu pai, no Vale do Itajara. Papai vai continuar na cocheira principal, ao lado da pista. E eu, fico responsável pelos cavalos que cuidava no Rio e a potrada adquirida pelo stud em processo de iniciação. E ainda pretendo cuidar de cavalos de outros proprietários, interessados em trazer os seus animais para o Vale da Boa Esperança", explica.
No início de carreira, Leandro teve ascensão meteórica na profissão de treinador, sobretudo, cuidando os puros–sangues da Coudelaria Jéssica, de Luiz Fernando Danneman. Chegou inclusive, a liderar estatística em Cidade Jardim. Passou 3 anos e meio fora do país, estudou inglês na Austrália, e, posteriormente viveu experiência profissional na Nova Zelândia. A ideia era de se radicar nos Estados Unidos. O projeto não foi para frente. Surgiu então oportunidade profissional longe do turfe. Da compra de um simples e único caminhão, ele, e outros sócios montaram uma transportadora. Hoje em dia, empresário bem sucedido, ele voltou a flertar com a antiga paixão.
"Em 2018, o Stud H&R abriu as portas para que eu treinasse outra vez. Agora, vem esta segunda oportunidade. Não pensei duas vezes em aceitar. Voltar a conviver com meu pai, no dia a dia, é sensacional. Ao contrário de alguns filhos, que têm dificuldade de administrar o fato de o pai ser consagrado numa atividade, e você abraçar o mesmo ofício, eu lido bem com este desafio. Ele sempre torce pelo meu sucesso. E, eu pelo dele. Além disso, é a pessoa mais certa do mundo para dar conselhos e te orientar, quando se trata de treinar cavalos de corrida", fala com a voz embargada pela emoção. A expectativa de Leandro Guignoni é de trabalhar com uns 35 puros–sangues. E vai ocupar a cocheira, próxima a principal, chamada de "Macacu".
"Quem conhece o CT aqui na região do Cuiabá, sabe da excelência da raia, da água, e da infraestrutura, em geral. O clima é maravilhoso e a proximidade do Rio de Janeiro facilita a ida e vinda rápida dos puros–sangues até o Hipódromo da Gávea para competir. Quem precisar de um treinador disposto a recuperar o tempo perdido pode trazer o seu cavalinho para cá", finalizou bastante animado.
Por Paulo Gama